Veja a terceira reportagem da série 'BR-367: Um sonho de
JK'. 339 acidentes foram registrados nos trechos de maior risco em 2 anos.
Por Marina Pereira, do G1 Grande Minas
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Antônio se acidentou em uma ponte de madeira na BR 367 (Foto: Marina Pereira/G1) |
11 de fevereiro de 1999, uma data que Antônio Amaral não
consegue esquecer. Era noite, quando ele resolveu ir a uma festa de
rodeio na zona rural de Berilo.
“Passei pela ponte, que estava cheia de buracos e sem corrimão, desequilibrei e
cai de costas”, relata uma das vítimas da BR-367.
A queda de uma altura de aproximadamente10 metros provocou uma
fratura na medula e fez com que a vida do carpinteiro tomasse outros rumos. Sem
o movimento das pernas e dos braços Antônio vive há 14 anos na cadeira de
rodas. “Fiquei mais de um ano internado entre a vida e a morte, estar assim
hoje já é uma grande vitória”, relata.
A queda de uma altura de aproximadamente
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O acidente, as dificuldades para adaptar à nova rotina, os
prazeres que ficaram pra trás. Nada destruiu a alegria de viver do
ex-carpinteiro, que diante do problema sempre encontra palavras para expressar
o quanto é importante estar vivo.
“Eu aprendi a valorizar mais as pessoas e a vida, mesmo
nessa situação é muito bom viver. Tenho minha família que me apóia e me ajuda,
e assim eu vou seguindo meu destino”.
Do corte de cana à aposentadoria. José Aparecido, de 35
anos, também teve um destino bem parecido com o do ex-carpinteiro Antônio
Amaral. Duas vidas interrompidas pela BR-367.
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José passa pela ponte onde se acidentou (Foto: Marina Pereira/G1)
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Ele passava de motocicleta na ponte de madeira em Berilo,
(saída para Virgem da Lapa) quando escorregou em uma tábua e caiu. “Bati o ombro
em um dos cabos de aço e fiquei pendurado na ponte. Por causa da lesão perdi o
movimento do braço direito e ainda sinto muita dor", conta.
Depois do acidente, o homem que vivia do corte de cana, enfrentou muitas dificuldades para se adaptar à nova rotina. “ No início eu pensava que a minha vida tinha acabado, porque meu trabalho era o corte de cana, mas sem o braço eu não podia mais trabalhar. Com muito sacrifício consegui me aposentar, e é com esse recurso que hoje sustento minha família”, acrescenta.
Cada passo na ponte de madeira é marcado por lembranças ruins, porém essa é a única alternativa que José tem para atravessar. “Não gosto nem de lembrar dessa ponte, fiquei muito traumatizado, só passo por aqui porque infelizmente não existe outro caminho”, desabafa.
Depois do acidente, o homem que vivia do corte de cana, enfrentou muitas dificuldades para se adaptar à nova rotina. “ No início eu pensava que a minha vida tinha acabado, porque meu trabalho era o corte de cana, mas sem o braço eu não podia mais trabalhar. Com muito sacrifício consegui me aposentar, e é com esse recurso que hoje sustento minha família”, acrescenta.
Cada passo na ponte de madeira é marcado por lembranças ruins, porém essa é a única alternativa que José tem para atravessar. “Não gosto nem de lembrar dessa ponte, fiquei muito traumatizado, só passo por aqui porque infelizmente não existe outro caminho”, desabafa.
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Um passeio sem volta. Última foto da família Martins reunida, três dias antes do acidente (Foto: Andrea Alves Martins/ Arquivo pessoal)
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Na foto uma família feliz, repleta de sonhos e esperanças,
a comemoração era de um aniversário, três dias antes do acidente que levaria
duas vidas. Era a primeira vez que a família Martins viajaria para a praia em
um veículo próprio.
Veja Mais:
Outros passeios ao litoral já tinham acontecido, mas sempre
de ônibus. No dia 4 de abril de 2012, 10 pessoas da família se dividiram em
dois carros. Eles saíram de Itaobim com destino a Porto Seguro,
uma viagem que já estava programada a algum tempo.
“No veículo da frente estavam meus pais, meu irmão, minha irmã e uma sobrinha, o carro deles caiu em uma ponte de madeira sem estrutura, entre Almenara e Jacinto,” explica a familiar Andréia Alves Martins. Wilson Pereira Martins, de 58 anos, (camisa verde limão) e o filho Wildene Alves Martins, de 34 anos, (camisa listrada) não resistiram aos ferimentos e morreram no local do acidente.
