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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VITÓRIA!!! UFVJM CRIA CAMPUS EM JANAÚBA, UNAI E EM MAIS TRÊS CIDADES DO VALE, A SEREM DEFINIDAS

O movimento “A UFVJM é nossa” saiu vitoriosa na reunião do CONSU, em Diamantina, na data de hoje (07/10/2011).

Consu da UFVJM
Em decisão por maioria, ficou aprovado a instalação imediata de dois campus, um em Unaí e outro em Janaúba, no norte de minas. Pelo que foi visto, a criação de pólos no norte era dada como certa, bastando, apenas, a aprovação pelo CONSU.
O Reitor Pedro Ângelo chegou a pedir a retirada dos representantes do Movimento "A UFVJM é NOSSA", interrompendo a reunião do CONSU. A atitude demonstrou autoritarismo. Após apelo do Movimento, bem como de Conselheiros da UFVJM voltou atrás da decisão.
Só que o movimento “A UFVJM é nossa” defendeu, com bravura, a expansão para o vale do Jequitinhonha, com a criação imediata de três pólos, no alto, baixo e médio Jequitinhonha, o que foi parcialmente acatado pelo CONSU, ou seja, o Conselho acatou também a proposta de incluir no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFVJM a implantação de mais três campi universitários em cidades do Vale do Jequitinhonha, tendo considerado, inclusive, a criação, em curto prazo, de um campus na cidade de Jequitinhonha, conforme as gestões que vêm sendo realizadas junto à Secretaria de Ensino Superior do MEC (SESu).

Participaram da reunião 30 conselheiros da UFVJM, além de caravanas das cidades do Vale do Jequitinhonha, como: Itaobim, Capelinha, Minas Novas, Pontos dos Volantes, Medina, Francisco Badaró, Jenipapo de Minas, Virgem da Lapa, dentre outras, além dos prefeitos de Janaúba, Jequitinhonha, Itaobim e Almenara. Participaram também estudantes e professores de Janaúba. O estranho foi a ausência de representantes da cidade de Unaí, que mesmo estando como certa a expansão a esta cidade, não mandou nenhum representante.

Dando inicio aos debates, o Reitor da UFVJM, Pedro Ângelo Almeida Abreu falou sobre a decisão de criação de Universidades e pólos em todo Brasil pela presidenta Dilma Rousseff, afirmando, ainda, que a decisão de criação de dois pólos (Janaúba e Unai) foi por parte do MEC e não da Universidade. Explicou ainda que foi o MEC quem ofereceu a expansão de pólos à UFVJM, e que, caso a mesma não acolhesse os pólos, o MEC iria repassar estes a outras universidades de Minas.

Após, o reitor disse que solicitou ao Secretario de Educação reunião reivindicando a expansão de outros pólos nas “capitais do vale”. Disse ainda que há encaminhamento para implantação que seria, em principio, em Jequitinhonha, por esta não possuir um IFET (Instituto Federal), como Araçuaí, por exemplo, além de Jequitinhonha estar em região estratégica, poderia ser possível ser implantado campus junto com Janaúba e Unaí.

O reitor continuou o discurso dizendo que os novos campus (Janaúba e Unai) terão, inicialmente, 07 cursos de graduação, com cerca de 140 professores. Porém, alertou que a criação dos campus não serão criados a “torque de caixa”, ou seja, não serão instalados sem um prédio próprio, sem estrutura para receber uma universidade.

Após, foi dada a palavra por somente dois minutos (o que gerou protestos) ao psicólogo Albano Silveira Machado, o popular Banu (Blog do Banu) de Berilo. O mesmo, com entusiasmo e conhecimento de causa, cobrou a implantação da campus não só em Janaúba e Unaí, mas também em mais três cidades do vale (médio, alto e baixo Jequitinhonha), sem a definição, ainda, das cidades que seriam contempladas. Requereu mais respeito com o povo do vale do Jequitinhonha. Citou a evolução na educação no governo do ex-presidente Lula, além de ter cobrado uma audiência pública para melhor debate da situação.
Álbano (Banu) reivindicando campus no Vale do Jequitinhonha
Em seguida, foi dada a palavra à enfermeira Maflávia Ferreira, de Itaobim, onde foi demonstrado ao CONSU um estudo para a implantação de campus no médio e baixo Jequitinhonha e que desde 2007 foi solicitado, através deste estudo, a expansão à Itaobim.


Após, uma das líderes do movimento “A UFVJM é nossa”, Maria do Rosário Sampaio, a Zara, de capelinha, representando o Movimento Mulheres Organizadas de Capelinha, cobrou explicação e respeito sobre os projetos já apresentados à Universidade. Cobrou ainda, com entusiasmo que lhe é peculiar, a implantação de pólos no Vale do Jequitinhonha.

Maria do Rosário (Zara Sampaio) reivindicou com
entusiasmo a expansão de campus dentro do Vale
Estudantes de Janaúba requereram a expansão a cidade por estarem em lugares estratégicos no norte de Minas.


Posteriormente, a estudante Aurizabete, de Itaobim, do movimento Vozes da Juventude, apesar de muito jovem, discursou com brilhantismo, requerendo mais respeito ao sofrido Vale do Jequitinhonha, além da implantação de pólos no Vale.

Estudante Aurizabete, de Itaobim, do Movimento Vozes da Juventude

Após, Hélio Souza, do Jornal A Cidade, de Capelinha, cobrou também a expansão à cidades do Vale, demonstrando as vantagens de se instalar o pólo em sua cidade, por diversos fatores.
Hélio Souza, do Jornal A Cidade, de Capelinha/MG
O reitor voltou a discursar dizendo que o movimento deveria cobrar a implantação de cursos junto ao MEC e não na universidade. Disse que a criação em Janaúba e Unai era fato consolidado.

