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quinta-feira, 31 de maio de 2012

MUNICÍPIOS DO VALE LIDERA ESTATÍSTICAS DE DESMATAMENTO DA MATA ATLÂNTICA


Entre os municípios campeões de desmate, três estão em Minas, são elas: Águas Vermelhas (Norte de Minas), Jequitinhonha e Ponto dos Volantes (Vale do Jequitinhonha), 1º, 3º e 5º, respectivamente.

A taxa de desmatamento da Mata Atlântica voltou a apresentar uma leve queda entre 2010 e 2011, em relação à perda de cobertura florestal que havia ocorrido no biênio anterior (2008 a 2010), mas os dados levantam a bandeira vermelha de que o bioma mais devastado do Brasil continua sendo ameaçado.


Essa é a interpretação feita pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulgaram nesta terça, 29, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.

Olhando apenas a estatística, a devastação praticamente ficou estável. No biênio 2008- 2010, o desmate tinha sido de 31.195 hectares - cerca de 15.500 por ano. Entre 2010-2011 (período de um ano) foi de 13.312 ha ou 133 km². Mas houve aumento significativo na Bahia e em Minas, líderes no ranking do desmate (mais informações nesta página). E justamente esses Estados estiveram muito cobertos por nuvens durante a observação pelo satélite (cerca de 60% de visualização).

"Não posso afirmar que parou ou diminuiu o desmatamento porque grande parte de Bahia e de Minas não foi avaliada. Certamente se eu tivesse imagens - como esses são os Estados mais críticos - teríamos observado mais desmatamento ali", explica Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica.

Além disso, no levantamento anterior haviam sido mapeados 16 dos 17 Estados originalmente cobertos pela Mata Atlântica e neste foram somente dez. Em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte, a análise foi impossibilitada pela ocorrência de nuvens. Piauí não foi avaliado em nenhuma ocasião. "Vimos queda em termos absolutos, mas se tivesse todas as informações, provavelmente esse total seria maior."

Segunda Márcia, a ameaça na Bahia e em Minas, onde o problema já tinha sido identificado no levantamento anterior, são os fornos de carvão. O alvo são sobretudo as regiões com as chamadas "matas secas", um tipo de vegetação que lembra a do Cerrado e por isso às vezes é confundida com ele. Mas pela lei da Mata Atlântica, de 2006, não é.

Entre os municípios campeões de desmate, três estão em Minas (Águas Vermelhas, Jequitinhonha e Ponto dos Volantes, 1º, 3º e 5º, respectivamente), formando o que especialistas chamaram de "triângulo do desmatamento". Lá, a pressão é dos fornos.

Para a equipe, apesar de o total de desmate parecer pequeno, os dados são significativos porque restam 7,9% de Mata Atlântica no País, quando analisados os fragmentos com mais de 100 hectares - tamanho considerado representativo para a conservação da biodiversidade.

Código Florestal. Mario Mantovani, diretor de Políticas da Mata Atlântica, alerta que o dado também é significativo diante da mudança do Código Florestal. Apesar de a lei da Mata Atlântica prevalecer sobre o Código, garantindo a proteção ao bioma, ele reduz a necessidade de recomposição de mata ciliar que tenha sido desmatada. Na avaliação dos especialistas, para a Mata Atlântica, a recuperação é até mais importante, visto que a maior parte já está destruída.

Isso põe em risco, segundo eles, o fornecimento de água das grandes cidades, como São Paulo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

VALE DO JEQUITINHONHA ÁREAS INTEIRAS DE MATA ATLÂNTICA SÃO LIBERADAS PARA DESMATAMENTO

O Triângulo do desmatamento, formado pelos municípios de Jequitinhonha e Ponto dos Volantes (Vale do Jequitinhonha) e Águas Vermelhas (Norte de Minas) foi a região que mais desmatou esse tipo de bioma no Brasil.


