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Reverter a pobreza em riqueza é possível. Acima Fotos de Seul – Coréia do Sul em 1961, quando a Coréia era mais pobre que muitos países africanos e hoje, uma das Nações mais prósperas da Terra.
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Felizmente o número de
regiões desenvolvidas é maior do que as subdesenvolvidas. Porém, o que fazer
para mudar a realidade dessas últimas?
Talvez muitos pensem que a
coisa não é tão simples assim e não existem fórmulas mágicas para o
desenvolvimento econômico e social.
E estão certos.
Se a coisa fosse fácil,
podem ter certeza, alguém já teria feito há muito tempo e colhido os louros da
façanha.
Porém, havemos de concordar
sobre uma verdade simples; a falta de
boa vontade política, competência e ação de dos políticos do chamado Norte
Mineiro e outras regiões que englobam os municípios mais pobres de Minas como,
Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce, tornam a coisa como está.
Reverter pobreza em riqueza pode não ser fácil, mas
também não é coisa de outro mundo e os políticos locais, associações de
moradores, e até ONGs não movem sequer uma palha pra reverter esse quadro.
Segue abaixo, algumas
ações simples que as lideranças políticas do Grande Norte Mineiro podem tomar
para atenuar e caso sejam bem coordenadas, reverter a situação calamitosa de
pobreza e desigualdade em riqueza e desenvolvimento econômico.
Incentivos
Fiscais Eficazes:
No ano de 2011, o então
Governador Antônio Anastasia lançou um projeto que, a primeira vista parecia
interessante, embora tardio. A Sudene Mineira! O projeto de lei previa
incentivos fiscais para as empresas que se instalassem na região do Grande Norte Mineiro, aumentando a
competitividade da mesma e gerando empregos e renda.
O que o governador no entanto “esqueceu”, é que o projeto previa
esses benefícios para cidades já
consolidadas como destino de muitas empresas (Montes Claros, Janaúba, Pirapora)
e as cidades extremamente miseráveis e necessitadas ficaram de fora.
Na ocasião, o
deputado estadual pelo PV, Fábio Ramalho afirmou:
"Essas regiões têm o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, sem infraestrutura e com pouquíssima mão de obra. Se não houver incentivos a mais para as indústrias se instalarem lá, todas, com certeza, irão para a região de Montes Claros, que é muito mais desenvolvida", aponta Ramalho.
Para que as empresas se
interessem em se instalar na região, entre outras são necessários incentivos
fiscais REALMENTE EFICAZES que torne o processo de produção e consumo na região,
interessantes. Tais incentivos devem ser concedidos em todas as esferas do
governo; ou seja, estadual (redução drástica do ICMS) Federal, (PIS, Cofins) e
municipal (ISS). Vale ainda ressaltar que o Grande Norte Mineiro encontra-se na
área de atuação da SUDENE, ou seja, já existem muitos benefícios fiscais para
que empresas se instalem lá. Isso prova que não basta existirem os benefícios,
eles tem de ser eficazes e tem que estar dentro de um contexto.
Pacote
de Infraestrutura
Desnecessário dizer que
sem infraestrutura adequada não tem como haver crescimento econômico. Talvez
esse seja o principal motivo por qual o Grande Norte Mineiro não conheceu o tão
sonhado desenvolvimento.
Conclui-se então que um
pacote de obras de infraestrutura que promova o desenvolvimento integrado da
região é além de necessário, é também urgente!
Como todos sabemos, obras
de infraestrutura tocadas pelo estado são custosas, superfaturadas, e feitas do
modo mais porco possível, com insumos de
péssima qualidade.
Uma ótima oportunidade
para se entregar a infraestrutura do Grande Norte Mineiro nas mãos da
iniciativa privada. Em uma licitação de um pacote de infraestrutura que
contemple o semiárido mineiro não faltariam empresas interessadas. Algumas
obras poderiam ancorar o desenvolvimento das vocações econômicas já existentes
e atrairiam aportes privados importantes. Algumas delas:
Reconstrução
da BR 367 de Diamantina-MG à Santa Cruz de Cabrália-BA atrairia
o movimento de cargas na região, seria uma importante opção para escoar a produção do sul-sudeste para o nordeste.
Vejam o estado lastimável da BR 367:
Uma
Ferrovia que sirva para escoar o minério da região de Rio pardo e Grão Mogol e
possa também transportar produção agrícola. Em 2010, todos
ficaram extremamente animados coma noticia de que uma estrada de ferro seria
construída nas regiões mais necessitadas de Minas. Pura Balela! A previsão para
o início das obras estava entre 2012 – 2013. Hoje, seque estudos de impacto
ambiental foram feitos. Enquanto isso, jazidas enormes de minério de ferro e milhões
de reais em investimentos estão parados,
esperando obras deste tipo.
