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segunda-feira, 25 de julho de 2011

CIRCUITO LAGO DO IRAPÉ - CONHEÇA UM POUCO MAIS DESTA MARAVILHA DO VALE DO JEQUITINHONHA

Circuito Turístico Lago de Irapé: É a jóia do sertão mineiro e encanta por sua beleza. 
  • Chapada do Norte “Terra das Riquezas Culturais” 
  • Berilo "Pedra Preciosa" 
  • Botumirim "Natureza e Exuberância da Serra Geral" 
  • Cristália "Uma beleza em pleno Sertão de Minas Gerais" 
  • Grão Mogol "Diamante do Sertão Mineiro” 
É neste circuito que se localiza a barragem de Irapé, a mais alta do Brasil e a segunda da América Latina, com 208 metros de altura. As cidades que o compõe são Botumirim, Berilo, Chapada do Norte, Cristália e Grão Mogol, cabendo finalizar com os elogios: o Circuito Lago de Irapé é maravilhoso, paradisíaco!  

Nas regiões do Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha há algumas cidades que conseguem ser maravilhosas graças a suas diversidades de belezas naturais e culturais. Os aventureiros e as pessoas interessadas em conhecer culturas diferentes adoram este destino, regado a trilhas, passeio de balsa pelo Lago de Irapé, rapel, e, até mesmo, visitas a comunidades e prédios antigos que retratam séculos de história.


Os diversos rios que formam o Lago de Irapé encantam com suas águas cristalinas e variedade de canyons com corredeiras que permitem a prática de rafting e ainda é cercado de uma vegetação de cerrado exuberante.


Fundada em 2007, a Associação Circuito Turístico Lago de Irapé é o orgão gestor do projeto de desenvolvimento turístico nos municípios de Grão Mogol, Berilo, Chapada do Norte, Cristália e Botumirim. Pretende atingir metas, objetivos e ações traçadas em prol do turismo e desmistificar o discurso de que as regiões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha apresentam somente pobreza e miséria. O potencial turístico dessas maravilhosas cidades, se transformou no projeto das prefeituras municipais para o desenvolvimento do turismo integrando cultura, meio ambiente, economia e território. A Associação desenvolve uma série de atividades, destaca-se na organização comunitária e no associativismo.


O Circuito tem participado de todas as ações da Secretaria Estadual de Turismo na qualidade de entidade associada desde a sua certificação em 30 de Novembro de 2007, no Clube o Garimpeiro da cidade de Grão Mogol -MG. Essa certificação do biênio 2009/2010 foi renovada em 04 de Abril de 2009 durante o 2º Salão Mineiro de Turismo que aconteceu no Minascentro em Belo Horizonte.O Circuito já elaborou os seus roteiros turísticos, está capacitando a mão-de-obra nas cidades e está divulgando seus atrativos naturais e histórico-culturais.

Os impactos desta participação foram importantíssimos na construção de um projeto de desenvolvimento regional que pudesse equilibrar o turismo, a economia, a cultura local e o meio ambiente, com suas paisagens e sua população, com seus interesses individuais e coletivos.


Como produto desta participação, surgiu a necessidade de efetivar o plano anual de ações integradas para o desenvolvimento do Circuito Turístico Lago de Irapé para direcionar e executar projetos, pesquisas e ações prioritárias, garantindo-se a existência de uma estrutura permanente de formação que atenda a região do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha. Assim, o papel do Circuito será de servir para executar as atividades dos planos anuais, destinados ao setor turístico, para a motivação das comunidades em participar do desenvolvimento das ações de projeto comum, trocando experiências nos diversos campos, de forma colaborativa e de parceria institucional com os demais.

Sede do Circuito: Praça Coronel Janjão, 35 - Centro - Grão Mogol / MG
                               CEP: 39.570-000 - Tels: (38) 3238-1208/3238-1245



Vídeos do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=_SMDDGgkl-s
Fotos: http://www.irape.com.br/fotos/index.asp

domingo, 23 de março de 2014

USINA NO VALE DO JEQUITINHONHA ESTÁ COM 73% DE CAPACIDADE MESMO COM A FALTA DE CHUVA

Hidrelétrica está localizada em uma região historicamente castigada pela seca. 

A Usina Hidrelétrica de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, numa das regiões mais pobres do país e historicamente castigada pela seca, vive uma situação curiosa: o seu reservatório está com 73% da sua capacidade, enquanto os reservatórios de outras usinas, instaladas em regiões prósperas e que normalmente não sofrem problemas climáticos, estão com menos de 30% da capacidade, devido à falta de chuvas, o que impõe o risco de um novo “apagão” no sistema elétrico nacional. 


