Com o objetivo de dar visibilidade e buscar a garantia dos direitos fundamentais de comunidades quilombolas de municípios próximos a Minas Novas, na região do Jequitinhonha, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Montes Claros, realiza, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), Audiência Pública no dia 13 de maio, às 9h30, no Ginásio Poliesportivo Deni Alves de Macedo. A expectativa é de que mais de 40 comunidades tradicionais que vivem na região participem da audiência.
Segundo informações colhidas pelo MPMG, esses grupos enfrentam diversos problemas como fechamento de escolas quilombolas, falta de acesso adequado às comunidades, falta de acesso à água, expansão do cultivo de eucalipto sobre áreas tradicionalmente utilizadas pelas comunidades.
Para participar da Audiência Pública, serão convidados representantes das prefeituras municipais de Minas Novas, Berilo, Chapada do Norte, Francisco Badaró e Jenipapo de Minas, além de diversos entes federais e estaduais que possam contribuir para a garantia dos direitos dessa população, caso do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Fundação Cultural Palmares e das Secretarias Estaduais de Educação e de Meio Ambiente.
Serviço
Data de início: 13 de Maio de 2016 às 09:30 horas.
Data de fim: 13 de Maio de 2016 às 13:00 horas.
Data: 13 de maio
Horário: 9h30
Local: Ginásio Poliesportivo Deni Alves de Macedo
Endereço: av. Israel Pinheiro, 518, Bairro Saudade, Minas Novas
Acreditando que os
professores são atores transformadores da realidade local, o projeto “Plantando
Educação, colhendo cidadania” visa enriquecer a qualificação de educadores para
uma abordagem efetiva com seus alunos a respeito da importância da conservação
dos remanescentes de vegetação nativa e dos recursos hídricos.
Público Alvo
Professores de 4º e 5º anos do ensino fundamental de 58
municípios situados nas Bacias dos Rios
Jequitinhonha e Mucuri, nordeste de Minas Gerais.
Iniciativa e realização
O projeto é uma
iniciativa da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Meio
Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri (MPMG) e será realizado
pelo Instituto Biotrópicos (Organização Não
Governamental) através do seu Centro
de Educação Ambiental Conserva Mundi.
Nove cidades polo sediarão os
encontros presenciais para a troca de experiências entre a equipe do Conserva Mundie os professores a partir
de 15 de abril, conforme agenda divulgada em anexo.Os
participantes também receberão material educativo especialmente elaborado para
o foco do projeto no formato de Caderno
do Professor, com sugestões de conteúdo e atividades didáticas de apoio às
aulas.
Cerca de 850 professores de 500
escolas da rede pública municipal participarão do projeto. A expectativa é atingir
mais de 11 mil alunos anualmente a partir daí contribuindo para a formação de multiplicadores
de boas práticas ambientais.
Todos os passos do projeto podem ser acompanhados na página
facebook/conservamundi
Suas más condições fazem de Chapada do Norte, Jacinto e Salto da Divisa três dos únicos cinco municípios mineiros sem ligação asfáltica.
Berilo, Chapada do Norte e Minas Novas – O Fiat Uno de lataria maltratada, tanque de combustível, peito de aço e cárter com várias soldas e remendos é um guerreiro das estradas. Nele, o motorista João Soares de Mendonça, de 56 anos, faz o que muitos no Vale do Jequitinhonha temem: leva gestantes, doentes, idosos, estudantes e trabalhadores de Chapada do Norte para Minas Novas (20 quilômetros de distância) ou para Berilo (21 quilômetros). Com experiência e disposição, mergulha na poeira da BR-367, desviando-se de buracos, controlando a trepidação sobre pedras, as quedas em valas, os atoleiros e os lamaçais escorregadios. Mas, às vezes, nem mesmo o Uno batalhador de João Soares consegue vencer a degradação dessa rodovia federal, que é considerada uma das piores do estado – sobretudo quando chove por mais de dois dias ou quando o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) deixa de dar manutenção nos trechos de terra que fazem de Chapada do Norte um dos cinco municípios mineiros ainda isolados por falta de asfalto.