Posteriormente, o vereador Pedro Paulo, de Itaobim, disse que esteve em 2007 requerendo a expansão à cidade de Itaobim, com um plano elaborado para tal.

O prefeito de Jequitinhonha, Roberto Botelho foi o único representante do vale que foi em contramão com a vontade de todos, tendo apoiado a criação de campus em Janaúba e Unaí e reiterou a fala do reitor dizendo que o movimento deveria cobrar junto ao MEC a expansão de campus. Falou ainda de uma visita do reitor à sua cidade, onde foi mostrado ao mesmo o terreno onde a universidade poderia abrigar seu campi.

Vereador Wilson Coelho, de Capelinha
O vereador de Capelinha, Wilson Coelho, reiterou a expansão da universidade para o vale. Demonstrou, ainda, as vantagens de se ter um campus em Capelinha. Cobrou uma pressão aos deputados federais e estaduais para a implantação de campus pelo MEC.
 O Dr. Jean Freire, de Itaobim, discordou do prefeito de Janaúba, que teria dito na ocasião que era melhor o vale dar o campus a Janaúba do que ficar sem. O suplente a deputado estadual pelo PT explanou que o vale precisa mais receber do que dar. Disse ainda, que não e contra a expansão à Janaúba e Unaí, mas que é de suma importância a expansão dentro do Vale. Requereu ainda dos conselheiros presentes que se juntem ao vale na luta pela expansão.

Houve manifestações contrarias a expansão por parte de alguns conselheiros, por entender que a universidade não consegue manter uma universidade (em Diamantina), o que dirá então se expandisse campus para outras cidades?

Outro diretor do CONSU requereu a inclusão no PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) 2011-2015, a inclusão de metas para que até 2015 a universidade crie 03 pólos no Vale do Jequitinhonha.

Dr. Jean Freire, de Itaobim, representou os interesse coletivo do Vale do Jequitinhonha
Após, foi realizada votação para a criação de pólos em Janaúba e Unaí, que foi aprovado por maioria.

Depois, foi aprovado também a inclusão no PDI que seja criado até 2015 a expansão de 03 pólos no médio, baixo e alto Jequitinhonha.

Comentário do Autor do Blog:

Durante toda a reunião do CONSU, ficou bem claro a intenção do reitor em expandir a universidade para as cidades de Janaúba e Unaí. Isto era questão de tempo. A pressão do movimento "A UFVJM é NOSSA" sobre os conselheiros surtiu efeitos positivos, pois foi incluído no PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) 2011-2015 a expansão ao baixo, médio e alto Jequitinhonha. O reitor, as vezes falando de forma autoritária, disse que "provavelmente" ocorra, de imediato, a criação de um campus em Jequitinhonha, juntamente com Janaúba e Unaí. 

O curioso é que Unaí, mesmo sem ter demonstrado nenhum interesse, até mesmo por não ter enviado nenhum representante à reunião, mereceu atenção especial, juntamente com Janaúba. O vale teve que se mostrar unido para que conselheiros fossem sensibilizados com a causa, o que surgiu efeito positivo.

O Dr. Jean Freire demonstrou ser um político "diferente" dos demais, por demonstrar clareza e nenhum apego político ou regional, defendendo sempre os interesse do Vale do Jequitinhonha.

Acredito que o Vale do Jequitinhonha deve ser lembrado, principalmente por parte do governo federal, não só para implantação de projetos sociais para o combate a pobreza, etc, (que é necessário), mas queremos educação para o Vale. Não podemos depender somente de "migalhas" por parte do governo. O VALE PRECISA DE EDUCAÇÃO!!!!

Texto e Fotos: Bernardo Vieira - Blog do Jequi

segunda-feira, 15 de julho de 2013

LISTA TEM 11 CIDADES DO VALE DO JEQUITINHONHA COM PRIORIDADE PARA RECEBER MÉDICOS

Municípios foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para receber médicos de acordo com falta de profissionais e grau de vulnerabilidade social, mas CRM mostra que carência é maior.


No pacote anunciado anteontem pela presidente Dilma Rousseff dentro do Programa Mais Médicos, Minas Gerais tem 78 cidades prioritárias para receber os profissionais da saúde. Mais da metade delas está no Norte de Minas (32) e Vale do Jequitinhonha (12), regiões mais carentes do estado. De acordo com o Ministério da Saúde, a lista de municípios foi elaborada com base na carência de profissionais de cada local e na vulnerabilidade social, mas, segundo estudo feito pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), a carência é muito maior. Conforme o Estado de Minas publicou domingo, 209 dos 853 municípios mineiros não têm médicos. Outros 148 (17,3%) contam com apenas um profissional. Em todo o país, as medidas vão abranger 1.557 cidades.

O Ministério da Saúde informou, no entanto, que a lista dos municípios prioritários não é definitiva e qualquer cidade pode se candidatar a receber médicos. Segundo dados do CRM, são 38.680 profissionais em Minas, com 1,97 médico para cada mil habitantes. A média nacional é de 1,83 médico para mil habitantes, na média. Também aparecem na lista cidades das regiões Central, Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Noroeste, Sul e Centro-Oeste do estado. Na Grande BH, Santa Luzia é um dos lugares citados. Anteontem, o EM mostrou que a prefeitura é a que oferece o salário mais alto da região (R$ 15.000) e, mesmo assim, tem vagas abertas para médicos.