“O atual nível atual do reservatório de Irapé é garantia de que a usina vai continuar gerando energia durante todo o ano, sem os riscos de redução verificados em outras usinas”, avalia o superintendente de Sustentabilidade Empresarial da Cemig, Luiz Augusto Barcellos Almeida. A hidrelétrica está operando com a capacidade máxima de suas três turbinas: 360 MW – o suficiente para atender uma cidade de 1 milhão de habitantes.

Última grande usina instalada no estado pela Cemig, com investimento de R$ 1 bilhão, Irapé foi inaugurada em junho de 2006, quase cinco anos depois de o país conviver com o racionamento de energia. Embora a energia gerada no Vale do Jequitinhonha ingresse no Sistema Interligado Nacional, sua instalação na região garantiu disponibilidade do insumo para o Norte de Minas e a área onde está instalada, antes desprovida de linhas de transmissão.

A reportagem do Estado de Minas visitou Irapé e acompanhou todo o processo de operação da usina. A barragem tem 206 metros de altura e é a mais alta da América Latina. A água que sai do reservatório passa por um túnel cravado na rocha antes de movimentar as turbinas da casa de força para novamente cair no Rio Jequitinhonha e regularizar a vazão do manancial.

O supervisor da Usina de Irapé, Alberto Abreu, explica que o reservatório da hidrelétrica está parcialmente cheio devido às fortes chuvas registradas na região durante todo mês de dezembro. O reservatório chegou a sua capacidade máxima e verteu água no dia 26 daquele mês. Com isso, mesmo com o veranico dos últimos meses, continua com o nível elevado. Para se ter uma ideia da situação “confortável” de Irapé, o seu nível do seu reservatório (73%) é mais de três vezes superior ao atual nível do reservatório da Usina de Três Marias, que está com apenas 19% de sua capacidade. A quantidade de água acumulada na usina do Rio Jequitinhonha também é superior ao volume de água do reservatório no mesmo período de 2013 (56%).

Na operação da usina de Irapé trabalham apenas 15 empregados da Cemig, fora outros 22 trabalhadores terceirizados. “O número de funcionários é relativamente pequeno porque todo o processo é automatizado”, explica Abreu.

Via Estado de Minas 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CONHEÇA A USINA DE IRAPÉ, A MAIS ALTA DO BRASIL

DESAFIOS DE ENGENHARIA

A Usina Irapé representou uma das mais difíceis obras de engenharia realizadas no País. Tecnicamente, o projeto era complexo e arrojado por combinar características físicas e geológicas adversas com prazo de execução curto, inicialmente, de 40 meses.

Municípios atingidos pela Barragem de Irapé
O consórcio construtor, liderado pela Andrade Gutierrez, com participação da Odebrecht e Voith Siemens, ergueu a mais alta barragem do Brasil, com 208 metros de altura, o equivalente a três prédios de 70 andares.

A obra foi desafiadora, pois o rio, no local do empreendimento, possui um cânion profundo e sem acesso, o que complicou toda a logística de construção. Nessas condições, foi feito um grande movimento de escavações e aterro de solo e rocha, da ordem de 9 milhões de m³ de escavações e 10 milhões de m³ de aterro, além de perfurações de cerca de 9 km de túneis.

Os técnicos também se empenharam na construção de um vertedouro incomum: em vez de calha a céu aberto, ele foi construído dentro de três túneis escavados na rocha, cada um com mais de 600 metros de extensão.

Histórico: 43 anos entre planejamento e execução

1963 - Levantamento do potencial do Rio Jequitinhonha
1984 - Revisão dos dados
1998 - Cemig vence licitação de concessão de implantação realizada pela Aneel
2000 - Cemig assina contrato de concessão
2002 - Início das obras civis
2003 - Desvio do Rio Jequitinhonha e início da construção da barragem
2005 - Início do enchimento do reservatório
2006 - Inauguração e início da operação comercial
Características técnica
  • Município: Grão Mogol (casa de força) 
  • Localização: Rio Jequitinhonha, 2 km abaixo da foz do Rio Itacambiruçu, na divisa dos municípios de Berilo e Grão Mogol, no Alto Jequitinhonha 
  • Potência instalada: 360 MW inicial, com máquinas projetadas para alcançar 390 MW, energia suficiente para atender a população de uma cidade de 1 milhão de habitantes (3 cidades do porte de Montes Claros) 
  • Altura da barragem: 208 metros, a mais alta do Brasil e a segunda mais alta da América Latina 
  • Área do reservatório: 137 km² 
  • Início de construção: setembro de 2002 
  • Entrada em operação: julho de 2006
INVESTIMENTOS E BENEFÍCIOS

Marco para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha, a Usina Irapé representou um investimento da ordem de R$ 1 bilhão, com aporte de cerca de R$ 120 milhões pelo Governo Estadual.

Usina de Irapé: A mais alta do Brasil
A construção da usina gerou cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos e possibilitou também a dinamização da economia local e regional, devido ao aumento da demanda por bens e serviços. No seu pico de construção, no final de 2004, a obra empregou 3,7 mil pessoas, entre engenheiros, operadores de máquina, mecânicos, operários de construção e montagem, pedreiros, serventes, técnicos diversos e motoristas.