BR-367 é uma das piores do Brasil: confira o vídeo
Apesar de não ter um título – como a BR-381, conhecida como a “Rodovia da Morte” pelo grande volume de vítimas de suas curvas fechadas – nem concentrar um número acentuado de acidentes, como as BRs 040 e 116, a BR-367 figura no grupo de vias que não precisam de problemas pontuais em pontes e barreiras para se tornar intransitável. A reportagem do Estado de Minas acompanhou os dramas e as dificuldades de quem precisa trafegar por rodovias que são consideradas as mais precárias de Minas Gerais para mostrar que o abandono e a falta de melhorias para caminhos que são importantes ligações regionais paralisam atividades econômicas e impedem o desenvolvimento social em vários municípios, que só podem recorrer a essas estradas.
O maior aperto que o motorista João Soares já passou foi quando uma mulher teve de dar à luz dentro do Uno. “Fiquei preso no barro de um morro quando levava a moça para o hospital, em Chapada. A sorte é que passou uma caminhonete traçada (com tração nas quatro rodas) da Polícia Militar e o guarda fez o parto dentro do meu carro. Não fosse isso, corria o risco de a mulher e de o bebê morrerem, porque não tinha ninguém para fazer nascer a criança”, lembra. “Desde que tinha 8 anos escuto falarem que o asfalto vai sair, mas não sai nada. E a gente fica aqui, se arrebentando nesse mundo véio (sic) de pedras e barro dessa rodovia”, desabafa.
No meio da estrada, surge uma placa que indica início do asfalto a 300 metros. Parece um alento. Mas o que deveria ser um alívio engana quem desconhece a estrada. São apenas 700 metros de asfalto, que compreendem duas curvas, até uma nova placa alertar para o fim do pavimento a 300 metros. Joaquim Santana, de 47, motorista de escolar, lembra quando construíram aquela parte. “Aquilo (o pequeno trecho pavimentado) é um tapa na nossa cara. Vieram uns engravatados aqui, mediram, trouxeram máquinas, fizeram um quilômetro de asfalto e depois foram embora. Deixaram a gente aqui, destruindo os carros. A suspensão quebra, os pneus cortam; temos pneus novos na garagem que já estão cortados por causa das pedras. E, pior, os alunos vivem chegando atrasados. Uma viagem que levaria menos de 40 minutos é feita sempre em mais de uma hora”, calcula. Por causa dessas condições, uma linha de ônibus que fazia o itinerário de Minas Novas a Chapada do Norte parou de circular desde janeiro. Segundo o especialista em transporte e trânsito Silvestre de Andrade Puty Filho, asfaltar um segmento tão pequeno no meio de uma estrada de terra não faz sentido do ponto de vista da engenharia.
Asfalto, quando existe, é em trecho de 700 metros que só aumenta a indignação dos motoristas (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)
Uma das pontes de madeira do caminho para Berilo já cedeu duas vezes, com caminhões caindo no Rio Capivari. O limite de peso chegou a ser estabelecido em 12 toneladas, mas veículos de transporte de carga mais pesados do que isso continuam a passar pelo local, comprometendo ainda mais a segurança e a vida útil da estrutura já precária. Os mesmos problemas afligem outros municípios sem ligações asfálticas, como Jacinto e Salto da Divisa, também na BR-367, além de São João das Missões e Montalvânia, na BR-135, no Norte de Minas. Via Estado de Minas
Projeto "O Cartório Eleitoral vai até você", da 177ª Zona Eleitoral de Minas Novas-MG, atenderá municípios de Jenipapo de Minas, Francisco Badaró e Berilo.
