A Operação Bicho do Mato II, realizada pela Secretaria de Estado de
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), terminou no último
domingo (25/10/2015) com a apreensão de 880 animais, sendo 879 aves e um
réptil, e a aplicação de R$ 901.828 em multas e 75 pessoas presas. Além dos
animais, também foram apreendidos 49 gaiolas, seis viveiros, 126 alçapões, duas
armas de fogo, 19 redes de pesca e 11 kg de peixes.
O objetivo da operação, que teve início no dia 19 de
outubro, foi coibir o tráfico de animais silvestres nas regiões do Norte e
Nordeste do estado. As fiscalizações ocorreram nos municípios de Águas
Vermelhas, Almenara, Araçuaí, Cachoeira do Pajeú, Coronel Murta, Divisa Alegre,
Itaobim, Jequitinhonha, Medina, Pedra Azul, Ponto dos Volantes, Rio do Prado,
Rubim, Salinas e Virgem da Lapa.
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Operação terminou com a apreensão de 880 animais, sendo 879 aves e um réptil, e a aplicação
de R$ 901.828 em multas e 75 pessoas presas – Foto: Divulgação / Sisema
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A
ação, planejada e coordenada pela Semad, contou com o apoio da Polícia Militar
de Meio Ambiente, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal
e Secretaria de Estado de Fazenda (SEF). De acordo com o chefe de
Fiscalização da Fauna da Semad, Daniel Sampaio Colen, todos os animais
apreendidos foram examinados pelos veterinários da Semad, que também faziam
parte das equipes de fiscalização.
“Após
examinarmos os animais, concluímos que 592 deles estavam saudáveis e
fisicamente preparados para serem reinseridos na natureza. Eles então foram
soltos em áreas que passaram por uma avaliação dos nossos técnicos,
consideradas aptas para receberem os animais”, acrescentou Daniel Colen.
Ele
ressaltou, ainda, que entre os fatores levados em consideração para a escolha
da área de soltura está a condição hídrica do local, uma vez que a água é fator
preponderante para a sobrevivência dos animais.
Os
288 animais que foram considerados debilitados fisicamente foram encaminhados
para o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte (Cetas-BH),
onde receberão os cuidados necessários para completa reabilitação. O
Canário da Terra foi uma das espécies encontradas em maior número pelos
fiscais. De acordo com Daniel Colen, essas aves, ao contrário da maioria, que
são adquiridas pela beleza do canto, são geralmente traficadas para rinhas.
O
chefe da Fiscalização da Fauna destacou, também, que foi a primeira vez que as
equipes da Semad flagraram o crime de adulteração e falsificação de anilhas
para pássaros. “Os proprietários dessas anilhas foram autuadas em
flagrante e encaminhados para penitenciária. Esse tipo de crime é inafiançável
e tipificado como falsificação de selo público pelo artigo 296 do Código
Penal”, concluiu.
A favor da fauna
Essa
é a segunda grande operação de combate ao tráfico de animais silvestres
realizada com a coordenação da Semad. “Desde 2011, a gestão da fauna vem sendo
transferida do governo federal para os Estados, o que inclui a fiscalização do
comércio irregular de espécies”, explica o superintendente de Fiscalização
Ambiental Integrada da Semad, Heitor Soares Moreira.
Em
2014, a operação de fiscalização Bicho do Mato I apreendeu 724 pássaros e
675 gaiolas e aplicou R$ 788 mil em multas. O trabalho também foi realizado na
região Nordeste do estado entre os dias 24 e 29 de outubro em 10 municípios e
envolveu, ainda, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis (Ibama).
O tráfico de animais
Segundo
a Organização Não Governamental (ONG) WWF-Brasil, há pesquisas que apontam que
o comércio ilegal de animais movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano
em todo o mundo. Só o tráfico de drogas e armas é maior.
Ainda
segundo a WWF, o Brasil possui um grande comércio interno de animais, que
sustenta os traficantes que agem no país e servem como intermediários para os
traficantes internacionais.
A
principal rota do tráfico de animais silvestres no Brasil começa nas regiões
Norte e Nordeste, com a retirada de espécies da natureza, e segue até o grande
mercado consumidor da fauna no país, a região Sudeste.
De
acordo com dados do Ibama, os estados brasileiros onde ocorre a maior parte das
capturas de animais são: Maranhão, Bahia, Ceará, Piauí e Mato Grosso. Já os
estados com o maior mercado consumidor são: São Paulo, Minas Gerais e Rio de
Janeiro. O instituto também aponta que, no Brasil, as aves são as mais comuns
em apreensões de tráfico.
Um
dois principais documentos sobre o tema já publicado no Brasil é o Relatório
Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, lançado pela Rede Nacional de
Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), em 2002. O relatório aponta
que 60% dos animais comercializados ilegalmente são para consumo interno, o
chamado tráfico doméstico. Os outros 40% dos animais retirados da fauna
brasileira seguem para destinos internacionais.
Os
autores do relatório estimaram que todos os tipos de exploração ilegal seriam
responsáveis pela retirada de 38 milhões de animais da natureza brasileira,
número que não inclui peixes ou insetos.
Via Semad
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