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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JEQUITINHONHA: MUNICÍPIO É O QUE MAIS DESMATOU EM MINAS EM 2008-2009

O maior desmatamento se deu em Minas Gerais, com 115,8km² dos 248,8 km² desmatados em todo o país. Também está em Minas o município que mais desmatou: Jequitinhonha, com 21,7 km².

Foto meramente ilustrativa
A taxa de desmatamento na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal, no período 2008-2009, diminuiu quando comparada com os anos anteriores. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e são baseados em mapas do satélite Landsat, que captam desmatamentos de áreas superiores a três hectares. As imagens são feitas no período da seca - em geral no mês de setembro - uma vez que as nuvens impedem a captação de imagens.

- O resultado mostra que você está reduzindo a dinâmica do desmatamento. Embora esteja ocorrendo conversão de vegetação nativa, isso está ocorrendo num ritmo menor - avaliou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, houve vários fatores que contribuíram para o resultado.

- Houve grandes ganhos de produtividade (na agricultura), portanto não há tanta necessidade de expansão das áreas. É um dos fatores. Outro é o avanço nos últimos anos de fiscalização. Como temos dados melhores de monitoramento, sabemos onde alocar os recursos de fiscalização - afirmou o secretário.

No Pantanal, foram desmatados 188km² no período 2008-2009 (uma taxa média anual de 0,12% do bioma), enquanto nos seis anos anteriores 4.279 km² de vegetação nativa haviam sido convertidos para uso humano. De 130.212 km² em 2002, restam agora 125.708 km². O município que mais desmatou foi Corumbá, no Mato Grosso do Sul, com 67,64 km². Isso se explica porque o município é o maior em extensão na região.

Apesar de ser um dos biomas mais bem conservados do país, o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias, chamou a atenção para uma mudança no tipo de desmatamento no Pantanal, que antes se concentrava na borda do bioma.

- O preocupante é que agora a frente de desmatamento está saindo do entorno do bioma, e estamos detectando no interior do Pantanal. Isso significa conversão da vegetação natural para pasto.

No Pampa, no Rio Grande do Sul, 331 km² de vegetação nativa foram convertidos para uso humano no período 2008-2009, o equivalente a 0,18% do bioma.

- No Pampa, há pressão de rizicultra, pressão para reflorestamento de eucaliptos. Existe uma pressão por papel não só no Brasil, mas também pelas empresas instaladas no Uruguai. Também há pressão da agropecuária, para conversão da vegetação nativa em pasto - afirmou Bráulio Dias, destacando ainda que, para preservar o Pampa, o ministério está incentivando o uso da própria vegetação do bioma como pasto.

Já a Mata Atlântica, o bioma menos conservado entre os três, foi também o com menor taxa de desmatamento no período: 0,02%. Para Dias, isso significa que o Brasil está no caminho do desmatamento zero da Mata Atlântica. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba, tiveram desmatamento zero no período.

Nesse bioma, o maior desmatamento se deu em Minas Gerais, com 115,8km² dos 248,8 km² desmatados em todo o país. Também está em Minas o município que mais desmatou: Jequitinhonha, com 21,7 km². Em termos proporcionais, o estado que mais desmatou foi a Bahia, com 0,06% de sua área total de Mata Atlântica. Juntos, Minas e Bahia responderam por 73% do desmatamento no período 2008-2009.

A ministra Izabella Teixeira ressaltou que os dados apontam tudo o que foi desmatado em áreas acima de três hectares, mas não é possível discernir quanto disso é legal e quanto é ilegal. Bráulio Dias destacou que o ministério pretende ampliar a resolução das imagens de satélite, permitindo ver propriedade por propriedade.

No período 2008-2009, o bioma brasileiro mais desmatado foi o cerrado, com 7.637 km² convertidos para uso humano, ou 0,37 de sua área total.