Dando início aos preparativos para as Eleições 2016, e, ciente das dificuldades enfrentadas pelos eleitores da comarca de Minas Novas-MG, o Cartório Eleitoral lançou um projeto para atender alguns municípios da comarca, para quem deseja fazer ou transferir o título eleitoral, com a seguinte programação:
20/outubro/2015 (terça-feira)
08 às 18 horas
Jenipapo de Minas-MG
Escola Nossa Senhora de Fátima
21/outubro/2015 (quarta-feira)
08 às 18 horas
Francisco Badaró-MG
Câmara Municipal
22/outubro/2015 (quinta-feira)
08 às 18 horas
Berilo-MG
Escola Jason de Morais
O Cartório Eleitoral da 177ª Zona Eleitoral de Minas Novas-MG está a disposição para o esclarecimento de eventuais dúvidas, por meio do telefone (33) 3764-1199.
DNIT garante substituição da ponte queimada por manifestantes na BR-367.
O incêndio proposital de uma velha ponte de madeira, que liga os municípios de Jacinto e Almenara, no Vale do Jequitinhonha, na manhã desta terça-feira, pode acabar apressando o projeto de uma nova travessia no local.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), já havia sido detectada a situação precária da ponte, que passa sobre o córrego Rubim, na BR-367. Um projeto para a construção de uma ligação substituta já havia sido contratado, tendo em vista a inviabilidade da recuperação da estrutura. Intervenção que agora, de acordo com o próprio órgão, se torna mais urgente. O Dnit informou que vai contratar, nos próximos dias, uma empresa que realizará a obra em caráter emergencial.
Até a conclusão da nova ponte, o Dnit pretende usar travessias metálicas do Exército Brasileiro, que são de montagem rápida, próprias para emergências. O órgão lembra que uma dessas pontes foi usada há alguns anos, quando a travessia sobre o Rio das Velhas, na BR-381, em Santa Luzia, foi inutilizada. Ainda de acordo com o Dnit, o Exército já foi acionado e a estrutura será implantada em um trecho ao lado da que foi destruída (local onde existia a diretriz original da rodovia) ou nos próprios encabeçamentos da antiga ponte de madeira.
O incêndio foi resultado de fúria de usuários, que atearam fogo à estrutura de madeira logo depois de a ponte ter sido interditada pelo Dnit, devido ao rompimento de uma longarina, que comprometeu a travessia de veículos.
De imediato, a solução para quem viaja entre os dois municípios é usar rotas alternativas:
- Opção de tráfego 1: Rodovia LMG 634 – Almenara a Avaí do Jacinto, com 37 quilômetros; e, em seguida, rodovia municipal que liga Avaí do Jacinto a Jacinto, com 24 quilômetros (travessia de balsa); prosseguimento pela BR-367. Total de 61 quilômetros.
- Opção de tráfego 2: Rodovia MG 406 – Almenara a Rubim, com 37 quilômetros; em seguida, rodovia municipal, que liga Rubim a Conceição, com 41 quilômetros; prosseguimento pela BR-367. Total de 78 quilômetros.
Há anos, a população do Jequitinhonha espera pela obra no trecho de 121 quilômetros de terra, que liga Minas Novas/Chapada do Norte/Berilo/Virgem da Lapa e Almenara/Jacinto/Salto da Divisa. O trecho foi incluído na terceira fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas até hoje não saiu do papel.
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Lina Otoni / FacebookPopulares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Lina Otoni / Facebook
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Lina Otoni / Facebook
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais
Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais Populares colocaram fogo em estrutura de madeira – Foto: Reprodução / Redes Sociais
(Fonte: Jornal Estado de Minas, via Aconteceu no Vale)
Moradores
do distrito de Lelivéldia, em Berilo, no Vale do Jequitinhonha, fecham desde o
início da tarde quinta-feira (10/09) a rodovia LMG-677. Eles reclamam da falta
de segurança na estrada e da poeira provocada pelo trânsito de carretas que
transportam eucalipto de uma reflorestadora da região.
A
manifestação começou após a morte de um motociclista Laércio Alves do
Nascimento, de 25 anos, que se envolveu em um acidente com uma carreta.