A medida da presidente foi comemorada por prefeitos. Emerson Pinheiro Ruas, por exemplo, de Santo Antônio do Jacinto, no Jequitinhonha, disse que conseguiu contratar um médico oferecendo a ele R$ 23 mil. “Precisamos de pelo menos mais dois médicos e falta dinheiro para a contratação. Por isso, o programa vai ser bom para o município, que está a 820 quilômetros de BH, na divisa com a Bahia, onde os médicos não querem morar”, afirmou.

Recursos
A cidade de 12,1 mil habitantes, incluída na lista do Ministério da Saúde, tem cinco postos do Programa de Saúde da Família (PSF). Segundo o prefeito, para manter cada um deles, a prefeitura gasta em torno de R$ 30 mil por mês. “Desse montante, só recebemos R$ 10 mil, que ajudam no pagamento do médico, o resto temos que completar.” Mesmo otimista, o gestor critica. “Somente contratar médicos não resolve. É preciso que o governo faça um repasse que seja suficiente para pagar o salário integral do médico e nos envie recursos para pagar também dentista, enfermeiro e técnico de enfermagem.”

O prefeito Joel Ferreira Lima, de Ibiracatu, no Norte do estado, disse que a inclusão do município na lista do programa Mais Médicos alivia o que é hoje um peso nas finanças das prefeituras: o envio de moradores para fazer tratamentos e consultas em outras cidades. No local de 6,1 mil habitantes, o prefeito conta que, todos os dias, de 15 a 20 pessoas são levadas para Montes Claros, a 150 quilômetros de distância, e Brasília de Minas, a 70 km.

OS 11 MUNICÍPIOS DO VALE DO JEQUITINHONHA QUE VÃO GANHAR MÉDICOS

Cachoeira de Pajeú - Vale do Jequitinhonha
Comercinho - Vale do Jequitinhonha
Felício dos Santos - Vale do Jequitinhonha
Felisburgo - Vale do Jequitinhonha
Joaíma - Vale do Jequitinhonha
Monte Formoso - Vale do Jequitinhonha
Ouro Verde de Minas - Jequitinhonha
Padre Paraíso - Vale do Jequitinhonha
Ponto dos Volantes - Vale do Jequitinhonha
Santo Antônio do Jacinto - Vale do Jequitinhonha
Virgem da Lapa - Vale do Jequitinhonha

Fonte: Ministério da Saúde

Enfermeiros e dentistas na mira

As mudanças propostas pelo governo na formação médica podem ser estendidas a outras profissões da área da saúde. Um grupo formado no Conselho Nacional da Educação (CNE) discute alterações na grade curricular e a possível inclusão de um segundo ciclo acadêmico para estudantes de enfermagem, odontologia e nutrição, entre outros. Algumas entidades, como o Conselho Federal de Odontologia (CFO), também debatem alterações.

Na avaliação do conselheiro Amaury Angelo Gonzaga, do Conselho Federal de Enfermagem, caso ocorram alterações, elas serão muito bem-vindas. “É inadmissível que se faça uma formação para que o profissional fique longe da população. A atenção básica à saúde é o carro-chefe para o bom funcionamento de qualquer sistema de saúde.” Amaury defende que uma mudança nas outras profissões da saúde deve ser feita em breve. De acordo com o MEC, no entanto, a prioridade no momento é a regulamentação do segundo ciclo de formação em medicina.

CFM estuda ação na Justiça

Presidentes dos conselhos regionais de medicina de todo o país se reúnem hoje em Brasília para fechar um posicionamento da entidade quanto às mudanças nos cursos de medicina e ao Programa Mais Médicos. Até a semana que vem, o Conselho Federal de Medicina (CFM) deve definir qual caminho vai seguir para tentar barrar na Justiça as medidas anunciadas pelo governo federal. Um deles pode ser uma ação de inconstitucionalidade, questionando a legitimidade da obrigatoriedade de os alunos prestarem serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS) durante dois anos e defendendo a autonomia universitária como critério para a mudança curricular. O conselheiro do CFM Hermann von Tiesenhausen afirma que a proposta dos médicos, feita ao governo federal, envolve a realização de concurso público, criação de plano de cargos e salários, isonomia e estabilidade na profissão. A categoria questiona ainda a vinda de profissionais estrangeiros. “Queremos que cumpram as regras e as leis do país.”

Ministros se explicam 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi nessa terça-feira à Câmara pedir celeridade na tramitação da medida provisória (MP) do Programa Mais Médicos. Ele conversou com os presidentes deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele sustentou que a prioridade do governo é ocupar os postos de trabalho com brasileiros. “Tenho certeza absoluta que o Congresso Nacional vai ser sensível ao pedido da população, de quem vive na unidade de saúde que não tem médico, à necessidade dos prefeitos, dos governadores e, também, aos anseios dos médicos”, afirmou. Antes de ir à Câmara, Padilha participou de encontro com prefeitos junto com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. “Como disse o ex-ministro Adib Jatene, os médicos têm que ser especialistas em ser humano e não em equipamentos. Não é o Brasil que está inventando isso”, disse Mercadante. O ministro da Saúde segue hoje para Madri, na Espanha, onde se reúne com a ministra da Saúde, Ana Mota Adrover, para falar de intercâmbio de médicos e estudantes de medicina.


Via Estado de Minas

quarta-feira, 15 de maio de 2013

14ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha na UFMG teve 77 artesãos participantes

Feira envolveu 45 associações de 24 municípios do Vale.