O evento em que os dados foram anunciados também foi o último de que Bráulio Dias participou como secretário do ministério. Na semana que vem ele assume o cargo de secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, com sede em Montreal, no Canadá.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

MUNICÍPIOS DO VALE LIDERA ESTATÍSTICAS DE DESMATAMENTO DA MATA ATLÂNTICA


Entre os municípios campeões de desmate, três estão em Minas, são elas: Águas Vermelhas (Norte de Minas), Jequitinhonha e Ponto dos Volantes (Vale do Jequitinhonha), 1º, 3º e 5º, respectivamente.

A taxa de desmatamento da Mata Atlântica voltou a apresentar uma leve queda entre 2010 e 2011, em relação à perda de cobertura florestal que havia ocorrido no biênio anterior (2008 a 2010), mas os dados levantam a bandeira vermelha de que o bioma mais devastado do Brasil continua sendo ameaçado.


Essa é a interpretação feita pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulgaram nesta terça, 29, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.

Olhando apenas a estatística, a devastação praticamente ficou estável. No biênio 2008- 2010, o desmate tinha sido de 31.195 hectares - cerca de 15.500 por ano. Entre 2010-2011 (período de um ano) foi de 13.312 ha ou 133 km². Mas houve aumento significativo na Bahia e em Minas, líderes no ranking do desmate (mais informações nesta página). E justamente esses Estados estiveram muito cobertos por nuvens durante a observação pelo satélite (cerca de 60% de visualização).

"Não posso afirmar que parou ou diminuiu o desmatamento porque grande parte de Bahia e de Minas não foi avaliada. Certamente se eu tivesse imagens - como esses são os Estados mais críticos - teríamos observado mais desmatamento ali", explica Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica.

Além disso, no levantamento anterior haviam sido mapeados 16 dos 17 Estados originalmente cobertos pela Mata Atlântica e neste foram somente dez. Em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte, a análise foi impossibilitada pela ocorrência de nuvens. Piauí não foi avaliado em nenhuma ocasião. "Vimos queda em termos absolutos, mas se tivesse todas as informações, provavelmente esse total seria maior."

Segunda Márcia, a ameaça na Bahia e em Minas, onde o problema já tinha sido identificado no levantamento anterior, são os fornos de carvão. O alvo são sobretudo as regiões com as chamadas "matas secas", um tipo de vegetação que lembra a do Cerrado e por isso às vezes é confundida com ele. Mas pela lei da Mata Atlântica, de 2006, não é.

Entre os municípios campeões de desmate, três estão em Minas (Águas Vermelhas, Jequitinhonha e Ponto dos Volantes, 1º, 3º e 5º, respectivamente), formando o que especialistas chamaram de "triângulo do desmatamento". Lá, a pressão é dos fornos.

Para a equipe, apesar de o total de desmate parecer pequeno, os dados são significativos porque restam 7,9% de Mata Atlântica no País, quando analisados os fragmentos com mais de 100 hectares - tamanho considerado representativo para a conservação da biodiversidade.

Código Florestal. Mario Mantovani, diretor de Políticas da Mata Atlântica, alerta que o dado também é significativo diante da mudança do Código Florestal. Apesar de a lei da Mata Atlântica prevalecer sobre o Código, garantindo a proteção ao bioma, ele reduz a necessidade de recomposição de mata ciliar que tenha sido desmatada. Na avaliação dos especialistas, para a Mata Atlântica, a recuperação é até mais importante, visto que a maior parte já está destruída.

Isso põe em risco, segundo eles, o fornecimento de água das grandes cidades, como São Paulo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

VALE DO JEQUITINHONHA ÁREAS INTEIRAS DE MATA ATLÂNTICA SÃO LIBERADAS PARA DESMATAMENTO

O Triângulo do desmatamento, formado pelos municípios de Jequitinhonha e Ponto dos Volantes (Vale do Jequitinhonha) e Águas Vermelhas (Norte de Minas) foi a região que mais desmatou esse tipo de bioma no Brasil.


Nos últimos dois anos, região desmatou cerca de 3 mil hectares de mata. Apenas 7% da área nativa desse bioma ainda sobrevive à ação do homem.

