O Blog Onhas Conversou com Luciano Silveira, membro
fundador e diretor da Companhia de Teatro Ícaros do Vale sobre a mais recente
produção teatral do grupo, o espetáculo Terra: a história de João boa
Morte, Cabra Marcado pra Morrer.
*Por Por Eric Renan Ramalho, do excelente Blog Onhas
Terra: A História
de João Boa Morte, Cabra Marcado pra
Morrer - Foto do acervo pessoal de Luciano
Silveira
Desde
meados da década de setenta, quando passou a ser conhecido como “vale da
miséria”, o Vale do Jequitinhonha trasladou uma história de luta para superar o
anátema e construir uma simbologia positiva que estimulasse o seu
desenvolvimento através de elementos inerentes a vida cotidiana da região. Na
medida em que esse modelo de desenvolvimento é possível surgiram muitas
associações, sindicatos, grupos culturais, movimentos religiosos, partidos
políticos e, a partir de então, a exteriorização da vida na região encontrou na
resistência o valor pretor de seu processo de reprodução social. Porém, não a
resistência passiva, de quem suporta pesados fardos sem nunca protestar, mas a
resistência ativa, de quem se sabendo oprimido e consciente dessa condição põe
a luta coletiva como prioridade.
Nos últimos dez anos o teatro foi quem mais ganhou
força, com destaque para a Associação dos Grupos de Teatros do Vale do
Jequitinhonha ( AGRUTEVAJE), a Rede de Coletivos de Teatros do Vale do
Jequitinhonha (RCT) e os tantos grupos de Teatros, como o Vozes e o Ícaros do
Vale. Por força e persistência desses grupos, que nasceram quase sempre sem
apoio do poder público local, mas pela iniciativa de uma juventude de todas as
idades que não deixou se abater pelo marasmo típico das cercanias para fazem
das tripas coração e das ideias espírito, nasceu o Festival de Teatro do Vale
do Jequitinhonha (FESTEJE), o Festival de Teatro de Araçuaí (FESTA), realizado
pela primeira vez no ano passado, e o K-iau em Cena, além é claro, do garantido
espaço no Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha ( FESTIVALE).
Aliás!
A Companhia de Teatro ÍCAROS DO VALE está em cartaz com um novo espetáculo.
Após encenar a história de Maria Lira Marque, artesã do Jequitinhonha, a
companhia leva ao público o espetáculo “Terra – A História de João
Boa Morte, Cabra Marcado para morrer”,
baseado na obra homônima de Ferreira Gullar. Nessa história, o Ícaros retoma o
mote de muitas discussões teóricas e práticas de acadêmicos e militantes de
nosso país, e nem por isso superadas: a injustiça social e a reforma agrária,
em face de uma realidade política marcada pela ingerência de um coronelismo
atroz, figuram como enredo de uma trama simbólica, contestadora e em certa
medida trágica. Ainda que não fosse da alçada dos idealizadores, qualquer
semelhança com certas histórias que se houve pelo vale não é mera coincidência
parecer – claro que guardadas as devidas proporções – são muitos os Joões Boa
morte espalhadas por nossas bandas, assim como por todo o Brasil. Mas, como
tenho dito, a nossa gente é de luta, companheiro. Então, João Boa morte,
representa a um só tempo as almas ermas e lutadoras do Brasil e as almas
igualmente ermas e lutadoras do vale, todas eivadas pela resistência. Não
“arrepare”, caro leitor, na distinção que faço entre o Brasil e o vale, é por
que aqui no vale nós somos cidadãos do Brasil, mas antes tivemos que ser
sujeitos do Jequitinhonha. E antes da brasileiridade, nós vivemos a
jequitinhonidade!
Nos próximos dias 11, 12 e 13 de Maio, o “Ícaros” marca
presença nos palcos belohorizontinos. Na sexta, dia 11, o grupo se apresentará
na praça de serviços da UFMG, encerrando a programação cultural da 13ª Feira de
Artesanato do Vale do Jequitinhonha E nos dias 12 e 13 se apresenta no palácio
das Artes, com ingressos a 12 reais uma entrada inteira e seis reais a meia
entrada. Aproveitando o ensejo conversei, por email, com Luciano Silveira,
Historiador, ator, diretor e formador cultural, e membro fundador da Companhia
Ícaros do Vale. Nessa prosa ela nos fala sobre a história do Ícaros, a
História de João Boa Morte e a importância do teatro para o vale de hoje em
dia.
Espia a prosa aí e depois “cê” me fala o que achou!
Blog Onhas: Para iniciar a nossa conversa,
gostaria que você apresentasse um pouco da história do ÍCAROS DO VALE. Quantos
anos tem o grupo? Qual a origem de seus componentes e como eles chegaram ao
teatro? Qual a linguagem vocês utilizam na montagem dos espetáculos?