A UFMG Campus Pampulha sediou de 6 a 11 de maio a 14ª Feira do Artesanato do Vale do Jequitinhonha. O evento reuniu 77 artesãos, de 45 associações, oriundas de 24 municípios do Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais. A coordenadora do evento, Terezinha Furiatti avaliou positivamente a Feira: "O retorno que tivemos dos artesãos é de que a Feira foi muito boa e de que eles venderam bem. O retorno que tivemos do público, é de que este ano a Feira estava mais bonita, os trabalhos estavam com uma qualidade melhor e mais criativos. E a experiência da troca dos artesãos com os alunos de graduação das Escolas de Belas Artes e de Teatro, nas oficinas, também foi extremamente positiva." 


A Feira é uma realização do Programa Saberes Plurais em Conexão, vinculado ao Programa de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha, da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG. O Programa possui dois eixos de atuação, os projetos Artesanato Cooperativo e Cartografias Culturais Transmidiáticas. O Saberes Plurais é responsável pela produção dos DVDs sobre os mestres artesãos do Vale do Jequitinhonha e pelo Museu Virtual, apresentados durante a Feira.

Para ver a cobertura completa da Feira visite o site do polo.


Dois mestres artesãos do Vale do Jequitinhonha foram homenageados durante a Feira: Lira Marques, de Araçuaí, ceramista conhecida por suas máscaras de barro e por suas pesquisas sobre etnias, e Antônio Luiz de Matos, de Minas Novas, tamborzeiro.

Lira agradeceu muito a homenagem e se disse honrada ao ser chamada de Mestra. “Quando recebi a carta e vi que estavam me chamando de Mestra e me convidando para esta homenagem eu ri demais, mas era de alegria mesmo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido pra mim”, afirmou a ceramista durante a homenagem. Já Antônio de Bastião, como é conhecido, fez questão de agradecer o esforço dos idealizadores da Feira: “Parabéns a esse povo que foi lá pros lados de Minas Novas me buscá pra tá aqui”.

Oficinas com os mestres artesãos


Os mestres artesãos ministraram algumas oficinas durante a Feira para alunos das Escolas de Belas Artes e de Teatro da UFMG, possibilitando, assim, a troca de conhecimento entre os mestres e a comunidade acadêmica. O mestre Antônio ministrou oficina de fabricação de tambores e falou sobre sua história e sobre a realidade do Vale para os alunos. A mestra Lira ensinou sobre cerâmica e compartilhou muitas das cantigas e danças do Vale que ela recolheu e categorizou em pesquisas junto ao Frei Chico, padre de origem holandesa que reside no Brasil desde 1967, e desenvolve trabalho no Vale.


Uma das apresentações culturais da Feira foi a Banda de Taquara de Santiago-Quilombo, formada por moradores de comunidades dos municípios de Minas Novas e Angelândia, no Vale do Jequitinhonha. O grupo existe há muitas décadas e sempre toca em festas tradicionais da região. A plateia pode conferir músicas instrumentais executadas com tambores, canudos (espécie de flauta), sanfona, entre outros instrumentos. A banda é uma das grandes representações da cultura popular da região do Jequitinhonha.




As cantigas e as rodas de dança mais tradicionais do Vale do Jequitinhonha foram apresentadas pelo Coral Trovadores do Vale, que se apresentou sob a direção do fundador do grupo, frei Francisco Van Der Poel, conhecido como Frei Chico. Segundo ele, o coral “canta o domínio público de sua própria região”. Os Trovadores do Vale surgiram em 1970, no município de Araçuaí, nordeste de Minas, com a proposta de valorizar o cotidiano, os costumes e as riquezas da cultura popular do Vale. O repertório do grupo inclui músicas religiosas, como cantos de excelência, penitência, louvor de anjos e benditos e danças de roda. As músicas são acompanhadas por sanfona, rabeca, viola, tamborzão, roncador, pirraça, pandeiro e caixa, além de sapateado de pés descalços.



O grupo Do canto ao (en)canto, formado por cinco artistas que também são professores e pesquisadores, foi um dos destaques da Feira. Durante a apresentação, foram contadas duas histórias, acompanhadas pelo som produzido por meio de instrumentos não tão usuais: garrafas, latas, canos, entre outros. O grupo fez a plateia dançar “Periquito Maracanã” e convidou os mestres homenageados Lira Marques e Antônio de Bastião, cantora e tamborzeiro, respectivamente, para apresentar a música “Peneirei fubá”, uma das canções mais conhecidas do Vale do Jequitinhonha.



A Folia de Reis de Turmalina trouxe para a Feira de Artesanato prosa, versos e orações ao misturar, misturando fé e cultura ao relembrar a caminhada dos três reis magos em visita ao menino Jesus, na gruta de Belém. A tradição da Folia de Reis acontece todos os anos entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro.



Uma das atrações da Feira foi o estande com as fotografias da exposição Vale: vida, de Lori Figueró. O artista, nascido em Diamantina, retrata em suas imagens o cotidiano e as tradições do povo do Vale do Jequitinhonha por meio de fotografias de rezadores, parteiras e grupos culturais. Esta é uma forma de valorizar e resgatar a memória da cultura local. Além deste trabalho, Figueró também produz vídeos documentários na região do Médio Jequitinhonha e faz parte da organização da ONG Centro de Cultura Memorial do Vale.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação, Cultura e Meio Ambiente da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ÍCAROS DO VALE CONTA A “HISTÓRIA DE JOÃO BOA MORTE”


O Blog Onhas Conversou com Luciano Silveira, membro fundador e diretor da Companhia de Teatro Ícaros do Vale sobre a mais recente produção teatral do grupo, o espetáculo Terra: a história de João boa Morte, Cabra Marcado pra Morrer. 