Na mata fechada é possível encontrar clareiras e fornos de carvão ainda acesos. No norte de Minas Gerais, o chamado Triângulo do  desmatamento é considerado pela ONG SOS Mata Atlântica como a região que mais destruiu esse tipo de bioma no país.

O triângulo é formado pelos municípios de  Jequitinhonha Ponto dos Volantes e  Águas Vermelhas. Nos últimos dois anos, a região desmatou cerca de 3 mil hectares de  Mata Atlântica.

Clique na imagem para ver o vídeo

Na entrada do município a placa indica que  Águas Vermelhas respeita o meio ambiente, mas o município foi responsável por quase 20% de todo o  desmatamento em Minas Gerais entre 2010 e 2011.

A ONG usou imagens de satélite e fez sobrevoos. Márcia Hirota é diretora da SOS  Mata Atlântica. As imagens servem de documento no relatório preparado pela fundação.

Parte de uma área no município de  Águas Vermelhas, no norte de Minas Gerais, que há menos de um ano era ocupada por mata nativa já tem o plantio de eucalipto.

A lei 11.428, de 2006, deixa expresso que o corte de vegetação primária no Bioma  Mata Atlântica só pode ser autorizado em caráter excepcional para obras de utilidade pública, pesquisa científica e práticas preservacionistas. No caso de matas em outros estágios de regeneração, caberá ao órgão estadual competente conceder a licença ambiental.

Não é difícil encontrar tratores derrubando e arrumando toras recém-cortadas. Trabalhadores de uma carvoaria que colocavam toras nos fornos confirmaram que retiraram a madeira de uma área de mata nativa. No local fica a fazenda Paty, que pertence ao fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito, conhecido como Seu Dadá, que mora em Vitória da Conquista, na Bahia.

O fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito não quis dar entrevista, mas por meio de nota informou que a propriedade foi o primeiro imóvel da região a conseguir autorização para a supressão da cobertura vegetal nativa com destoca para a produção de carvão vegetal nativo e o cultivo de eucalipto. Ele enviou ainda cópia dos documentos emitidos pela Secretária de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais. Um dos documentos, que vence em janeiro de 2014, permite a supressão de 50 hectares de mata nativa e outro para 90 hectares, que vence em agosto deste ano.

Em Minas Gerais, muitos fazendeiros têm licença para o desmate. Desde 2011, é a Supram, Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o órgão que concede as licenças no estado. O escritório regional do Alto Jequitinhonha, responsável pela atuação na região, fica em Diamantina, distante quase 500 quilômetros de  Águas Vermelhas. Segundo a superintendente Eliana Piedade Machado, as autorizações são aprovadas por uma comissão formada por vários órgãos ambientais. De 2008 para cá, foram conseguidas 180 licenças de desmate na região, num total de 18 mil hectares.

“É uma região que tem um desenvolvimento socioeconômico muito precário. A gente tem que pensar também na realização de atividades econômicas. Por muitos anos, a economia local se baseou na cadeia produtiva do carvão. Hoje, a gente tem a citricultura chegando fortemente na região. É uma atividade econômica. A região precisa também se desenvolver. O grande desafio é conciliar esse desenvolvimento com a preservação ambiental”, justifica Eliana.

As autorizações concedidas no município de  Águas Vermelhas se basearam na avaliação que as áreas são de  Mata Atlântica Secundária, em estágio inicial de regeneração. Por isso, é exploração pode ser permitida. Para caracterizar o estado de uma vegetação são analisados fatores como o porte das árvores, a densidade das matas e a existência de espécies vegetais protegidas por lei.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Rio Fanado corre risco de extinção

Ambientalistas e autoridades pedem o apoio de deputados para evitar desaparecimento da bacia hidrográfica.