No início
da noite deste domingo (13/09), o manifesto ainda não tinha previsão para ser
finalizado. Segundo a Polícia Militar (PM), os moradores querem asfalto em pelo
menos quatro quilômetros da rodovia. “Eles querem que sejam asfaltados pelo
menos dois quilômetros antes e dois depois do distrito. Acreditam que assim o
problema seja amenizado”, diz o Cabo PM João Valdir.
Uma
reunião com representantes do governo, moradores e da empresa responsável por
plantio de eucalipto na região foi realizada na tarde de sexta-feira, mas a PM
informou que não houve acordo entre os envolvidos. A pista continua
interditada.
O
coordenador regional do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) em Araçuaí,
João Pereira dos Santos, informou que a rodovia possui 42 quilômetros. Ele
afirmou ainda que o projeto para asfaltamento do trecho passa por adequações e
deve entrar em processo de licitação no início de 2016.
Morte
O jovem Laércio Alves do
Nascimento, de 25 anos, faleceu no acidente entre uma carreta e sua moto, na
LMG-677, no trecho entre Lelivéldia e o Posto Cristal, no município de Berilo, no
Médio Jequitinhonha, no nordeste de Minas. O acidente ocorreu por volta das 10
horas desta quinta-feira, 10.09.15.
O motociclista chegou a
ser socorrido em uma Unidade de Saúde de José Gonçalves de Minas, a 22 km do
acidente. Ele obteve os primeiros socorros, tendo sido encaminhado para o
Hospital de Turmalina, a 115 km de Leliveldia, onde Laércio veio a falecer. O
irmão de Láercio, Rafael Alves do Nascimento, caroneiro da moto, não sofreu
nenhum ferimento.
Laércio Alves do Nascimento nasceu no dia 14.09.89.
Completaria 26 anos na próxima semana. Ele era filho de Ordália Alves do
Nascimento e Francisco Rego do Nascimento, moradores da comunidade rural de
Coqueiros, no distrito de Lelivéldia, próximo à Barragem de Irapé, no rio
Jequitinhonha. Ele vivia trabalhando em várias empresas do país, em vários
estados, em atividades diversas como corte de cana, colheita de café.
Via Intertv Grande Minas (com alterações do Blog do Jequi)
Uma
família de Berilo, no Vale do Jequitinhonha, procura pela adolescente Diana
Ramos Amaral, de 16 anos. Ela teria saído de casa na última sexta-feira, 11 de
setembro, por volta das 15 horas.
Segundo Mayara Amaral, que entrou em
contato com o Aconteceu no Vale solicitando ajuda para divulgar o
desaparecimento, a adolescente levou algumas peças de roupas e documentos pessoais.
Ela não foi vista por nenhum vizinho e as amigas não sabem do seu paradeiro.
Ainda segundo Mayara, o celular de sua
prima está desligado e os familiares se encontram desesperados, pois já não
sabem onde mais procurar. Conforme Mayara, os pais procuraram a Polícia Militar
da cidade e registraram um boletim de ocorrências.
A família pede a qualquer pessoa, que
tenha alguma informação sobre a localização da adolescente, que entre em
contato pelos telefones (33) 8807-8287, (33) 8866-3688 ou (33) 8886-7977. Você
também poderá entrar em contato com a Polícia Militar através do telefone 190
ou pelo 181 do Disque Denúncia.
Sem as prometidas barragens que
ajudariam a armazenar água ou medidas de proteção das nascentes, centenas de
comunidades do Jequitinhonha ainda dependem de caminhões-pipa.
Berilo
e Itinga –Falta
água. E, além da água, faltam ações efetivas para combater o agravamento da
escassez de recursos hídricos no Vale do Jequitinhonha. Cursos d’água da região
que já correram o ano inteiro hoje estão por um fio. A cada ano, diminui o
volume de córregos e pequenos rios, sem que nada – ou quase nada – seja
investido em ações que poderiam salvá-los, como a proteção de nascentes.