Luciano: A
Cia de Teatro Ícaros do Vale foi fundada em 1996 por um grupo de estudantes da
cidade de Araçuaí, região do médio Jequitinhonha. Movidos pelo desejo de fazer
um teatro que emergisse da cultura popular, mas cumprisse também seu papel
social, os atores montaram seu primeiro trabalho baseado na literatura de
cordel, resgatando cantigas populares, tradições religiosas e fazendo, claro,
uma crítica irreverente aos costumes. O espetáculo resultante, “A Filha que
Bateu na Mãe Sexta-Feira da Paixão e Virou Cachorra”, foi apresentado em
diversas ruas e praças do Vale do Jequitinhonha e ajudou a desenvolver em seus
atores uma dinâmica original de improviso, relação com o público, às músicas e
as danças do Vale. Nestes dez anos de existência, a Cia manteve os objetivos
originais de integrar a cultura e a realidade político-social do Vale em seus
trabalhos. Manteve-se uma rotina de pesquisas musicais pela região, de montagem
de textos originais e de integração da música e da dança nos espetáculos. Novos
atores foram sendo integrados à companhia a partir de oficinas ministradas pelo
diretor e fundador Luciano Silveira e o grupo procurou a colaboração de
dramaturgos e outros diretores, buscando romper o isolamento do movimento
teatral da região.
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Apresentação da peça "Olhos Mansos", no
K-iau encena/2006 - Foto: Neilton Lima
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Em 1998 a companhia montou “Os Olhos Mansos”,
espetáculo remontado em 2003, baseado no universo de Guimarães Rosa. Em 2001,
estreou o espetáculo “No Caroço do Juá”, baseado em crônicas cotidianas de
jornais regionais. Em 2003, com dramaturgia de Fernando Limoeiro e baseada nas
canções de Caymmi, nasceu “História de Pescadores”. No ano de comemoração de
dez anos de existência, a Companhia convidou o diretor João das Neves para
transformar em espetáculo a vida de Maria Lira Marques. O espetáculo “Maria
Lira” representou um grande salto na história da Cia. Em 2008 o grupo monta seu
primeiro monólogo com direção de Ribamar Ribeiro. O texto escolhido é A MAIS
FORTE do dramaturgo irlandês August Stringberg. O intercâmbio com diretores e
grupos de projeção nacional criou para a companhia novas perspectivas e
ratificou seu compromisso com o teatro e a sociedade do Jequitinhonha. Em 2009
começamos a pesquisa do espetáculo TERRA.
O grupo tem hoje 15 anos. O Ícaros tornou-se uma
referência na região pela forma como trabalha a cultura popular. — Desde que
surgimos ainda alunos do ensino médio, pesquisamos junto à comunidade os
possíveis espetáculos, para que através dessa pesquisa fossem surgindo peças
feitas sobre nós e para nós. Assim o grupo foi criando corpo, e já estamos no
sétimo trabalho, sempre variando entre teatro de rua e palco .
Blog Onhas: Atualmente vocês estão em cartaz
com a peça “Terra – A História de João Boa Morte: Cabra Marcado pra
Morrer”. Você pode apresentar em resumo um pouco dessa história ?
Luciano: O
espetáculo mergulha nas fontes populares e iletradas da poesia, recuperando a
tradição dos cantadores do Vale do Jequitinhonha, com seus poemas narrativos
vazados em linguagem simples e apoiados em métrica e rima de forte apelo
mnemônico.
O espetáculo que também comemora o
aniversário de 80 anos do poeta Ferreira Gullar e denuncia os 16 anos de
impunidade da chacina de Eldorado dos Carajás, inclui músicas de domínio
público, pois cumpre o objetivo de integrar a população das cidades com a
companhia que no ano de 2011 completou 15 anos de atuação no teatro do Vale do
Jequitinhonha. O espetáculo conta a história de um lavrador que reage à
exploração do fazendeiro e, por esta razão, é condenado a vagar pelo sertão,
pois não encontra ninguém que lhe dê emprego. Quando resolve matar a mulher, os
filhos e a si próprio, encontra Chico Vaqueiro, que o conduz ás ligas
camponesas. Num mundo configurado como palco de embate entre o bem e o mal,
Gullar expressa o pensamento de intelectualidade do povo em denunciar as mazelas
de seus governantes. Esse texto escrito por FERREIRA GULLAR entre os anos de
1962-1967 apresenta claramente a realidade político-social brasileira da época.