*Por Por Eric Renan Ramalho, do excelente Blog Onhas

Terra: A História de João Boa Morte, Cabra Marcado pra 
Morrer - Foto do acervo pessoal de Luciano Silveira
Desde meados da década de setenta, quando passou a ser conhecido como “vale da miséria”, o Vale do Jequitinhonha trasladou uma história de luta para superar o anátema e construir uma simbologia positiva que estimulasse o seu desenvolvimento através de elementos inerentes a vida cotidiana da região. Na medida em que esse modelo de desenvolvimento é possível surgiram muitas associações, sindicatos, grupos culturais, movimentos religiosos, partidos políticos e, a partir de então, a exteriorização da vida na região encontrou na resistência o valor pretor de seu processo de reprodução social. Porém, não a resistência passiva, de quem suporta pesados fardos sem nunca protestar, mas a resistência ativa, de quem se sabendo oprimido e consciente dessa condição põe a luta coletiva como prioridade. 
Nos últimos dez anos o teatro foi quem mais ganhou força, com destaque para a Associação dos Grupos de Teatros do Vale do Jequitinhonha ( AGRUTEVAJE), a Rede de Coletivos de Teatros do Vale do Jequitinhonha (RCT) e os tantos grupos de Teatros, como o Vozes e o Ícaros do Vale. Por força e persistência desses grupos, que nasceram quase sempre sem apoio do poder público local, mas pela iniciativa de uma juventude de todas as idades que não deixou se abater pelo marasmo típico das cercanias para fazem das tripas coração e das ideias espírito, nasceu o Festival de Teatro do Vale do Jequitinhonha (FESTEJE), o Festival de Teatro de Araçuaí (FESTA), realizado pela primeira vez no ano passado, e o K-iau em Cena, além é claro, do garantido espaço no Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha ( FESTIVALE).
Aliás! A Companhia de Teatro ÍCAROS DO VALE está em cartaz com um novo espetáculo. Após encenar a história de Maria Lira Marque, artesã do Jequitinhonha, a companhia leva ao público o espetáculo “Terra – A História de João Boa Morte, Cabra Marcado para morrer”, baseado na obra homônima de Ferreira Gullar. Nessa história, o Ícaros retoma o mote de muitas discussões teóricas e práticas de acadêmicos e militantes de nosso país, e nem por isso superadas: a injustiça social e a reforma agrária, em face de uma realidade política marcada pela ingerência de um coronelismo atroz, figuram como enredo de uma trama simbólica, contestadora e em certa medida trágica. Ainda que não fosse da alçada dos idealizadores, qualquer semelhança com certas histórias que se houve pelo vale não é mera coincidência parecer – claro que guardadas as devidas proporções – são muitos os Joões Boa morte espalhadas por nossas bandas, assim como por todo o Brasil. Mas, como tenho dito, a nossa gente é de luta, companheiro. Então, João Boa morte, representa a um só tempo as almas ermas e lutadoras do Brasil e as almas igualmente ermas e lutadoras do vale, todas eivadas pela resistência. Não “arrepare”, caro leitor, na distinção que faço entre o Brasil e o vale, é por que aqui no vale nós somos cidadãos do Brasil, mas antes tivemos que ser sujeitos do Jequitinhonha. E antes da brasileiridade, nós vivemos a jequitinhonidade!
Nos próximos dias 11, 12 e 13 de Maio, o “Ícaros” marca presença nos palcos belohorizontinos. Na sexta, dia 11, o grupo se apresentará na praça de serviços da UFMG, encerrando a programação cultural da 13ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha E nos dias 12 e 13 se apresenta no palácio das Artes, com ingressos a 12 reais uma entrada inteira e seis reais a meia entrada. Aproveitando o ensejo conversei, por email, com Luciano Silveira, Historiador, ator, diretor e formador cultural, e membro fundador da Companhia Ícaros do Vale. Nessa prosa ela nos fala  sobre a história do Ícaros, a História de João Boa Morte e a importância do teatro para o vale de hoje em dia.
Espia a prosa aí e depois “cê” me fala o que achou!
Blog Onhas: Para iniciar a nossa conversa, gostaria que você apresentasse um pouco da história do ÍCAROS DO VALE. Quantos anos tem o grupo? Qual a origem de seus componentes e como eles chegaram ao teatro? Qual a linguagem vocês utilizam na montagem dos espetáculos?
Luciano: A Cia de Teatro Ícaros do Vale foi fundada em 1996 por um grupo de estudantes da cidade de Araçuaí, região do médio Jequitinhonha. Movidos pelo desejo de fazer um teatro que emergisse da cultura popular, mas cumprisse também seu papel social, os atores montaram seu primeiro trabalho baseado na literatura de cordel, resgatando cantigas populares, tradições religiosas e fazendo, claro, uma crítica irreverente aos costumes. O espetáculo resultante, “A Filha que Bateu na Mãe Sexta-Feira da Paixão e Virou Cachorra”, foi apresentado em diversas ruas e praças do Vale do Jequitinhonha e ajudou a desenvolver em seus atores uma dinâmica original de improviso, relação com o público, às músicas e as danças do Vale. Nestes dez anos de existência, a Cia manteve os objetivos originais de integrar a cultura e a realidade político-social do Vale em seus trabalhos. Manteve-se uma rotina de pesquisas musicais pela região, de montagem de textos originais e de integração da música e da dança nos espetáculos. Novos atores foram sendo integrados à companhia a partir de oficinas ministradas pelo diretor e fundador Luciano Silveira e o grupo procurou a colaboração de dramaturgos e outros diretores, buscando romper o isolamento do movimento teatral da região.
Apresentação da peça "Olhos Mansos", no
K-iau encena/2006 - Foto: Neilton Lima