Em torno de Irapé, também houve uma grande movimentação em prestação de serviços nos setores do comércio, hotelaria, transporte e outros.

Benefícios

Além do impacto positivo na criação de empregos, a usina permite aumentar a disponibilidade e a qualidade da energia elétrica na região e propicia condições para a atração de novos investimentos em atividades sociais, comerciais, rurais e industriais.


Outro benefício está relacionado à geração de receita, por meio do pagamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Hídricos para Fins de Geração de Energia Elétrica aos municípios de sua área de abrangência.
Durante a obra, houve aumento da arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) para os municípios onde foram instalados o canteiro de obras da usina e outras atividades contratadas pela Cemig, como a infraestrutura dos reassentamentos.

O reservatório de 137 km² permite potencializar a vocação turística da região, criando uma área de lazer para a população. Além disso, o barramento de Irapé regularizou a vazão do Rio Jequitinhonha a jusante, fato que poderá ser utilizado para incrementar o abastecimento de água para os municípios próximos de sua margem. Significa, ainda, nova opção de travessia do Rio Jequitinhonha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um rio, uma cidade e um povo: Coronel na Luta contra os Impactos Ambientais no Rio Jequitinhonha


Por Eric Renan Ramalho

O RIO DAS MINHAS MANHAS
As mulheres tingidas da cor morena…
Ungidas de sal e de sol do suor
Desfilam por estreitos caminhos
Levando raminhos e cheiro de flor.
Umas carregam latas, talhas…
Vasilhas vazias ou cheias de dor.
Outras: bacias, tachos, troixas de roupas batidas.
E surradas na lida do seu amo e amor.
E assim o meu rio as recebe
E oferece água de alvejar
E lajedo quarador.
As cantigas ressoam fugazes.
Ao debulhar dos panos
Costuram-se prosas, rezas, risos e dor.
Joaquim Celso Freire*

A última “cheia” do rio Jequitinhonha trouxe uma boa nova para os moradores da cidade de Coronel Murta: a praia que havia sido levada bela hidrelétrica está de volta! Aproveitando esse ensejo, e dada a importância que a gestão rio Jequitinhonha assume para a manutenção da vida no município de Coronel Murta, essa postagem visa apresentar o quadro local da situação, destacando o ambíguo sentimento de euforia e apreensão que a comunidade local vivência em função do reaparecimento da praia no rio Jequitinhonha em consequência da enchente deste último verão.

Imagem do Rio Jequitinhonha, com o 
Morro do Frade ao Fundo (Foto: Thiago Alves)


Situada às margens do Rio Jequitinhonha, Coronel Murta é cercada por uma extensa cadeia de serras altaneiras que, além de proporcionar belas paisagens, favorecem prática de esportes radicais. Além das Serras, a praia do rio Jequitinhonha atrai inúmeros banhistas de toda a região. Não são raras as vezes que moradores de cidades circunvizinhas visitam o município a fim de desfrutarem deste rico e belo patrimônio ambiental e fonte de lazer do qual a cidade dispõe. Essa praia também poderia ser aproveitada na prática de esportes radicais, como canoagem. Infelizmente a instabilidade na vazão do rio, decorrente da construção da Usina Hidrelétrica de Irapé, dificulta a prática de esportes coletivos, como Futebol, Vôlei e similares. Segundo matéria do Jornal Gazeta de Araçuaí, replicada nesse blog, essa riqueza natural propiciou a transformação da cidade em um importante pólo para o Eco-Turismo.

Além de atrativo turístico, as águas dos Jequitinhonha são de importância basilar para a manutenção do município, pois a cidade se serve do rio como única fonte de abastecimento, e em diversas comunidades rurais o rio cumpre o importante papel de determinação natural da produção e reprodução da vida, conforme demonstra Laschefski e Zouri em comentário sobre comunidades ribeirinhas atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica IRAPÉ.

 As comunidades ribeirinhas se apropriam da natureza através de relações sociais baseadas no modo de produção artesanal, agricultura familiar, nos vínculos de parentesco e pertencimento ao território e nos valores fundados nessa interação com o meio ambiente. Elas entendem que a noção predominante de desenvolvimento não está associada ao seu intercâmbio com o Jequitinhonha; prezam pelos vínculos sociais e afetivos, produzindo os seus recursos ao longo de uma história de relações com a natureza. Segundo Laschefski e Zouri, o fato de as comunidades ribeirinhas não concordarem com o modelo de desenvolvimento imposto pelo grande capital não significa que elas não tenham sua própria noção. Em vez disse a rejeição

 aos projetos desenvolvimentistas não significa o desejo de estagnação ou de permanência em uma espécie de passado contínuo. Ao contrário, querem participar e produzir o desenvolvimento da região, mas com base nas condições locais, moldando o seu próprio destino [3].