O Rio Fanado, que tem cerca de 120 km de extensão e passa pelos municípios de Angelândia, Capelinha, Turmalina e Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, está secando e pode ser extinto em poucos anos. A denúncia foi feita por ambientalistas, prefeitos e vereadores da região aos deputados da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (17/10/17).
Gestores das cidades impactadas evitaram apontar culpados, mas fizeram cobranças e sugeriram ações de recuperação do curso de água - Foto: Clarissa Barçante




O presidente do Movimento SOS Fanado, Daniel Costa Souza, explicou que a situação é crítica e pede providências urgentes. Ele defendeu que o Estado realize ações para recuperação e proteção de nascentes, assim como de fiscalização das outorgas de água.“O que se vê é irresponsabilidade na gestão. Pagamos taxa de esgoto, mas não temos contrapartidas. As cidades que vivem do rio clamam por ações concretas para a sua proteção”, disse.
O ambientalista também citou como causas para o quase desaparecimento do Rio Fanado a irrigação irregular de grandes lavouras de café e eucalipto, o desmatamento sem controle, as queimadas em grande escala e o despejo de esgoto sem tratamento.Ele acrescentou que a erosão causada pela abertura de estradas, as lavras de minério e a ausência de cercamentos de nascentes para preservação das matas ciliares também são entraves para a recuperação do curso de água.
“Temos que conscientizar as comunidades, cobrar o tratamento do esgoto e a construção de barragens, além da inclusão do rio no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG)”, completou Daniel.
Prefeitos apontam caminhos para recuperação
Os gestores das cidades impactadas pela destruição do Rio Fanado evitaram apontar culpados, mas fizeram cobranças e sugeriram ações de recuperação da bacia hidrográfica.
O prefeito de Turmalina, Carlos Barbosa Xavier, por exemplo, destacou que a crise hídrica é mais grave no Vale do Jequitinhonha. Para ele, apesar da responsabilidade ser de todos, existe omissão dos agricultores e do governo, que não faz a fiscalização necessária. “Vivemos uma situação de calamidade pública”, lamentou.
O prefeito de Angelândia, João Paulo Souza, e o vice-prefeito de Minas Novas, José Felipe Mota, afirmaram que é preciso buscar novas formas de captação de água, assim como de construção de barragens. Já o prefeito de Capelinha, Tadeu Fernandes de Abreu, cobrou ações efetivas do Estado, no sentido de recuperar nascentes e matas ciliares.
Copasa reconhece passivo, mas garante mais recursos
O diretor de Operações Norte da Copasa, Gilson de Carvalho Queiroz Filho, entende que o problema deve ser resolvido por diversos atores, entre eles a concessionária de água e esgoto.
Gilson (centro) disse que houve uma significativa queda nos volumes de chuva nos últimos três anos - Foto: Clarissa Barçante
Ele destacou que a mudança climática mundial levou a uma significativa queda nos volumes de chuva nos últimos três anos. “A água é usada para beber e também para a agricultura. Por isso, temos que encontrar um equilíbrio no uso. A monocultura de eucalipto, por exemplo, deve ser mais bem regulada pelo Estado”, salientou.
Gilson citou os programas estaduais Cultivando Água Boa, o Pro-Manaciais e o Plantando o Futuro como ações de recuperação de bacias hidrográficas e nascentes. Ele reconheceu que a Copasa e sua subsidiária Copanor têm um passivo no que se refere ao recolhimento de esgoto, mas, conforme disse, hoje existem mais recursos para o incremento de iniciativas e investimentos ambientais.
“Podemos e queremos trabalhar nas diversas regiões do Estado, inclusive na Bacia do Rio Fanado”, garantiu o representante da Copasa.
Deputados propõem grupo de estudos no Jequitinhonha
Após os debates, os parlamentares sugeriram ações e medidas de gestão das águas no Vale do Jequitinhonha e na Bacia do Rio Fanado. Os deputados Rogério Correia e Doutor Jean Freire (ambos do PT) propuseram formar um grupo técnico para avaliar o que é necessário para salvar o rio.
"Esse grupo traçaria um diagnóstico e, a partir disso, programas de execução e intervenção da crise hídrica. Seriam ações de curto, médio e longo prazo", afirmou o deputado Rogério Correia.
O presidente da comissão e autor do requerimento que motivou o debate, deputado Doutor Jean Freire, lembrou a ameaça de extinção de outros rios do Vale do Jequitinhonha. Ele alertou que, somente agora que as cidades sofrem com a falta de água, os órgãos de governo estão sendo responsabilizados.
O parlamentar teve, ainda, diversos pedidos de providências referentes ao debate aprovados na comissão.
Fiscalização – Os deputados Tito Torres e Gustavo Valadares (ambos do PSDB) cobraram mais intervenções do Governo do Estado na gestão dos rios mineiros, tendo em vista a escassez de água. Para ambos, é preciso verificar como estão sendo usados os recursos hídricos pelo agronegócio e pelas indústrias.
O deputado Gustavo Santana (PR) defendeu a elaboração de uma política pública baseada na preservação das nascentes, com a fiscalização do uso da água tanto pelas comunidades ribeirinhas como por agricultores e indústrias. 
Ao final, a deputada Marília Campos (PT) e o deputado Geraldo Pimenta (PCdoB) manifestaram seu apoio à defesa do Rio Fanado e a uma melhor gestão das bacias hidrográficas mineiras.
Via ALMG