Em 1998 a companhia montou “Os Olhos Mansos”, espetáculo remontado em 2003, baseado no universo de Guimarães Rosa. Em 2001, estreou o espetáculo “No Caroço do Juá”, baseado em crônicas cotidianas de jornais regionais. Em 2003, com dramaturgia de Fernando Limoeiro e baseada nas canções de Caymmi, nasceu “História de Pescadores”. No ano de comemoração de dez anos de existência, a Companhia convidou o diretor João das Neves para transformar em espetáculo a vida de Maria Lira Marques. O espetáculo “Maria Lira” representou um grande salto na história da Cia. Em 2008 o grupo monta seu primeiro monólogo com direção de Ribamar Ribeiro. O texto escolhido é A MAIS FORTE do dramaturgo irlandês August Stringberg. O intercâmbio com diretores e grupos de projeção nacional criou para a companhia novas perspectivas e ratificou seu compromisso com o teatro e a sociedade do Jequitinhonha. Em 2009 começamos a pesquisa do espetáculo TERRA.
O grupo tem hoje 15 anos. O Ícaros tornou-se uma referência na região pela forma como trabalha a cultura popular. — Desde que surgimos ainda alunos do ensino médio, pesquisamos junto à comunidade os possíveis espetáculos, para que através dessa pesquisa fossem surgindo peças feitas sobre nós e para nós. Assim o grupo foi criando corpo, e já estamos no sétimo trabalho, sempre variando entre teatro de rua e palco .
Blog Onhas: Atualmente vocês estão em cartaz com a peça “Terra – A História de João Boa Morte: Cabra Marcado pra Morrer”. Você pode apresentar em resumo um pouco dessa história ?
Luciano: O espetáculo mergulha nas fontes populares e iletradas da poesia, recuperando a tradição dos cantadores do Vale do Jequitinhonha, com seus poemas narrativos vazados em linguagem simples e apoiados em métrica e rima de forte apelo mnemônico.
 O espetáculo que também comemora o aniversário de 80 anos do poeta Ferreira Gullar e denuncia os 16 anos de impunidade da chacina de Eldorado dos Carajás, inclui músicas de domínio público, pois cumpre o objetivo de integrar a população das cidades com a companhia que no ano de 2011 completou 15 anos de atuação no teatro do Vale do Jequitinhonha. O espetáculo conta a história de um lavrador que reage à exploração do fazendeiro e, por esta razão, é condenado a vagar pelo sertão, pois não encontra ninguém que lhe dê emprego. Quando resolve matar a mulher, os filhos e a si próprio, encontra Chico Vaqueiro, que o conduz ás ligas camponesas. Num mundo configurado como palco de embate entre o bem e o mal, Gullar expressa o pensamento de intelectualidade do povo em denunciar as mazelas de seus governantes. Esse texto escrito por FERREIRA GULLAR entre os anos de 1962-1967 apresenta claramente a realidade político-social brasileira da época. A literatura de cordel vai servir de instrumento á causa revolucionária. Na montagem a companhia incorpora ainda textos e dados históricos, como o MST e poemas e textos de pessoas como JOSÉ SARAMAGO, PEDRO TIERRA, entre outros, acreditando que a atualização criteriosa das tradições artísticas é a única forma de salvaguardá-las e contribuir para desenvolvimento de nossa região. No espetáculo abordamos a luta de classes e organizações em defesa da vida, contra a ideologia dominante que tem mantido o Vale rural séculos de atraso em relação às conquistas sociais. A política da ditadura do boi refletindo profundamente sobre o êxodo rural na região.
Blog Onhas: Como foi o processo de pesquisa para elaboração do roteiro, construção dos personagens e confecção do figurino?
Luciano: Terra fala sobre reforma agrária, a luta pela terra por aqui e pelo país. Para isso visitamos assentamentos e recolhemos depoimentos. Normalmente os nossos espetáculos, principalmente de rua, tem participação do público, e neste usamos ainda mais esse recurso — acrescenta. O processo de montagem se deu através de uma pesquisa minuciosa sobre a luta pela terra no Brasil. O fio condutor é o texto JOÃO BOA MORTE de Ferreira Gullar. Os personagens foram surgindo através de exercícios de improvisação e de leituras dramáticas. O figurino remete à fartura, pois é todo cheio de grãos, dando a ideia que o homem é uma semente e que será um fruto da terra.
Blog Onhas: Os textos encenados pelo “Ícaros” sempre tiveram preocupação em incluir nas cenas elementos típicos da cultura do vale do Jequitinhonha, além de questionamentos sociais. Em que medida o espectador encontrará esses elementos figurando em “Terra”?
Luciano: Nosso teatro é politico ao mesmo tempo é uma maneira de denunciar as injustiças tão presentes neste país. A cultura popular do vale está nas roupas, nas músicas, pois não sabemos ser distantes disso que se chama cultura popular. Alimento que vamos regurgitando sem pretensões acadêmicas, mais com uma vontade danada de que as pessoas se reconheçam nos enredos que urdimos, nos cantos que entoamos. Como sabemos, “João Boa-Morte, cabra marcado pra morrer”, de 1962, nasceu a convite de Oduvaldo Vianna Filho e foi (mais ou menos) distribuído como folheto após não ter tido sucesso por meio da encenação teatral. Conta à história de um lavrador que era explorado por um fazendeiro para o qual trabalhava na Paraíba. Foi escrito com uma estrutura irregular nas estrofes, mas mantendo uma base de oitavas, rimadas aleatoriamente e em redondilhas maiores. No poema, podemos encontrar alguns excessos de militância e propaganda, como estes:
 Que a luta não esmorece
Agora que o camponês
Cansado de fazer prece
E de votar em burguês
Ergue-se contra a pobreza
E outra voz já não escuta,
Só a que o chama pra luta
– voz da Liga Camponesa.
Mas se, em alguns momentos, o poeta mais fala de revolução do que a faz dentro da arte que pratica, em outros, podemos achar exemplos de boa música nordestina e alguma ironia cabralina:
 Naquela terra querida,
Que era sua e que não era,
Onde sonhara com a vida
Mas nunca viver pudera,
Ia morrer sem comida
Aquele de cuja lida
Tanta comida nascera.
Terra: A História de João Boa Morte, Cabra Marcado
 pra Morrer - Foto: Vilmar Oliveira