Promessas de construção de barragens, que enfeitam os discursos políticos,
viram pó. Para piorar, até iniciativas levadas adiante terminaram dando errado,
provocando desperdício de recursos públicos. O resultado é um círculo vicioso:
para matar a sede, centenas de comunidades rurais dependem de caminhões-pipa
das prefeituras, que, combalidas pela falta de recursos, permanecem à mercê da
ajuda dos governos estadual e federal, muitas vezes transformada em isca para
angariar votos.
A família de Adilson é uma das que dependem de caminhão-pipa em Berilo, onde barragens (no alto) terminaram assoreadas
A penúria vivida pela
população, submetida a uma crise hídrica eterna em meio à pobreza extrema, foi
constatada pela equipe do Estado de Minas ao longo dos 1.500 quilômetros
percorridos na região nesta série sobre o Vale do Jequitinhonha. Em todo o
percurso, a reportagem encontrou somente uma barragem de maior expressão
concluída nos últimos cinco anos e funcionando a contento, a do Rio Setúbal, no
município de Jenipapo de Minas, inaugurada em fevereiro de 2010 pelo então
presidente Luiz Inácio da Lula da Silva (PT), em solenidade que contou com a
presença de sua afilhada política Dilma Rousseff – à época ministra da Casa
Civil –, que disputaria as eleições presidenciais naquele ano. Antes dela, a
ação mais importante foi a construção da barragem da Usina de Irapé, pela
Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Inaugurada em 2006, ela tem
ajudado a controlar o volume do combalido Rio Jequitinhonha, impedindo que a
situação piore.
Outros mananciais da região, entretanto, não tiveram a mesma sorte. Em Berilo,
município de 12,4 mil habitantes, praticamente todos os córregos e pequenos
rios estão secos. Segundo a prefeitura local, 3,5 mil famílias moradoras da
zona rural têm que recorrer aos caminhões-pipa para obter água. Um cenário que
poderia ter sido evitado por meio da construção, na década de 1990, de cinco
pequenas barragens, nas comunidades de Água Limpa, Mamonas, Córrego do
Bem-Querer e Córrego do Buraco. Entretanto, somente a última tem alguma
serventia hoje, acumulando água que é aproveitada para matar a sede de animais,
ainda assim depois de passar por reforma, afirma a prefeitura.
Emergência
Implantados por meio do Programa Emergencial contra a Seca, coordenado pela
Copasa, os barramentos foram assoreados pouco depois da conclusão das obras,
devido a um suposto erro de projeto, e hoje acumulam mais terra e areia
do que água, conta o secretário de Obras e Desenvolvimento Rural e Urbano de
Berilo, João Nelson Pinto. Segundo a prefeitura, as obras teriam sido
construídas entre 1995 e 1998. Segundo nota da Copasa, os projetos foram feitos
em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que teria sido
“responsável pela escolha dos locais e fiscalização das obras”. A
companhia afirma ainda que cabia aos municípios “a operação e a manutenção
dessas barragens”.
Difícil
acesso
Uma delas foi feita na comunidade de Água Suja, em córrego de mesmo nome, a
nove quilômetros da sede do município, em um local de difícil acesso. O
agricultor Adão Fernandes Rodrigues, de 47 anos, que mora a 200 metros da barragem,
conta que, na época da construção, percebeu o erro no projeto. “Eu disse que
daquele jeito, sem deixar um vertedouro, a barragem iria se encher de terra e
areia. Mas o engenheiro não quis me ouvir”, afirma Adão.
Como a obra praticamente nunca funcionou, mesmo morando perto da barragem, o
agricultor, casado e pai de dois filhos, continua na dependência do
caminhão-pipa da prefeitura, levado à comunidade somente a cada três meses.
Nesse meio-tempo, os gastos são inevitáveis. Adão afirma que, às vezes,
para não ficar com sede, vai “até a rua” (área urbana) e compra água, pagando
R$ 150 pelo caminhão-pipa de 7,5 mil litros.