Adequação
de aeroportos regionais com terminais de cargas visando exportação da produção
agrícola da região. Dos vários aeroportos existentes no Grande
Norte, alguns poderiam ser adequados para a exportação da produção agrícola, do
artesanato produzido na região e da movimentação de cargas.
Um
sistema de dessalinização da água do mar que venha a suprir a demanda de
consumo humano e atenda um programa de agricultura irrigada.
A proximidade do Vale do
Jequitinhonha com o mar não é explorada de forma alguma. Mesmo estando bem
perto de várias possibilidades de crescimento que a pouca distância com o
oceano traz, o governo mineiro nunca sequer cogitou a possibilidade de explorar
essa vertente. Como podemos ver no vídeo acima, a dessalinização da água do mar
já é uma realidade em alguns estados brasileiros. O que nos deixa mais
impressionados, é que a região de Minas que mais sofre com a seca que destrói
não somente a economia, como também vidas, é a que mais fica perto do
atlântico. Todos fatores conspiram pra um programa de dessalinização de água do
mar ser implantado ali. Menos a visão estratégica do nosso executivo. Em
Israel, a dessalinização da água não somente atende a demanda humana, como
também é usada em um sistema de agricultura irrigada na produção de frutas,
prosperando a renda das famílias e a economia do país.
Industrialização
dos Recursos Naturais
Embora seja pouco
informado, o solo do Grande Norte é extremamente rico. Muitos minerais de valor
estratégico e pedras preciosas repousam sob aquela região. As enormes
jazidas de minério de ferro encontradas
há poucos atrás em Rio Pardo e Grão Mogol, embora com baixo teor ferrífero, são
viáveis economicamente,e, são apenas
uma pequena amostra do grande potencial regional. Há muitos anos atrás, já foi comprovado a existência de
petróleo tipo Brent no município de Itinga, embora tenham faltado pesquisas
para que provasse a quantidade desse petróleo e se o mesmo tinha exploração
econômica viável. As enormes minas de
Granito em Medina também tem bom potencial de exploração e industrialização e
até mesmo exportação. Recursos naturais, o Grande Norte mineiro tem. Falta a
instalação de uma cadeia produtiva eficiente.
Conclusão:
Mediante todas informações
apresentadas, conclui-se que a miséria no grande Norte Mineiro (região
“geo-social” composta pelas regiões Norte, Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce)
existe mais pela falta de boa vontade política e pelo coronelismo local do que
pela falta de expectativa de futuro. A indústria da seca enriquece os donos de
caminhões-pipa. A construção de barragens, ou mesmo um ambicioso projeto de
dessalinização da água do mar levaria essa gente à bancarrota. A indústria
extrativista pode ser usada como trampolim para um desenvolvimento econômico
sustentável e que tire a região da miséria e dê expectativa de vida à população
local, para que a mesma não precise migrar aos grandes centros em busca de uma
vida melhor.
A classe política regional e estadual sabe disso, e explora bem tal fato. De 4 em 4 anos se apresentam à população como salvadores da pátria, Messias de uma era que desde o fim da exploração dos portugueses nunca chega, sempre estabelecendo seu poderio regional e se reelegendo sempre que possível. A população também tem sua parte de culpa, pois não se organiza, não procura saber das potencialidades do lugar que mora e nem dela própria. Permanece com o cérebro preso no cabresto, simplesmente preocupada demais em como sobreviverá no dia seguinte. Essa cadeia de fatores faz do vale o que ele é; Um lugar rico, com um solo rico, de um povo rico que infelizmente, vive na pobreza.
A classe política regional e estadual sabe disso, e explora bem tal fato. De 4 em 4 anos se apresentam à população como salvadores da pátria, Messias de uma era que desde o fim da exploração dos portugueses nunca chega, sempre estabelecendo seu poderio regional e se reelegendo sempre que possível. A população também tem sua parte de culpa, pois não se organiza, não procura saber das potencialidades do lugar que mora e nem dela própria. Permanece com o cérebro preso no cabresto, simplesmente preocupada demais em como sobreviverá no dia seguinte. Essa cadeia de fatores faz do vale o que ele é; Um lugar rico, com um solo rico, de um povo rico que infelizmente, vive na pobreza.
* Douglas Ribeiro Soares é mineiro, reside no município de Betim e escreve para o Blog do Jequi de forma apolitica e apartidária. É simpatizante do movimento libertário, o que ajuda a analisar a política e a economia do Estado de Minas Gerais de forma independente em colunas periódicas aqui no blog.
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