A literatura de cordel vai servir de instrumento á causa revolucionária. Na
montagem a companhia incorpora ainda textos e dados históricos, como o MST e
poemas e textos de pessoas como JOSÉ SARAMAGO, PEDRO TIERRA, entre outros,
acreditando que a atualização criteriosa das tradições artísticas é a única
forma de salvaguardá-las e contribuir para desenvolvimento de nossa região. No
espetáculo abordamos a luta de classes e organizações em defesa da vida, contra
a ideologia dominante que tem mantido o Vale rural séculos de atraso em relação
às conquistas sociais. A política da ditadura do boi refletindo profundamente
sobre o êxodo rural na região.
Blog Onhas: Como foi o processo de pesquisa
para elaboração do roteiro, construção dos personagens e confecção do figurino?
Luciano: Terra
fala sobre reforma agrária, a luta pela terra por aqui e pelo país. Para isso
visitamos assentamentos e recolhemos depoimentos. Normalmente os nossos
espetáculos, principalmente de rua, tem participação do público, e neste usamos
ainda mais esse recurso — acrescenta. O processo de montagem se deu através de
uma pesquisa minuciosa sobre a luta pela terra no Brasil. O fio condutor é o
texto JOÃO BOA MORTE de Ferreira Gullar. Os personagens foram surgindo através
de exercícios de improvisação e de leituras dramáticas. O figurino remete à
fartura, pois é todo cheio de grãos, dando a ideia que o homem é uma semente e
que será um fruto da terra.
Blog Onhas: Os textos encenados pelo “Ícaros”
sempre tiveram preocupação em incluir nas cenas elementos típicos da
cultura do vale do Jequitinhonha, além de questionamentos sociais. Em que
medida o espectador encontrará esses elementos figurando em “Terra”?
Luciano: Nosso
teatro é politico ao mesmo tempo é uma maneira de denunciar as injustiças tão
presentes neste país. A cultura popular do vale está nas roupas, nas músicas,
pois não sabemos ser distantes disso que se chama cultura popular. Alimento que
vamos regurgitando sem pretensões acadêmicas, mais com uma vontade danada de
que as pessoas se reconheçam nos enredos que urdimos, nos cantos que entoamos.
Como sabemos, “João Boa-Morte, cabra marcado pra morrer”, de 1962, nasceu a
convite de Oduvaldo Vianna Filho e foi (mais ou menos) distribuído como folheto
após não ter tido sucesso por meio da encenação teatral. Conta à história de um
lavrador que era explorado por um fazendeiro para o qual trabalhava na Paraíba.
Foi escrito com uma estrutura irregular nas estrofes, mas mantendo uma base de
oitavas, rimadas aleatoriamente e em redondilhas maiores. No poema, podemos
encontrar alguns excessos de militância e propaganda, como estes:
Que a luta não esmorece
Agora que o camponês
Cansado de fazer prece
E de votar em burguês
Ergue-se contra a pobreza
E outra voz já não escuta,
Só a que o chama pra luta
– voz da Liga Camponesa.
Mas se, em alguns momentos, o poeta mais fala de
revolução do que a faz dentro da arte que pratica, em outros, podemos achar
exemplos de boa música nordestina e alguma ironia cabralina:
Naquela terra querida,
Que era sua e que não era,
Onde sonhara com a vida
Mas nunca viver pudera,
Ia morrer sem comida
Aquele de cuja lida
Tanta comida nascera.
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Terra: A História de João Boa Morte, Cabra Marcado
pra Morrer - Foto: Vilmar Oliveira
|
O vocabulário é simples, para a compreensão do
povo, e a narrativa cria a oposição entre o poder dos coronéis, donos das
terras nordestinas, e o trabalhador dessas terras, que vive a penúria do
dia-a-dia, sem perspectivas de melhorar sua condição de vida. O relato mostra a
ausência de resultado positivo do trabalho para o trabalhador explorado e
acompanha a disputa entre coronel e trabalhadores pelo preço dos produtos e
pela liberdade de venda deles. Nessa disputa, o coronel usa seu poder de
intimidação e mata, com seus jagunços, os que não se submetem. João Boa-Morte,
dada sua condição de miserabilidade e o sofrimento da família, resolveu
enfrentar o coronel Benedito conclamando os companheiros à reação. Mas o que
lhe aconteceu foi perder o lugar onde trabalhava e ter que vagar com a família
passando fome e não sendo aceito em lugar nenhum como represália por ter
enfrentado o patrão. Em andanças e fome por longo período e distância, morreu o
filho mais moço. João, em desespero e sozinho, pensou em matar o resto da
família e depois se matar também. Quando estava para executar sua sina, Chico
Vaqueiro o encontrou e o demoveu do crime, convencendo-o a lutar junto de
companheiros da Liga Camponesa que organizavam a resistência contra os
coronéis. O poema termina com a exortação de que, para mudar a situação, é
preciso unir o camponês para realizar a revolução. Em essência, o poema resume
a sina de muitos sertanejos posseiros de terras ou sem-terras que ousassem
liderar qualquer movimento de mudança na relação com os coronéis para quem
trabalhavam, que tratavam o homem livre em regime similar ao da passada
escravidão.
