Fiéis querem cancelamento do casamento e a expulsão do
padre. Casal afirma fazer parte da Igreja Católica e que matrimônio é legítimo.
O casal Wesley Aurélio Mendes Chaves e Fernanda Alves
Martins resolveram dizer sim de uma maneira diferente. O casamento no estilo
gótico, realizado em janeiro deste ano, em uma igreja católica de Rubim (MG),
causou muita polêmica na cidade.
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Wesley e Fernanda se casaram no dia 11 de janeiro em uma paróquia da cidade de Rubim. (Foto: Wesley Chaves / Arquivo Pessoal)
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“Eu e minha esposa somos católicos. Não cometemos nenhuma
infâmia contra às regras impostas pelo catolicismo. Gostamos de rock, de cores
escuras, e vestimos de uma maneira singular. Queríamos ter um matrimônio que
fosse a nossa cara. Meu casamento é legítimo e não tem nada que alguém possa
questionar”, diz o marido.
Mas o casamento gótico não agradou alguns fiéis da cidade.
Mesmo com aprovação do padre, segundo Wesley, no dia do casamento, o casal
passou por diversos problemas.
“Os moradores começaram a dizer que fazíamos parte de uma
seita satânica e que não podíamos por os pés nas igreja. O estilo de vida e
roupa não têm relação com a religião. No dia do casamento, minha noiva foi
difamada na porta da igreja e aquelas declarações preconceituosas me prejudicam
até hoje”, desabafa.
Wesley conta que abriu um estúdio de tatuagem e a clientela tem se afastado. "Trabalhar como tatuador já não é uma tarefa fácil. Agora que todos na cidade acreditam que eu participo de uma seita satânica, a coisa ficou pior ainda".
Wesley conta que abriu um estúdio de tatuagem e a clientela tem se afastado. "Trabalhar como tatuador já não é uma tarefa fácil. Agora que todos na cidade acreditam que eu participo de uma seita satânica, a coisa ficou pior ainda".
Para ele, o gótico não é uma pessoa pálida, vestida de
preto, que aprecia a noite, tem uma personalidade melancólica e solitária.
"Somos normais. Apenas gostamos de rock e de roupas escuras. Estou tendo
tantos problemas que, dias após o casamento, registrei um boletim de ocorrência
por calúnia e difamação", afirma.
O casal passou por todos os pré-requisitos para a
celebração religiosa na Igreja Católica como batizado, primeira comunhão,
crisma e curso de noivos.
Divergências
As polêmicas em torno do casamento gótico não param por
aí. Além dos transtornos enfrentados no dia da cerimônia, o casal e o padre vêm
sofrendo ameaças por parte de alguns fiéis.
“Isso é errado e a Igreja não pode admitir casamentos como
esse. A casa de Deus é um santuário. Não é um lugar para fazer o que bem
queremos. As regras do catolicismo e a Bíblia ditam um padrão para casamentos,
não podemos celebrar nada de diferente do tradicional", comenta uma
vendedora que não quis se identificar.
A dona de casa Maria das Graças Santos também é contra a
realização de casamentos góticos no templo católico. Ela diz não ser contra o
estilo de vida do casal, mas acredita que a igreja é uma casa santa e segue
regras.
Depois deste episódio não existe mais clima durante as
missas", disse Maria das Graças Santos.
“Estamos tentando levar o caso para a Diocese de Almenara,
mas ainda não oficializamos as reclamações. Queremos um posicionamento da
Igreja em relação a essa situação. E se não obtivermos resultado, vamos até
Brasília procurar o bispo responsável", afirma.
Maria das Graças diz ainda que os fiéis querem a anulação
do casamento para servir de exemplo para demais noivos. Eles também buscam a
transferência do padre. "Vai que essa moda pega! Depois deste episódio não
existe mais clima durante as missas".
Procurado pela reportagem do G1 Vales de Minas Gerais,
o padre João Carlos disse que não poderia se pronunciar formalmente sem
autorização da Diocese de Almenara. A secretária da Diocese informou que
não tem conhecimento do caso e que não recebeu qualquer reclamação formal.
Apoio ao casal
Dos aproximadamente 9.500 habitantes da pequena cidade de
Rubim, nem todos são contra a união do casal gótico. Parentes e amigos dizem
entender o estilo de vida de Wesley e Fernanda e muitos deles estiveram
presentes no dia do casamento.
Wesley disse que, desde os 13 anos, admira o estilo
roqueiro e que desde então passou a adotar o figurino em seu dia-a-dia. Já
Fernanda aderiu a moda há mais de cinco anos. O casal conta que, quando
disseram para os familiares e colegas que iriam promover um casamento
"diferente", todos curtiram a ideia.
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Convidados aderiram ao estilo gótico do casamento. (Foto: Wesley Chavez / Arquivo Pessoal)
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Por Patrícia Belo, do
G1 dos Vales de Minas Gerais
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