Nos últimos dois anos, região desmatou cerca de 3 mil hectares de mata. Apenas 7% da área nativa desse bioma ainda sobrevive à ação do homem.

Na mata fechada é possível encontrar clareiras e fornos de carvão ainda acesos. No norte de Minas Gerais, o chamado Triângulo do  desmatamento é considerado pela ONG SOS Mata Atlântica como a região que mais destruiu esse tipo de bioma no país.

O triângulo é formado pelos municípios de  Jequitinhonha,  Ponto dos Volantes e  Águas Vermelhas. Nos últimos dois anos, a região desmatou cerca de 3 mil hectares de  Mata Atlântica.

Clique na imagem para ver o vídeo

Na entrada do município a placa indica que  Águas Vermelhas respeita o meio ambiente, mas o município foi responsável por quase 20% de todo o  desmatamento em Minas Gerais entre 2010 e 2011.

A ONG usou imagens de satélite e fez sobrevoos. Márcia Hirota é diretora da SOS  Mata Atlântica. As imagens servem de documento no relatório preparado pela fundação.

Parte de uma área no município de  Águas Vermelhas, no norte de Minas Gerais, que há menos de um ano era ocupada por mata nativa já tem o plantio de eucalipto.

A lei 11.428, de 2006, deixa expresso que o corte de vegetação primária no Bioma  Mata Atlântica só pode ser autorizado em caráter excepcional para obras de utilidade pública, pesquisa científica e práticas preservacionistas. No caso de matas em outros estágios de regeneração, caberá ao órgão estadual competente conceder a licença ambiental.

Não é difícil encontrar tratores derrubando e arrumando toras recém-cortadas. Trabalhadores de uma carvoaria que colocavam toras nos fornos confirmaram que retiraram a madeira de uma área de mata nativa. No local fica a fazenda Paty, que pertence ao fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito, conhecido como Seu Dadá, que mora em Vitória da Conquista, na Bahia.

O fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito não quis dar entrevista, mas por meio de nota informou que a propriedade foi o primeiro imóvel da região a conseguir autorização para a supressão da cobertura vegetal nativa com destoca para a produção de carvão vegetal nativo e o cultivo de eucalipto. Ele enviou ainda cópia dos documentos emitidos pela Secretária de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais. Um dos documentos, que vence em janeiro de 2014, permite a supressão de 50 hectares de mata nativa e outro para 90 hectares, que vence em agosto deste ano.

Em Minas Gerais, muitos fazendeiros têm licença para o desmate. Desde 2011, é a Supram, Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o órgão que concede as licenças no estado. O escritório regional do Alto Jequitinhonha, responsável pela atuação na região, fica em Diamantina, distante quase 500 quilômetros de  Águas Vermelhas. Segundo a superintendente Eliana Piedade Machado, as autorizações são aprovadas por uma comissão formada por vários órgãos ambientais. De 2008 para cá, foram conseguidas 180 licenças de desmate na região, num total de 18 mil hectares.

“É uma região que tem um desenvolvimento socioeconômico muito precário. A gente tem que pensar também na realização de atividades econômicas. Por muitos anos, a economia local se baseou na cadeia produtiva do carvão. Hoje, a gente tem a citricultura chegando fortemente na região. É uma atividade econômica. A região precisa também se desenvolver. O grande desafio é conciliar esse desenvolvimento com a preservação ambiental”, justifica Eliana.

As autorizações concedidas no município de  Águas Vermelhas se basearam na avaliação que as áreas são de  Mata Atlântica Secundária, em estágio inicial de regeneração. Por isso, é exploração pode ser permitida. Para caracterizar o estado de uma vegetação são analisados fatores como o porte das árvores, a densidade das matas e a existência de espécies vegetais protegidas por lei.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JEQUITINHONHA: MUNICÍPIO É O QUE MAIS DESMATOU EM MINAS EM 2008-2009

O maior desmatamento se deu em Minas Gerais, com 115,8km² dos 248,8 km² desmatados em todo o país. Também está em Minas o município que mais desmatou: Jequitinhonha, com 21,7 km².