Entretanto, ao julgo dos interesses de desenvolvimento vigente nos grandes centros esse modelo popular é bucólico, “romântico”, idealista e ineficiente. Pois não articula os mesmos empreendimentos econômicos empregados nas capitais. Para essa visão de mundo a agricultura familiar deveria ser substituída pela monocultura e a produção artesanal pela indústria pesada e de alta tecnologia.

Seguindo essa noção de desenvolvimento alguns investimentos foram empregados no Vale do Jequitinhonha.  Durante o período militar, época do chamado ‘milagre econômico brasileiro’, o governo investiu na monocultura de eucalipto substituindo o cerrado, sob alegações de que esse tipo de vegetação não era economicamente rentável. Nesse mesmo período se intensificou a mineração no Brasil. No vale do Jequitinhonha era vivenciado o rescaldo da extração de ouro e Diamante por via da mineração predatória que, como se sabe, revirava a areia do rio em busca de riquezas.Para a região ficou apenas os impactos ambientais como marcas fulcrais de um padrão de desenvolvimento que prescindiu da organicidade da vida que nela se desenvolveu.

Na década de oitenta o Jequitinhonha agonizava, vítima do assoreamento progressivo ao longo de toda a sua extensão em decorrência da ação humana. Ainda ativas no alto curso do rio, além de provocarem o assoreamento, as dragas também poluíam as águas com mercúrio, um metal pesado e altamente tóxico utilizado no processo de extração do ouro (veja no Blog do Banu, matéria sobre o uso de mercúrio na garimpagem do ouro[4]).

Palco do Festival Ecológico Realizado em 1987. No centro da Foto, Saulo Murta (Saulinho) um dos organizadores do Evento

Em Coronel Murta os impactos foram sentidos e em resposta o município organizou o FESTIVAL ECOLÓGICO, que aconteceu às margens do rio Jequitinhonha em 1985, 86 e 87. Ao lado de outros eventos culturais do Vale, esse FESTIVAL foi citado durante um debate realizado no 29º FESTIVALE como um dos importantes espaços para se pensar a realidade da região, que infelizmente por falta de interesse político e/ou subserviência às “culturas da moda” foram impedidos de continuar a ser realizados ou perderam a envolvimento com as questões sociais [5].

Agora que as dragas já não existem mais, e passados os piores anos dos impactos decorrentes da mineração, nenhuma política ambiental na tentativa de revitalizar o Jequitinhonha foi realizada. Não bastasse isso, novamente interesses do grande capital se interpõem entre o curso natural do rio, interferindo nas relações socioculturais historicamente estabelecidas nesses quatro séculos de povoamento da região.

Em 1997 foi concedida licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica IRAPÉ (UHE-IRAPÉ), inaugurada em 2006 pela CEMIG [6]. Concebida como uma promessa de desenvolvimento para a região, esse empreendimento revelou-se um verdadeiro engodo – aliás, trata-se apenas de mais uma das muitas promessas vãs que o Vale do Jequitinhonha ouviu da boca dos políticos.

Com potencial para gerar 360 Megawatts de energia, até o presente momento a UHE Irapé em nada beneficiou as comunidades atingidas por ela. A energia produzida no vale é utilizada no abastecimento de grandes indústrias instaladas nos grandes centros. Além disso, várias comunidades ribeirinhas, cuja subsistência está associada ao ciclo de enchentes do rio, sofreram impactos em sua economia, conforme denuncia o Documentário “Os Atingidos de Irapé” (clique no link para ver o Trailer [7]).

Em coronel Murta, novamente foram sentidos os impactos das alterações ambientais no rio Jequitinhonha, uma vez que suas relações sociais nutrem um intimo elo com o ele. Algumas comunidades rurais dependem de suas águas para a agricultura familiar, o garimpo artesanal, a irrigação do plantio nas vazantes e das hortaliças nos quintais de casa. Na cidade, por sua vez, o Jequitinhonha é fonte de lazer, além do já mencionado abastecimento da cidade com água potável.

Depois da construção da UHE a vazão do rio aumentou consideravelmente e a praia, tida como potencial atrativo turístico e principal fonte natural de lazer da cidade desapareceu paulatinamente, prejudicando o município econômica e socialmente. As poucas porções de areia que restaram logo foram tomadas pela vegetação, tornando-se impróprias para o lazer. Obviamente, há que se considerar que o aumento da vazão constituiu um ganho para o rio, pois suas águas ganharam novo fôlego e o Jequitinhonha novo alento. Entretanto, se a preocupação girasse em torno da perenidade do rio Jequitinhonha deveriam ser empregados recursos na revitalização de seus afluentes, a preservação de nascentes de córregos e ribeirões. Como se sabe nada disso foi empreendido, indicando claramente que os interesses e os beneficiados são outros e de outras regiões.