O vocabulário é simples, para a compreensão do povo, e a narrativa cria a oposição entre o poder dos coronéis, donos das terras nordestinas, e o trabalhador dessas terras, que vive a penúria do dia-a-dia, sem perspectivas de melhorar sua condição de vida. O relato mostra a ausência de resultado positivo do trabalho para o trabalhador explorado e acompanha a disputa entre coronel e trabalhadores pelo preço dos produtos e pela liberdade de venda deles. Nessa disputa, o coronel usa seu poder de intimidação e mata, com seus jagunços, os que não se submetem. João Boa-Morte, dada sua condição de miserabilidade e o sofrimento da família, resolveu enfrentar o coronel Benedito conclamando os companheiros à reação. Mas o que lhe aconteceu foi perder o lugar onde trabalhava e ter que vagar com a família passando fome e não sendo aceito em lugar nenhum como represália por ter enfrentado o patrão. Em andanças e fome por longo período e distância, morreu o filho mais moço. João, em desespero e sozinho, pensou em matar o resto da família e depois se matar também. Quando estava para executar sua sina, Chico Vaqueiro o encontrou e o demoveu do crime, convencendo-o a lutar junto de companheiros da Liga Camponesa que organizavam a resistência contra os coronéis. O poema termina com a exortação de que, para mudar a situação, é preciso unir o camponês para realizar a revolução. Em essência, o poema resume a sina de muitos sertanejos posseiros de terras ou sem-terras que ousassem liderar qualquer movimento de mudança na relação com os coronéis para quem trabalhavam, que tratavam o homem livre em regime similar ao da passada escravidão.
O poema traduz o canto que conclama o povo à resistência contra a exploração de seu trabalho, não apresenta singularidades formais a não ser a simplicidade de versos populares, e nem é intenção ser diferente, pois quer ser o que é: denúncia. Não há especulação ou inovação formal nos versos, apenas integração do poeta com as agruras da vida rural de seu tempo e dos movimentos de conscientização levados ao campo pela organização comunista das Ligas Camponesas. O poeta está dizendo que não pode passar imune a essa realidade e que precisa não só compor a poesia da e para a elite na sua perseguição à inovação e renovação intelectual, mas também dizer do homem comum em linguagem comum, o sofrimento comum para comover e conquistar. É o poeta buscando comunicação fora de seu espaço característico e para isso precisa adequar sua palavra
 Blog Onhas: Ao longo de mais de 40 anos o Vale do Jequitinhonha tem lutado para superar o estigma de “Vale da Miséria”. Essa luta uma simbologia que hoje caracteriza a região como “Vale de Cultura”, para que isso acontecesse contribuíram muito nomes de Militantes como Tadeu Martins, George Abner, Aurélio Silby e demais colaboradores do Jornal Geraes. Também contribuíram músicos com certo renome nacional, como Rubinho do Vale, Paulinha Pedra Azul e Saulo Laranjeira e agora Déa Trancoso e Pedro Morais, só para citar alguns exemplos. Além desses os corais, com notoriedade para os Trovadores do Vale, As Lavadeiras de Almenara, e o artesanato representado por Lira Marques, Dona Isabel e Ulisses Mendes. O Teatro, aparentemente, não tem a mesma expressividade que os artistas citados, mas sabe-se que ele existe. Diante disso, gostaria que você destacasse qual o lugar do Teatro na construção dessa nova simbologia para o Vale do Jequitinhonha.
Luciano: O teatro no Vale do Jequitinhonha cresceu muito nos últimos 10 anos, sendo o destaque desta década. A forma como [os grupos] se organizam em coletivos e associações como AGRUTEVAJE (Associação dos grupos de teatro do Vale do Jequitinhonha) e RCT (Rede de Coletivos teatrais do Vale do Jequitinhonha), com o objetivo de fortalecer o teatro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; a RCT — Rede de Coletivos Teatrais – reúne grupos de teatro locais, a maioria com muitas dificuldades financeiras, para lutar em prol das artes cênicas na região. Entre os inimigos, além da falta de recursos para montar até um espetáculo simples, está a grande evasão de jovens, obrigados a deixar a região para estudar fora, já que não há cursos de teatro, dança ou música em todo o Vale, apesar do local ser conhecido em todo o país como de grande riqueza cultural.
 — A RCT se reuniu pela primeira vez em 2008, quando os grupos de teatro daqui, após o ÍCAROS DO VALE chegar da III Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo, sentiram a necessidade de se unir para fortalecer o nosso teatro. A proposta da rede é uma gestão de baixo para cima, ou seja, dos grupos para os grupos, onde os membros da diretoria recentemente formada nada mais são do que idealizadores, ponderadores e concretiza dores — fala Luciano Silveira, presidente a rede.
 — Todavia, as veredas são estreitas e íngremes, temos que caminhar de mãos dadas para não pisar em falso. O teatro, então, no VALE tem sido com certeza a área artística mais organizada atualmente na região e a principal responsável pela perpetuação e promoção de sua identidade local
 Blog Onhas: Para Finalizar, gostaria que você anotasse a agenda do Ícaros e os contatos de grupo.
 Luciano:
05 e 06 MAIO: Reunião da Rede de Coletivos Teatrais do Vale do Jequitinhonha-Capelinha
11 de Maio:TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer
Feira de artesanato da UFMG-Campus da Pampulha-BH
12 e 13 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer
Palácio das Artes-BH
18 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer
Semana de integração da UFVJM
Diamantina-MG
25 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer
Centenário da cidade Pedra Azul
08 de Junho: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer
I FESTTO (Festival de teatro de Teófilo-Otoni)
Contato
Luciano Silveira
(33)91392645
(33)3731-3553
Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho ampliado;