Foto meramente ilustrativa
A taxa de desmatamento na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal, no período 2008-2009, diminuiu quando comparada com os anos anteriores. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e são baseados em mapas do satélite Landsat, que captam desmatamentos de áreas superiores a três hectares. As imagens são feitas no período da seca - em geral no mês de setembro - uma vez que as nuvens impedem a captação de imagens.

- O resultado mostra que você está reduzindo a dinâmica do desmatamento. Embora esteja ocorrendo conversão de vegetação nativa, isso está ocorrendo num ritmo menor - avaliou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, houve vários fatores que contribuíram para o resultado.

- Houve grandes ganhos de produtividade (na agricultura), portanto não há tanta necessidade de expansão das áreas. É um dos fatores. Outro é o avanço nos últimos anos de fiscalização. Como temos dados melhores de monitoramento, sabemos onde alocar os recursos de fiscalização - afirmou o secretário.

No Pantanal, foram desmatados 188km² no período 2008-2009 (uma taxa média anual de 0,12% do bioma), enquanto nos seis anos anteriores 4.279 km² de vegetação nativa haviam sido convertidos para uso humano. De 130.212 km² em 2002, restam agora 125.708 km². O município que mais desmatou foi Corumbá, no Mato Grosso do Sul, com 67,64 km². Isso se explica porque o município é o maior em extensão na região.

Apesar de ser um dos biomas mais bem conservados do país, o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, chamou a atenção para uma mudança no tipo de desmatamento no Pantanal, que antes se concentrava na borda do bioma.

- O preocupante é que agora a frente de desmatamento está saindo do entorno do bioma, e estamos detectando no interior do Pantanal. Isso significa conversão da vegetação natural para pasto.

No Pampa, no Rio Grande do Sul, 331 km² de vegetação nativa foram convertidos para uso humano no período 2008-2009, o equivalente a 0,18% do bioma.

- No Pampa, há pressão de rizicultra, pressão para reflorestamento de eucaliptos. Existe uma pressão por papel não só no Brasil, mas também pelas empresas instaladas no Uruguai. Também há pressão da agropecuária, para conversão da vegetação nativa em pasto - afirmou Bráulio Dias, destacando ainda que, para preservar o Pampa, o ministério está incentivando o uso da própria vegetação do bioma como pasto.

Já a Mata Atlântica, o bioma menos conservado entre os três, foi também o com menor taxa de desmatamento no período: 0,02%. Para Dias, isso significa que o Brasil está no caminho do desmatamento zero da Mata Atlântica. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba, tiveram desmatamento zero no período.

Nesse bioma, o maior desmatamento se deu em Minas Gerais, com 115,8km² dos 248,8 km² desmatados em todo o país. Também está em Minas o município que mais desmatou: Jequitinhonha, com 21,7 km². Em termos proporcionais, o estado que mais desmatou foi a Bahia, com 0,06% de sua área total de Mata Atlântica. Juntos, Minas e Bahia responderam por 73% do desmatamento no período 2008-2009.

A ministra Izabella Teixeira ressaltou que os dados apontam tudo o que foi desmatado em áreas acima de três hectares, mas não é possível discernir quanto disso é legal e quanto é ilegal. Bráulio Dias destacou que o ministério pretende ampliar a resolução das imagens de satélite, permitindo ver propriedade por propriedade.

No período 2008-2009, o bioma brasileiro mais desmatado foi o cerrado, com 7.637 km² convertidos para uso humano, ou 0,37 de sua área total.