A despeito de todos os impactos decorrentes da expropriação dos recursos naturais, as últimas chuvas trouxeram grande volume de água ao rio e com elas a antiga praia de Coronel Murta está de volta. O rio devolveu aquilo que os interesses estrangeiros levaram. Em todos os cantos da antiga Itaporé [7] pode ser sentida a euforia com a possibilidade de, depois de alguns anos, novamente acontecer um Carnaval com praia. Se isso de fato ocorrer, a cidade receberá muitos turistas que fomentaram a economia local, e a população terá ampliados os seus momentos de lazer. Porém, convive com essa euforia o medo de as expectativas serem frustradas, pois a vazão do rio se altera de acordo com as necessidades da UHE e a qualquer momento o rio pode subir, alagando a praia novamente e, talvez, levando-a definitvamente.

População de Coronel Murta protesta: CEMIG/IRAPÉ não acabem novamente com a praia em ITaporé

Ao longo deste artigo tentei demonstrar, ainda que de forma implícita, que o rio Jequitinhonha não é apenas um patrimônio ou um bem imaterial, mas uma categoria social profundamente enraizada na produção da vida e reprodução social no vale do Jequitinhonha. Inseridas neste gradiente teórico-prático as relações sociais estabelecidas entre a população de coronel Murta e o rio Jequitinhonha, bem como os impactos ambientais, carecem de ser amplamente discutidas a fim de vislumbrar políticas de preservação, bem como, conferir poderes de gestão de suas águas ao povo que delas depende.

Assim sendo, gostaria de chamar atenção da população local e circunvizinha para a necessidade de começarmos um amplo e profundo debate sobre a importância do Rio Jequitinhonha, e do meio ambiente como um todo, para a reprodução social do vale. Em coronel murta, apesar da euforia, até agora não se vê tentativas de mobilizar a população nesse sentido.  Apenas uma tímida tentativa de encampar um protesto via Facebook é o que vi de mais relevante em termos de discussão. Ainda no Facebook um grupo de discussões viceja a possibilidade de realizar um quarto Festival Ecológico, a fim de reviver aqueles da década de oitenta, porém, ainda sem colocar em pauta as questões ambientais e sociais. Ora, não seria esse o momento certo para as instituições competentes, prefeitura, vereadores, igrejas, católica e protestantes, e a sociedade civil se mobilizarem no esforço de insuflar ânimo a essas causas?

*Eric Renan Ramalho é natural de Coronel Murta, graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Coordenador da Associação de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha (ADVJ), Colaborador do movimento “A UFVJM É NOSSA!” e Administrador do Blog Onhas.

** O Poema o ‘Rio das minhas Manhãs’ foi gentilmente cedido pelo seu autor, o escritor natural de Coronel Murta, Joaquim Celso Freire, e será publicado em uma antologia prevista para maio de 2012.

Veja a matéria completa CLICANDO AQUI

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MINAS NOVAS: PROFESSOR DE GEOGRAFIA TEM ARTIGO SOBRE IRAPÉ PUBLICADO NO “VISÕES DO VALE”


Paulo Sérgio, natural de Minas Novas, tem importante artigo publicado no “Visões do Vale” no portal do Pólo Jequitinhonha (UFMG-UFVJM).

O professor de geografia Paulo Sérgio Ferreira Costa, natural da comunidade de Ribeirão dos Santos, Minas Novas-MG, iniciou seus estudos na comunidade rural onde nasceu, e, pela falta do ensino médio na sua comunidade, foi pra Minas Novas cursar o ensino Médio na Escola Estadual Dr. Agostinho, onde se interessou pela Geografia e decidiu prosseguir carreira naquela área.

Com o sonho em mente, foi para a capital mineira no ano de 2003, onde prestou vestibular para Geografia na PUC- Minas. Começou o curso em 2004, e, com muita dificuldade, conseguiu uma bolsa de estudos da própria Universidade, já que naquela época ainda não existia o Prouni.

O artigo escrito por Paulo Sérgio foi publicado no Pólo Jequitinhonha, projeto de extensão da UFMG em parceria com a UFVJM aborda os impactos socioculturais provocados pela UHE de Irapé. O artigo resultou, ainda, na monografia de conclusão de curso.

Apaixonado pelo Vale do Jequitinhonha como é, sempre teve interesse em desenvolver um projeto voltado para esta região. Assim, no 7º período do curso, ano da inauguração da UHE de Irapé, surgiu a idéia de fazer uma pesquisa sobre os impactos sociais provocados pela Hidrelétrica. Logo, montou um grupo de pesquisa, juntamente com colegas do curso, e partimos pro Vale do Jequitinhonha.

Sobre a viagem, destaca Costa “Foi uma experiência muito positiva e muito gratificante pra mim. Graças a Deus tiramos nota máxima na Monografia”.