quarta-feira, 14 de março de 2012

ARPA-MN TEM PROJETO PILOTO DE RECUPERAÇÃO DE NASCENTES E MATA CILIAR DO RIO FANADO APROVADO


A ARPA-MN TEVE APROVADO PROJETO PILOTO DE RECUPERAÇÃO DE NASCENTES E MATA CILIAR DO RIO FANADO NO VALOR DE R$345.168,56 JUNTO FHIDRO (Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais).

Fonte: Blog ARPA-MN

Formado pela junção dos córregos Arrependido e São Benedito, o rio Fanado nasce no município de Angelândia e percorre um trecho de, aproximadamente, 120 km até a sua foz no rio Araçuaí, no município de Minas Novas. Abrange um território de 1.369 km² assim distribuídos: Angelândia que está integralmente na bacia possui 180km², Capelinha possui 564km² na bacia, Turmalina, 61km² e Minas Novas, 564km² (conforme Figura 2).

Há muitos anos preocupados com os problemas ambientais da região e com a visível redução dos recursos hídricos da bacia, em quantidade e em qualidade, agravados por práticas agrícolas insustentáveis e pelo crescimento das cidades que ali se inserem, representantes de órgãos públicos e de entidades e organizações da sociedade civil compuseram, em 2003, uma Comissão Pró-Agenda 21 da Bacia do Rio Fanado. Essa comissão, através do Instituto de Estudos Pró-Cidadania – PRÓ-CITTÀ, propôs ao Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, ligado ao Ministério do Meio Ambiente – MMA, o projeto “Construção da Agenda 21 da bacia do rio Fanado”, aprovado em dezembro/2003, cuja execução iniciou-se em junho/2004, sendo concluída em junho/2006.

A construção da Agenda 21 da bacia do rio Fanado consistiu numa iniciativa das comunidades dos municípios que compõem a bacia do Fanado, as quais, sob a coordenação da ONG PRÓ-CITTÀ, reuniram os governos municipais e a sociedade civil local na implementação inicial de um amplo processo de planejamento voltado para o desenvolvimento sustentável da região. Um dos produtos/resultados do projeto da Agenda 21 foi um Plano de Ação, construído de forma participativa, no qual se encontra elencada uma série de propostas de atividades essenciais para que se avance no sentido de se construir um futuro melhor para a comunidade do Fanado. No processo de construção do Plano de Ação, a comunidade do Fanado definiu que a “Recuperação da mata ciliar e proteção das nascentes da bacia do rio Fanado” deveria ser o projeto prioritário da proposta da Agenda 21, aquele para o qual devem concorrer os investimentos e financiamentos orientados para a recuperação ambiental da bacia.