A situação piorou ainda mais nos últimos três anos, quando houve redução do
volume de chuvas. Neste ano, segundo o secretário de Obras de Berilo, a
estiagem foi tão intensa que muitas das cisternas para a captação da chuva (com
capacidade para 16 mil litros), instaladas nas casas da zona rural dentro de
programa do governo federal já estavam praticamente vazias em março.
Moradores da zona rural do município passaram a usar as próprias cisternas para
armazenar a água do caminhão-pipa da prefeitura. “A demanda é muito grande e a
gente não consegue atender todo mundo. Alguns choram de alegria no dia que o caminhão-pipa
chega às casas deles”, conta João Nelson.
A reportagem acompanhou a chegada de caminhão-pipa na casa do lavrador Adilson
Ferreira, na comunidade rural de Brejo, a oito quilômetros da área urbana de
Berilo. O nome indica que o lugar já teve muita água, que, com o passar
do tempo e a degradação ambiental, desapareceu completamente. “Água aqui é
muito difícil. Quando o caminhão-pipa demora a chegar, temos que pegar água
emprestada, na casa da minha mãe, de balde”, relata Adilson, casado com Adriana
Gomes da Cruz, com quem tem dois filhos. Rio sob ameaça de morte em cinco anos
Com a vazão reduzida e assoreado, o Rio Araçuaí pode secar de vez
Berilo e Itinga –A água levada pelos caminhões-pipa a comunidades de
Berilo é captada no Rio Araçuaí, que está com a vazão reduzida e ainda sofre
com os efeitos da mineração. O secretário municipal de Administração e Planejamento,
Charles Amaral, calcula que, no ritmo que se encontra e se nada for feito, o
curso d’água vai secar de vez dentro de cinco a seis anos. Ele lembra que há
pelo menos oito anos se ouve falar na região de projetos de construção de
barragens dos governos estadual e federal (Cemig e Furnas), nas localidades de
Santa Rita, no município de Chapada do Norte, e de Funil, na divisa de Berilo e
Virgem da Lapa. “O problema é que as barragens nunca saem do papel e o povo
continua passando sede”, protesta Amaral.
A construção de barragens também é o sonho de Itinga. No município, o Rio
Itinguinha se resume hoje a um largo leito cheio de areia, cercado de
mata ciliar, indício de que, no passado, foi caudaloso. “Hoje, o rio só
corre mesmo quando chove”, conta o pequeno agricultor José da Rocha Teixeira,
de 58 anos.
Segundo o prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho (PSDB), a construção de uma
barragem vem sendo prometida há mais de 10 anos pela Fundação Rural Mineira
(Ruralminas ) e beneficiaria também o município de Comercinho. Procurada, a
direção da Ruralminas disse que aguarda verbas para a elaborar o projeto
executivo da obra.
Jequitinhonha acumula de obras inacabadas por falta de recursos a hospital desativado, enquanto a população carente enfrenta dificuldades para receber tratamento médico
Clique na imagem para ampliar
Itinga – O acesso à saúde é um dos principais obstáculos enfrentados pelos moradores do Vale do Jequitinhonha. No entanto, obras na região que teriam a finalidade de amenizar esse drama estão abandonadas ou sem serventia alguma, por falta de recursos, e até hospitais já prontos tiveram as portas fechadas. Moradores de vários municípios precisam deixar suas cidades em busca de atendimento ou percorrer longas distâncias dentro delas e esperar vários dias por uma simples consulta.
Um dos retratos da penúria na área de saúde está em Itinga. Sempre que há necessidade de internação, pacientes do município de 14,4 mil habitantes têm que ser levados em ambulâncias para cidades vizinhas – Araçuaí, Itaobim ou Teófilo Otoni. Uma dificuldade conhecida de perto por pessoas como Fabiana de Brito, de 35 anos, obrigada a viajar com o marido diabético sempre que ele precisa de atendimento hospitalar. “Há pouco tempo, tive que arranjar uma ambulância para levá-lo para Itaobim (a 40 quilômetros de Itinga). Ele ficou 15 dias internado lá”, relata a moradora. Numa situação paradoxal, Itinga é uma das poucas pequenas cidades da região que possui um hospital, o Santa Edwirges. Mas, há seis anos, a unidade, construída há 15, está fechada, com vidraças quebradas, equipamentos enferrujando e mato crescendo ao seu redor.