Após, resolveu escrever um artigo baseado na monografia. Tal artigo foi apresentado no seminário VISÕES DO VALE, promovido pela UFMG em parceria com a UFVJM. O mesmo foi publicado no site do Pólo Jequitinhonha.

Concluído o sonho em se formar em geografia em 2008, desde 2009 atua como professor na rede pública estadual, tendo lecionado em Betim, Contagem e Belo Horizonte. Em Belo Horizonte, já lecionou em renomadas escolas, como o Colégio Estadual Central e no Instituto de Educação de Minas Gerais. Atualmente leciona na Escola Estadual Silviano Brandão, em Belo Horizonte.

Dando continuidade aos estudos, Costa está terminando a Pós-graduação em Engenharia Ambiental na Faculdade de Engenharia de Minas Gerais – FEAMIG, onde desenvolve um projeto de monografia de conclusão do curso sobre o Rio Capivari, município de Minas Novas. 

Para consultar a monografia de Paulo Sérgio sobre os Impactos socioculturais da Usina de Irapé Clique Aqui

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

PREFEITURA DE BERILO FECHA AS PORTAS POR 30 DIAS DEVIDO A DÍVIDAS


Situação caótica: dívidas de R$ 2 milhões de precatórios, R$ 3 milhões de INSS e cerca de R$ 900 mil de restos a pagar.

O jovem prefeito de Berilo, Higor Maciel Coelho, enfrenta grande desafio de organizar a casa para poder administrar. 
O prefeito de Berilo, Higor Maciel Coelho, do PSDB, baixou decreto, fechando a Prefeitura Municipal por 30 dias. Nos dois primeiros dias de administração, foi constatada uma situação caótica das finanças públicas.

Segundo o prefeito, somente de dívida são cerca de R$ 2 milhões de precatórios; R$ 3 milhões de INSS, R$ 900 mil de restos a pagar, R$ 700 mil do Programa SOMMA.

“ No cofre, não há 01 centavo”, declarou estarrecido.
“Do jeito que está fica difícil de administrar. Vou fechar por 30 dias e explicar as razões para a população que está entendendo a nossa decisão”, disse Higor.
“Somente os serviços essenciais básicos como o de saúde e limpeza urbana que estarão funcionando normalmente”, afirmou.

Higor informou ao Blog do Banu que os salários de dezembro não foram pagos. A folha de pagamento de pessoal está em torno de R$ 170 mil. Há cerca de 218 servidores efetivos e 108 contratados, na folha do mês anterior. Durante as eleições eram muito mais, cerca de 500 funcionários, disse o prefeito. Higor informou que um dos compromissos é pagar em dia os servidores e garantir todos seus direitos.

Ele reclamou que os leilões realizados pela administração anterior venderam máquinas, automóveis e tratores, nos meses de novembro e dezembro. Foram arrecadados cerca de R$ 134 mil. Porém, os recursos deveriam ser aplicados com a aquisição de outros equipamentos novos.

“O que houve foi a quitação de dívidas com empreiteiras de calçamento de ruas, o que não é permitido por lei”, disse o prefeito. Ele lembra que o Ministério Público tinha alertado para os fins destes recursos.

“E tem mais: somente neste 10 de janeiro, o INSS cobrará uma dívida de R$ 200 mil, segundo o ex-Secretário de Finanças, Moacir”, arrematou Higor.

Busca de recursos

O prefeito Higor Maciel garante que tudo fará para buscar outros recursos e cumprir todos os compromissos assumidos. Não fará contratos a não ser aqueles inadiáveis. Trabalhará apenas com os servidores efetivos, durante alguns meses.

Ele informou que lutará pelo direito de Berilo aos recursos do ICMS da Barragem de Irapé que tem ido apenas para o Grão Mogol.

A barragem de Irapé gera ICMS em torno de R$ 3 milhões para os municípios de Grão Mogol e Berilo, mas somente Grão Mogol tem sido beneficiado.

A lei garante a divisão do ICMS meio a meio em situações em que a Barragem de Usina para geração de energia elétrica está em rio que divide municípios, que é o caso do rio Jequitinhonha, entre Berilo e Grão Mogol.

Uma lei federal garante ao município onde está instalado a casa de máquinas o valor total do ICMS da Usina. Porém, há uma jurisprudência que garante aos dois municípios a divisão do bolo tributário. É o caso de Três Marias com o município de São Gonçalo do Abaeté, na Usina de Três Marias, no rio São Francisco.  A barragem está entre os dois municípios.

Porém, os gestores de Grão Mogol foram mais espertos e entraram na justiça, solicitando todo o bolo de ICMS gerado pela Usina Hidrelétrica de Irapé. Desde setembro de 2011, o município de Berilo não recebe um centavo deste ICMS. A prefeitura de Berilo entrou com recurso, mas ainda não obteve êxitos. O processo já está em Brasília.