O evento em que os dados foram anunciados também foi o último de que Bráulio Dias participou como secretário do ministério. Na semana que vem ele assume o cargo de secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, com sede em Montreal, no Canadá.


sábado, 28 de janeiro de 2012

GOVERNO INVESTE EM SANEAMENTO BÁSICO NOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI


A partir de abril deste ano o município de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, passará a contar com uma das maiores obras de abastecimento de água e de saneamento básico do Estado de MInas. Além de Teófilo Otoni, o projeto beneficiará cerca de 30 municípios da região. Os investimentos, da ordem de R$ 300 milhões, que estão sendo viabilizados por meio da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), compreendem a  construção, em Teófilo Otoni, de uma barragem de 32 metros de altura no leito do Rio Todos os Santos e a implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

As obras de construção da barragem e da ETE já estão em fase final e, já a partir do primeiro semestre deste ano, vão garantir a revitalização e despoluição do Rio Todos os Santos, principal fonte de abastecimento de água da população de Teófilo Otoni. Com capacidade para acumular 12 milhões de metros cúbicos de água, a barragem conta com investimentos de R$ 120 milhões. A implantação dos empreendimentos geraram 550 empregos diretos.

De acordo com os engenheiros da Copasa, José Lopes da Silva e Márcia Nogueira de Almeida, a barragem proporcionará grande ganho ambiental para a região de Teófilo Otoni, uma vez que, além de resolver o problema de abastecimento de água da população, viabilizará a recuperação de uma das mais importantes bacias hidrográficas do Vale do Mucuri.

Desenvolvimento regional

A previsão é de que esses investimentos garantam, nos próximos 50 anos, o abastecimento de água a uma população atualmente superior a 130 mil habitantes, além da regularização do Rio Todos os Santos, que seca em períodos de estiagem prolongada. Já nos períodos de chuva, a barragem contribuirá com a redução dos problemas de enchentes enfrentados pela população.

-Os investimentos na construção da barragem são fundamentais para a região, pois solucionarão um problema crônico de abastecimento que a população local enfrenta nos períodos de seca e que vinha se agravando nos últimos anos, afirma o gerente do Departamento Operacional Nordeste da Copasa, Sérgio da Costa Ramos. 

Municípios beneficiados

Além de Teófilo Otoni, outros municípios do Vale do Mucuri estão sendo contemplados com a execução de obras de saneamento e abastecimento de água por parte do Governo de Minas. Nos municípios de Serro, Itaobim, Araçuaí e Carlos Chagas, as obras de implantação de estações de tratamento de esgoto já foram concluídas. Já nas cidades de Mata Verde, Divisópolis, Serra dos Aimorés, Diamantina, Capelinha, Turmalina, Minas Novas, Pedra Azul, Itamarandiba, Jequitinhonha, Joaíma, Santa Maria do Suaçuí, Medina e Nanuque, as obras estão em andamento, algumas delas já em fase de conclusão.

Entre os investimentos viabilizados, a Copasa iniciará brevemente as obras de ampliação do sistema de abastecimento de água do município de Itamarandiba, totalizando R$ 9 milhões. Por outro lado, em doze cidades de menor porte do Vale do Mucuri, o Governo do Estado investirá R$ 3 milhões neste ano, na ampliação da produção de água, visando resolver problemas enfrentados pela população em períodos de seca prolongada.

Barragem viabiliza criação de nova reserva de Mata Atlântica

Além de resolver o problema de abastecimento de água de Teófilo Otoni e de reduzir os problemas causados por enchentes em períodos de chuva, a construção da barragem no leito do Rio Todos os Santos proporcionará considerável ganho ambiental ao Vale do Mucuri, com a criação de uma nova reserva florestal. A área será constituída em 998 hectares e a região do semiárido passará a contar com uma importante reserva de Mata Atlântica.

Os engenheiros José Lopes da Silva e Márcia Nogueira de Almeida explicam que, apesar da formação do lago da barragem ocupar apenas 128 hectares, o Governo de Minas adquiriu uma área de quase mil hectares, que proporcionará a criação de uma importante reserva de Mata Atlântica no entorno da barragem.

-A iniciativa trará consideráveis ganhos para a preservação da flora e da fauna, prevêem os engenheiros.

Fonte: Agência Minas


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