O poema traduz o canto que conclama o povo à
resistência contra a exploração de seu trabalho, não apresenta singularidades
formais a não ser a simplicidade de versos populares, e nem é intenção ser
diferente, pois quer ser o que é: denúncia. Não há especulação ou inovação
formal nos versos, apenas integração do poeta com as agruras da vida rural de
seu tempo e dos movimentos de conscientização levados ao campo pela organização
comunista das Ligas Camponesas. O poeta está dizendo que não pode passar imune
a essa realidade e que precisa não só compor a poesia da e para a elite na sua
perseguição à inovação e renovação intelectual, mas também dizer do homem comum
em linguagem comum, o sofrimento comum para comover e conquistar. É o poeta
buscando comunicação fora de seu espaço característico e para isso precisa
adequar sua palavra
Blog Onhas: Ao longo de mais de 40
anos o Vale do Jequitinhonha tem lutado para superar o estigma de “Vale da
Miséria”. Essa luta uma simbologia que hoje caracteriza a região como “Vale de
Cultura”, para que isso acontecesse contribuíram muito nomes de Militantes como
Tadeu Martins, George Abner, Aurélio Silby e demais colaboradores do Jornal
Geraes. Também contribuíram músicos com certo renome nacional, como Rubinho do
Vale, Paulinha Pedra Azul e Saulo Laranjeira e agora Déa Trancoso e Pedro
Morais, só para citar alguns exemplos. Além desses os corais, com notoriedade
para os Trovadores do Vale, As Lavadeiras de Almenara, e o artesanato
representado por Lira Marques, Dona Isabel e Ulisses Mendes. O Teatro,
aparentemente, não tem a mesma expressividade que os artistas citados, mas
sabe-se que ele existe. Diante disso, gostaria que você destacasse qual o lugar
do Teatro na construção dessa nova simbologia para o Vale do Jequitinhonha.
Luciano: O
teatro no Vale do Jequitinhonha cresceu muito nos últimos 10 anos, sendo o
destaque desta década. A forma como [os grupos] se organizam em coletivos e
associações como AGRUTEVAJE (Associação dos grupos de teatro do Vale do
Jequitinhonha) e RCT (Rede de Coletivos teatrais do Vale do Jequitinhonha), com
o objetivo de fortalecer o teatro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; a
RCT — Rede de Coletivos Teatrais – reúne grupos de teatro locais, a maioria com
muitas dificuldades financeiras, para lutar em prol das artes cênicas na
região. Entre os inimigos, além da falta de recursos para montar até um
espetáculo simples, está a grande evasão de jovens, obrigados a deixar a região
para estudar fora, já que não há cursos de teatro, dança ou música em todo o
Vale, apesar do local ser conhecido em todo o país como de grande riqueza
cultural.
— A RCT se reuniu pela primeira vez em 2008,
quando os grupos de teatro daqui, após o ÍCAROS DO VALE chegar da III Mostra
Latino Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo, sentiram a necessidade de se
unir para fortalecer o nosso teatro. A proposta da rede é uma gestão de baixo para
cima, ou seja, dos grupos para os grupos, onde os membros da diretoria
recentemente formada nada mais são do que idealizadores, ponderadores e
concretiza dores — fala Luciano Silveira, presidente a rede.
— Todavia, as veredas são estreitas e
íngremes, temos que caminhar de mãos dadas para não pisar em falso. O teatro,
então, no VALE tem sido com certeza a área artística mais organizada atualmente
na região e a principal responsável pela perpetuação e promoção de sua
identidade local
Blog Onhas: Para Finalizar,
gostaria que você anotasse a agenda do Ícaros e os contatos de grupo.
Luciano:
05 e 06 MAIO: Reunião da Rede de Coletivos Teatrais
do Vale do Jequitinhonha-Capelinha
11 de Maio:TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra
Marcado para morrer
Feira de artesanato da UFMG-Campus da Pampulha-BH
12 e 13 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra
Marcado para morrer
Palácio das Artes-BH
18 de Maio: TERRA-A história de João Boa
Morte-Cabra Marcado para morrer
Semana de integração da UFVJM
Diamantina-MG
25 de Maio: TERRA-A história de João Boa
Morte-Cabra Marcado para morrer
Centenário da cidade Pedra Azul
08 de Junho: TERRA-A história de João Boa
Morte-Cabra Marcado para morrer
I FESTTO (Festival de teatro de Teófilo-Otoni)
Contato
Luciano Silveira
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