O prefeito Higor Maciel diz que vai lutar para receber todo mês o que é de direito de Berilo, e ainda receber os atrasados recebidos ilegalmente por Grão Mogol, de outubro de 2011 ate agora.
                                            
A arrecadação do ICMS de Irapé gira em torno de R$ 280 mil/mês. Berilo teria direito a R$ 140 mil/mês ou R$ 1,68 milhão ano. Se a devolução de Grão Mogol acontecer, Berilo poderá obter cerca de mais de R$ 2,2 milhões de recursos extras que serão distribuídos pelo período que foi arrecadado por Grão Mogol.

Secretários e Coordenadores

O prefeito Higor Maciel informou ao Blog que já nomeou os titulares de algumas secretarias.

Secretaria de Saúde: Maria Aparecida Cunha (Cida de Walter)
Secretaria da Fazenda: Audrey Eleutério
Secretaria de Desenvolvimento Social: Rosa de Fátima Vieira (Rosa de Chinica)
Coordenação da Sub-prefeitura de Lelivéldia: vice-prefeito Adalberto Cunha (Beto de Valmir).

Em duas secretarias há dois responsáveis interinamente: Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Rural, Charles Amaral (Charlim de Vicente); e Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Sustentável, José Ilton Guido (Bonecão).
Faltam ainda a nomeação na Secretaria de Educação e Planejamento. A gestão possui 7 Secretarias e 17 Coordenações. 

Onde fica Berilo

Berilo é um município do Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, com 12.340 habitantes (IBGE, 2010), estando a 60 km de Araçuaí, 40 km de Minas Novas, 112 km de Capelinha, e 540 km Belo Horizonte.

Via Gazeta de Araçuaí, com alterações do Blog do Banu

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ADOLESCENTE DESAPARECIDO É ENCONTRADO MORTO NO LAGO DA USINA DE IRAPÉ EM BERILO-MG


Segundo o Corpo de Bombeiros de Diamantina, o corpo estava em avançado estado de decomposição e não foi possível esclarecer a causa da morte.

Corpo do jovem foi encontrado nas proximidades do
lago da Usina de Irapé em Berilo - Foto: Divulgação
O corpo de um adolescente de 16 anos, desaparecido desde a última sexta-feira (21/09), foi encontrado boiando no rio Jequitinhonha, no município de Berilo, próximo à Barragem de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, nesta quinta-feira (27/09).

Segundo o Corpo de Bombeiros de Diamantina, o corpo estava em avançado estado de decomposição e não foi possível esclarecer a causa da morte.

Conforme informações da Polícia Militar, após o sumiço do garoto familiares procuraram a polícia para registrar um boletim de ocorrência.

Um morador da região avistou o corpo boiando e chamou a PM, que pediu reforço aos bombeiros. Ainda de acordo com a PM, o jovem era conhecido na região por cometer pequenos furtos, no entanto, eles não acreditam que o menor tenha sido assassinado. A hipótese mais provável é que ele tenha caído no rio.

O corpo foi periciado e, em seguida, levado para o Instituto Médico Legal (IMl) da cidade de Capelinha.

Fonte: O Tempo, via Gazeta de Araçuaí

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

RANKING DAS 10 CIDADES MAIS RICAS DO VALE, CAPELINHA CAI PARA 4º, PEDRA AZUL E ALMENARA SOBEM


O IBGE divulgou no dia 11/12 os dados do PIB – Produto Interno Bruto dos 5.523 municípios brasileiros.

Os índices divulgados mostram que a produção de riqueza no Brasil continua concentrada nos grandes municípios como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e outros do interior do Brasil.

PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO

Arte: Portal Aranãs
Mas, um dado interessante é que os pequenos municípios cresceram nos últimos 7 anos, devido à desconcentração de investimentos e as políticas de distribuição de renda e de programas sociais do Governo Federal.

O Vale do Jequitinhonha e parte do Norte de Minas cresceu seu PIB em R$ 2,75 bilhões, no período de 2005 a 2010. A média de crescimento dos seus municípios ficou em torno de 86%.

O valor do PIB regional somou R$ 5,779 bilhões, no ano de 2010, na soma da produção econômica de 62 municípios. O valor do PIB, em 2005, estava em R$ 3,026 bilhões.

O município que mais cresceu foi Grão Mogol  no Norte de Minas, com 301,2%, devido à instalação da Usina de Irapé, no rio Jequitinhonha, em 2006. Serro, Itamarandiba, Bocaiúva e Turmalina também deram saltos na dinamização de suas economias.

O município que permaneceu com a economia estagnada foi Berilo com 5% de crescimento. O município perdeu os recursos da Barragem de Irapé para Grão Mogol, embora a disputa continue na justiça. Cachoeira do Pajeú e Santa Maria do Salto foram outros municípios com pouco crescimento.