Em março de 2004, ao visitar Itinga para inaugurar a ponte sobre o Rio Jequitinhonha, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu colocar em funcionamento a unidade, fechada à época por causa de um impasse entre a gestão municipal e a entidade filantrópica responsável por ela, a Fundação São José de Água Branca. A solução passaria pelo credenciamento do hospital pelo Ministério da Saúde. De fato, o Santa Edwirges foi reaberto em 2004, mas funcionou até 2009, quando interrompeu as atividades por falta de verbas.
Atualmente, parte do prédio é ocupada por um laboratório de análises clínicas do município. O prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho (PSDB), disse que, sem os recursos do governo federal para o custeio, não tem como reabrir o hospital. “A gente nunca teve a ousadia de tentar isso, porque o município não tem condições”, afirmo, anunciando que pretende instalar uma policlínica para atenção básica no prédio. O chefe do Executivo municipal criticou a “falta de interesse” do governo federal pelo tema. “É lamentável que a obra permaneça fechada, como um elefante branco”, afirmou.
Ponte Inacabada em Berilo-MG
Coronel Murta e Itamarandiba – Começar obras na área de saúde e interrompê-las por falta de verbas ou erros de projeto é quase rotina no Vale do Jequitinhonha. Coronel Murta é um dos vários exemplos dessa situação. Com 9,3 mil habitantes, o município espera a conclusão de obras interrompidas no setor. Uma delas é a reforma e ampliação da Unidade Básica de Saúde (UBS) Carlito Murta, na área central da cidade, iniciada em abril de 2014, com previsão de término em agosto do mesmo ano. Porém, a obra, avaliada em R$ 275 mil, apenas foi iniciada e parou logo em seguida. O mesmo ocorreu com a ampliação de outra UBS na cidade, no Bairro Maria da Glória, no valor de R$ 120 mil.
Segundo o secretário de Saúde do município, Horácio Aguilar, os serviços não tiveram continuidade porque o Ministério da Saúde liberou apenas parte dos recursos necessários. O Ministério confirma a suspensão dos repasses depois de ter liberado R$ 174, 2 mil para uma obra de construção e quatro de ampliação de UBS na cidade. Segundo a pasta, não foram cumpridos critérios para o recebimento de novas parcelas, demandando diligências nas obras, mas o problema já foi sanado e novo repasse está sendo providenciado.
Em Itamarandiba, a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro São Geraldo está entregue à ação do tempo há mais de seis anos, cercada pelo mato e pelo lixo. Também está sendo “depenada” por moradores, que já carregaram grande parte do telhado. De acordo com o atual prefeito, Erildo Gomes (PSDB), seu antecessor, o ex-prefeito Tom Costa (PSB), não deu continuidade às obras iniciadas na gestão anterior à dele, solicitou à Secretaria de Estado de Saúde, responsável pelo repasse de recursos, uma “tomada de contas especial” e encaminhou denúncia ao Ministério Público Estadual, suspeitando de erros no projeto. O imbróglio, somado a uma ação na Justiça movida por morador que se diz dono do terreno destinado à UBS, impede a retomada da obra, afirma o prefeito.
Enquanto isso, moradores vizinhos da obra abandonada sofrem com a dificuldade para o atendimento à saúde. É o caso da doméstica Silésia Aparecida Matos, de 30 anos. “Para gente conseguir atendimento aqui demora de 30 a 45 dias”, alega Silésia, mãe de cinco filhos, que se desloca até o hospital municipal na área central da cidade para consultas. Outra vizinha do “esqueleto” da construção da UBS, a aposentada Geralda de Fátima Martins, de 75, também lamenta o abandono da obra. “A gente sofre muito com a falta de médico”, diz.
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