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Abaixo-Assinado. Povo do Vale se movimenta para ter Universidade perto de sua casa.


Um abaixo-assinado, proposto pelas redes sociais do Vale do Jequitinhonha, foi colocado no internet, nesta tarde de quarta-feira, 24.08.11.

É um protesto contra a criação de campus da UFVJM em cidades fora do Jequitinhonha e Mucuri.

Clique no endereço abaixo e assine e mostre que você deseja o desenvolvimento sustentável e humano para você, sua família, seus vizinhos, seu município e todo o Vale do Jequitinhonha.


Vá ao seguinte endereço e faça sua assinatura a esta luta de todos nós: Clique Aqui

sexta-feira, 26 de abril de 2013

PROFESSORA DA UFMG LANÇA DICIONÁRIO COM VERBETES DO VALE DO JEQUITINHONHA


Com mais de mil verbetes, o dicionário não se limita a dar o significado da palavra; ele contempla também todas as informações importantes à compreensão de cada verbete.
O Dicionário do dialeto rural no Vale do Jequitinhonha terá duas sessões de lançamento. Foto: divulgação
“Bom sem base é poder encontrar os amigos para um dedo de prosa. O candeeiro, o fifó ou a lamparina poderão alumiar e lhe mostrar o caminho.” Essa frase, composta de expressões comuns na cultura do Nordeste de Minas, exemplifica a variante linguística apresentada no Dicionário do dialeto rural no Vale do Jequitinhonha, que será lançado este mês no Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG.

A obra é resultado de estudo do vocabulário da língua falada na zona rural de municípios do Vale do Jequitinhonha, desenvolvido a partir da coleta de dados feita no período entre 1980 e 2000, sob a coordenação de Carolina Antunes, professora aposentada da Fale-Faculdade de Letras da UFMG.

Alguns verbetes foram recolhidos em conversas com a população rural, em mercados e feiras; outros, extraídos de estudos sobre o Vale.

Na tentativa de equilibrar a presença de todas as regiões do Jequitinhonha, foram necessários mais de dez anos para chegar ao produto final.

De acordo com Carolina Antunes, a pesquisa considerou também dicionários da língua portuguesa, um conjunto de glossários de outras regiões do país, além de pesquisas afins.

Com mais de mil verbetes, o dicionário não se limita a dar o significado da palavra; ele contempla também todas as informações importantes à compreensão de cada verbete: traz o léxico, apresenta em negrito a forma como é pronunciada no Vale do Jequitinhonha, informa se está ou não dicionarizado, se é datado e se há informação quanto à etimologia.

Outros sentidos

Segundo Carolina Antunes, nem sempre o sentido conferido ao verbete nas comunidades rurais do Vale do Jequitinhonha coincide com o registrado pelos dicionários da Língua Portuguesa, sem contar que também há muitos verbetes inéditos.

Em razão disso, para auxiliar na compreensão, todos os termos trazem algum exemplo concreto de uso, a partir das situações em que tais palavras e expressões foram empregadas nas comunidades.

“À preocupação de se registrar o uso efetivo do sistema linguístico nesse período e naquele local determinados subjaz o que se faz não só por gosto pessoal e interesse pela apreensão de saberes veiculados nas histórias locais e regionais, mas também, e principalmente, por acreditar na necessidade de que seja ampliada a visão de informações linguísticas e culturais da/na Língua Portuguesa com base na análise de uma variante linguística pouco considerada”, destaca a professora na apresentação da obra.

Cultura oral

O projeto está ligado às raízes e à trajetória acadêmica da autora, que saiu de Turmalina, cumpriu parte dos seus estudos em Diamantina e recebeu incentivo da Faculdade de Letras da UFMG – tanto durante a formação como na docência no ensino superior – para trabalhar com sua região de origem.

Na avaliação da professora, a obra interessa aos especialistas em linguagem, mas também a qualquer pessoa leiga, uma vez que se destina à leitura, à divulgação e ao diálogo. “Projetos como esse promovem a cultura oral do Vale do Jequitinhonha e valorizam os saberes verbais”, justifica Carolina Antunes.

Lançamento

O Dicionário do dialeto rural no Vale do Jequitinhonha terá duas sessões de lançamento. A primeira, no dia 30 de abril, às 17h, em Belo Horizonte, no Centro de Memória da Faculdade de Letras (2º andar, ao lado da biblioteca), no campus Pampulha.

O segundo evento está marcado para 8 de junho, também às 17h, em Diamantina, no Anfiteatro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, campus I.

Texto de Samuel Quintero, aluno do Curso de Comunicação da Fafich e bolsista do Suporte de Comunicação do Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha. Via Gazeta de Araçuaí


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