Mudança no Ranking 

Em comparação com os dados divulgados em 2012, houve algumas mudanças no ranking, Diamantina se mantém na ponta, e Capelinha que estava em segundo, cai duas posições e está em quarto, é ultrapassada por Pedra Azul e Almenara, já Itamarandiba, Araçuaí, Itaobim e Minas Novas permaneceram nas mesmas posições, na 9ª posição aparece Medina que ocupa o lugar de Jequitinhonha que caiu para 10ª.

Os maiores PIB’s da região estão com Bocaiúva Norte de Minas com R$ 410 milhões, devido à instalação de indústrias. Diamantina já no Vale do Jequitinhonha conta com um PIB de R$ 355,5 milhões, crescendo com a instalação, em 2005, da sede da UFVJM- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri que possui orçamento de R$ 168 milhões, em 2012. Salinas e Pedra Azul ficam empatados com R$ 279 milhões e R$ 274 milhões, respectivamente.


Confira os dados de outros municípios do Vale, na tabela abaixo:
MUNICÍPIOS DO VALE DO JEQUITINHONHA e NORTE DE MINAS – MG

Arte: Portal Aranãs 
Fonte: Blog do Banu, adaptado pelo Portal Aranãs (com alterações)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EM LELIVÉLDIA, VIZINHOS DA HIDRELÉTRICA DE IRAPÉ CLAMAM POR ÁGUA

Apesar de estarem próximos da barragem, moradores convivem com o drama da seca.

Agricultores exigem da prefeitura e Copanor o atendimento do direito à água. Foto: Gazeta de Araçuai
Eles estão a pouco mais de 7 km da Hidrelétrica de Irapé, que retém em seu reservatório de 208 metros de altura, bilhões de metros cúbicos de água.

A fartura da vizinha famosa, considerada a segunda barragem mais alta do mundo, construída pela CEMIG, em nada contribui para amenizar o sofrimento das famílias de pequenos agricultores da Comunidade do Bonito, a 2 km do distrito de Lelivéldia, no município de Berilo (MG), no Vale do Jequitinhonha.

“Por aqui, a água já jorrou em abundância. Hoje é só tristeza e sequidão”, lembra o aposentado Geraldo Francisco da Costa, 82 anos.

“A cada ano que passa fica pior”, diz Laureano Alves Cardoso, 70 anos. Os dois fazem parte do grupo de pequenos agricultores que clamam por água.

A região é cercada pela maior floresta de eucalipto do planeta, erguida por grandes empresas de reflorestamento em terras devolutas do Estado. “ Acreditamos que o plantio de eucalipto foi responsável por secar as nossas nascentes”, dizem.
  
“Tivemos de vender o pouco do gado que existia para não ver as criações morrendo de sede e de fome. A seca acabou com tudo”, lamentam os moradores do lugar.

Dispostos a lutar pelo direito à água,  cerca de 12 famílias da Comunidade estão apelando para a prefeitura municipal e para a Copanor para resolver o problema. “ Estamos em estado de calamidade. A água que temos mal dá para o uso pessoal”, contam.

“Aqui não chega caminhão-pipa e se continuar como está, dentro de alguns dias, não teremos água nem para beber”, alertam os moradores que na semana passada realizaram uma reunião com o presidente da Câmara do município, Zezinho de Jamil, que recebeu um documento assinado por todos, pedindo uma solução urgente. O documento foi encaminhado ao prefeito de Berilo, Higor Maciel Coelho (PSDB).

Solução
  
A Comunidade do Bonito está há pouco mais de 2 quilômetros da Estação de Tratamento de Água da Copanor. Às margens da estrada que conduz ao lugar, o verde não mais existe e o pouco gado que sobreviveu, está magro e enfraquecido.

Na região do Vale do Jequitinhonha, dezenas de municípios já decretaram Estado de Emergência, por conta da pior seca dos últimos 40 anos que já devastou lavouras , secou córregos, barragens e riachos.
  
“O que queremos é que a prefeitura forneça os canos e a Copanor instale os hidrômetros para garantir água para todos”, pedem as famílias.
  
Localizado pela reportagem, o prefeito de Berilo disse por telefone que vai fornecer os canos necessários para a extensão da rede da Copanor até às casas das famílias. "Precisamos que elas ofereçam a mão de obra para abrir as valetas", disse o prefeito.

"Isso não é problema. Juntamos todo mundo e abrimos as valas", disseram os moradores.

Também por telefone, a direção da Copanor garantiu que vai acionar um técnico do escritório da cidade de Salinas para realizar o levantamento e elaborar um projeto para garantir o fornecimento da água na localidade.

“Esperamos que não seja mais uma promessa. Sabemos que existem recursos para atender o Vale do Jequitinhonha e vamos lutar por nossos direitos”, afirmam os pequenos agricultores.

Fonte: Gazeta de Araçuaí


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