Dada a grande extensão da bacia do rio Fanado e a alta degradação ambiental decorrente do desmatamento, das práticas agrícolas inadequadas e pelo lançamento de esgoto in natura nos cursos d’água, a Associação de Recuperação e Proteção Ambiental de Minas Novas – ARPA-MN, constatou que a recuperação da bacia depende de um longo programa de recuperação de matas ciliares e proteção de nascentes, do tratamento do esgoto das cidades inseridas na bacia, do desenvolvimento de ações de educação ambiental e da oferta de alternativas econômicas sustentáveis para os seus moradores.

Assim, com o intuito de aumentar a qualidade e o volume das águas na bacia do rio Fanado, além de melhorar a qualidade de vida da população e efetivar as ações prioritárias elencadas no Plano de Ação da Agenda 21 da Bacia do Rio Fanado, a ARPA–MN vem propor um projeto que pretende ser o piloto de um longo programa de recuperação da bacia, iniciando suas ações na microbacia do córrego Arrependido, um dos principais formadores do rio Fanado.

Uma vez que o uso agrícola das faixas ciliares dos cursos d’água é não só uma prática cultural, como também, por vezes, a única alternativa econômica dos pequenos agricultores na região, o projeto pretende implantar Sistemas Agroflorestais – SAF, em áreas pré-selecionadas, onde os proprietários já manifestaram interesse na implantação. Estas áreas pré-selecionas estão todas situadas em Áreas de Proteção Ambiental – APP, da microbacia do córrego do Breu, um dos principais afluentes do Arrependido.

A implantação dos SAF na microbacia do córrego do Breu, além de possibilitar a recuperação das faixas ciliares desmatadas, oferecerá alternativas de renda para a população diretamente envolvida no projeto e estimulará outros produtores rurais a adotarem os SAF em suas propriedades, ampliando assim as possibilidades de recuperação das matas ciliares em toda a microbacia do córrego Arrependido.

Pretende-se que o projeto tenha uma continuidade, tornando-se auto-sustentável, e para que isso ocorra, além da implantação dos SAF, serão desenvolvidas, junto aos pequenos agricultores e à comunidade escolar, atividades de capacitação e educação ambiental que perdurarão para além do prazo de execução do projeto, uma vez que será também implementado uma Unidade Técnica Ambiental – UTA, no município de Angelândia, funcionando como uma referência para agricultores e escolas da região.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A SECA CORRE PELO VALE DO JEQUITINHONHA E MUCURI


Rio Jequitinhonha, ícone de uma região rica em cultura mas carente economicamente, exibe efeitos da sede de seus afluentes. Muitos agora só correm na chuva. Outros apenas sumiram.

E a ponte virou viaduto: em Salinas, onde passava o rio, hoje ficou só a areia que um dia foi trazida pela água
Diamantina, Coronel Murta, Araçuaí e Virgem da Lapa – O Rio Jequitinhonha empresta sua riqueza em forma líquida irrigando uma das regiões mais secas do estado e uma das mais pobre do país. Por isso, é vital para os 72 municípios da bacia, uma população estimada em 800 mil pessoas. Apesar disso o rio, um ícone da região que transpira cultura, tornou-se doente há décadas, envenenado por garimpos ilegais e extração de areia. Com a construção da   hidrelétrica de Irapé, inaugurada em 2006, a vazão melhorou. Mas o aspecto positivo se restringe ao leito principal. No restante da bacia, dezenas de pequenos rios e córregos que eram perenes hoje só correm quando chove. Muitos sequer existem mais. Dos que resistem, muitos estão contaminados por esgoto doméstico e lixo. 

Ao percorrer a bacia, a equipe do Estado de Minas se deparou com casas abandonadas em vários pontos da zona rural, denunciando um êxodo que também é conseqüência do desaparecimento dos rios e córregos. “À medida que acabam os cursos d’água, cresce a saída de pessoas para o corte de cana no interior de São Paulo e colheita de café no Sul de Minas. Sem água, não tem como sobreviver”, afirma o técnico José Humberto Limo, extensionista da Emater em Araçuaí. Segundo ele, estudos apontam que mais de 70 córregos e pequenos rios já desapareceram no vale em três décadas. As causas são variadas: assoreamento, queimadas, monocultura de eucalipto no Alto Jequitinhonha, desmatamento para plantio de capim e destruição das matas ciliares. 

O Rio Araçuaí, maior afluente do Jequitinhonha, é o retrato de algumas dessas agressões e está ameaçado pelas dragas da extração de areia, pelo lançamento de esgoto e pelo lixo jogado nas suas margens, como ocorre no município que divide com o rio seu nome e seus detritos. Uma situação agravada pelo fato de muitos tributários simplesmente terem desaparecido. Um deles é o Córrego São Domingos, que atravessa a área urbana de Virgem da Lapa. Ali, uma grande ponte revela que um dia o São Domingos correu forte. Hoje, a travessia virou viaduto: debaixo dela sobrou um imenso leito seco. Onde falta água, agora sobra lixo. “Por causa do cultivo do eucalipto, desmataram áreas perto da nascente. Acabaram com a biodiversidade e com a água”, afirma o empresário Charles Ursine, que luta pela revitalização do curso d’água.

O último levantamento do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), de 2011, mostra que o Índice de Qualidade das Águas (IQA) bom do Jequitinhonha caiu de 50% para 42% desde o ano anterior, enquanto o médio subiu de 40% para 49%. As amostras ruins passaram de 10% para 8% e o índice muito ruim, inexistente em 2010, passou a marcar 1%.

Segundo a gerente de Monitoramento Hidromeorológico do Igam, Wanderlene Fereira Nacif, os fatores que mais contribuíram para os índices foram o lançamento de esgoto e o mau uso do solo. A barragem de Irapé contribuiu para aumentar a vazão do Jequitinhonha e facilitou o trabalho de um grupo de mulheres que integram o cenário do rio: as lavadeiras. Uma delas é  Maria Rita de Jesus, de 57, que ganha R$ 15 por trouxa lavada e confirma ter percebido a mudança.

Mas a usina que beneficiou as lavadeiras incomoda os pescadores. “Depois da usina, os peixes sumiram”, protesta José Pedro Lopes de Almeida, de 49. Ele conta que há mais de 40 anos pesca no ponto em que o Jequitinhonha recebe o Araçuaí. “Já peguei até 80 quilos de peixe por dia. Hoje, a gente arma a rede e ela sai da água cheia de lodo”, lamenta o pescador, que diz não encontrar mais espécies como piau, piabanha e surubim.

No leito seco do Jurucutu, Clemente e Adevaldo, pai e filho, já não sabem como vão manter a plantação

A asfixia do Mucuri

As margens devastadas dão indício de quão desprotegido anda o curso d’água que corta o nordeste do estado até desaguar na Bahia, com desafio de fertilizar uma região castigada pela seca e a pobreza. No período de apenas um ano, o Rio Mucuri, que domina a bacia vizinha do Jequitinhonha, teve redução expressiva nas águas de boa qualidade e ainda viu aumentar a contaminação por substâncias tóxicas e metais pesados, de acordo com o último monitoramento do Igam. No que se refere ao IQA – índice que reflete, principalmente, o problema do esgoto – houve redução brusca das amostras consideradas boas, que despencaram de 30% para 9% na comparação entre 2010 e o ano passado.

O parâmetro que mede a presença de tóxicos tampouco foi favorável, sendo que amostras com contaminação média ou ruim saltaram de 11% para 18% das ocorrências no mesmo período. Pressões que ameaçam peixes endêmicos da bacia, como a vermelha. “Em vários municípios estamos observamos a diminuição progressiva da vazão dos rios. A grande devastação ambiental provocada inicialmente pela extração de madeiras e posteriormente pela criação de pastagens contribui para tonar a região uma das mais degradadas e de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano”, afirma a presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Mucuri, Alice Godinho. (Flávia Ayer)

Fonte: EM


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