“No veículo da frente estavam meus pais, meu irmão, minha irmã e uma sobrinha, o carro deles caiu em uma ponte de madeira sem estrutura, entre Almenara e Jacinto,” explica a familiar Andréia Alves Martins. Wilson Pereira Martins, de 58 anos, (camisa verde limão) e o filho Wildene Alves Martins, de 34 anos, (camisa listrada) não resistiram aos ferimentos e morreram no local do acidente.
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Muitas mortes são registradas no trecho em declive próximo a Turmalina (Foto: Marina Pereira/G1) |
Em meio a saudade e a dor restaram os ensinamentos
deixados pelo pai, que ajudam a família Martins a seguir em frente. “Meu
pai sempre dizia que não sabíamos qual de nós morreria primeiro, mas aqueles
que ficassem teriam que ser fortes e fortalecer uns aos outros”, diz.
Com a morte das duas pessoas importantes e com a mãe e a irmã muito machucadas, Andréia teve que deixar o emprego em uma fábrica na cidade de Nova Serrana, onde morava há cinco anos, e retornar para Itaobim, sua terra natal. “Eu voltei para cuidar delas. A minha mãe faz tratamento até hoje e a minha irmã abandonou o trabalho e ainda sente muita dor”, ressalta.
339 acidentes em dois anos
Com a morte das duas pessoas importantes e com a mãe e a irmã muito machucadas, Andréia teve que deixar o emprego em uma fábrica na cidade de Nova Serrana, onde morava há cinco anos, e retornar para Itaobim, sua terra natal. “Eu voltei para cuidar delas. A minha mãe faz tratamento até hoje e a minha irmã abandonou o trabalho e ainda sente muita dor”, ressalta.
339 acidentes em dois anos
Turmalina até a descida da ponte alta
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Itaobim a Virgem da Lapa
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Almenara a Salto da Divisa
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27 acidentes em 2011
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65 acidentes em 2011
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63 acidentes em 2011
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18 acidentes em 2012
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98 acidentes em 2012
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72 acidentes em 2012
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A reportagem do G1 identificou através de
relatos de policiais rodoviários os três trechos (veja
tabela ao lado) que são considerados como os mais perigosos da região,
onde acontece a maioria dos acidentes.
A estatística aponta um crescimento de mais de 15% no número de acidentes no ano de 2012, em comparação com 2011. Apenas, na região de Turmalina houve uma redução, de 27 para 18 casos. Em 2011, 17 pessoas morreram, e em 2012 foram 14 vítimas fatais nesse trecho.
A estatística aponta um crescimento de mais de 15% no número de acidentes no ano de 2012, em comparação com 2011. Apenas, na região de Turmalina houve uma redução, de 27 para 18 casos. Em 2011, 17 pessoas morreram, e em 2012 foram 14 vítimas fatais nesse trecho.
Segundo o sargento Geraldo Caetano, da Polícia Militar
Rodoviária, responsável pela região, 70% dos acidentes registrados
acontecem no trecho conhecido como descida da ponte alta, já chegando em
Turmalina.
“Temos um declive acentuado de6
km com curvas muito fechadas”, justifica. Ainda de
acordo com ele, várias blitz têm sido realizadas e um trabalho preventivo, que
objetiva reduzir cada vez mais essa estatística.
Nesse trecho, que é asfaltado e em boas condições, a polícia aponta quatro fatores que têm contribuído para os acidentes; falta de atenção do condutor, imprudência, excesso de velocidade e ultrapassagem em locais proibidos.
Atendimento nos hospitais
“Temos um declive acentuado de
Nesse trecho, que é asfaltado e em boas condições, a polícia aponta quatro fatores que têm contribuído para os acidentes; falta de atenção do condutor, imprudência, excesso de velocidade e ultrapassagem em locais proibidos.
Atendimento nos hospitais
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Por dia são atendidos até 3 pacientes em Berilo vítimas de acidente na BR 367 (Foto: Marina Pereira/G1) |
O número de acidentes reflete no percentual de atendimento
dos hospitais da região.
Na cidade de Berilo, por exemplo, segundo o médico
plantonista Jansen Lucio Leo de Souza, são atendidos até três pacientes por
dia, com lesões leves, vítimas de acidente na BR-367.
“Pelo menos uma vez na semana, atendemos um paciente em estado mais grave, apresentando fraturas expostas ou traumatismo craniano”, diz.
O médico ressalta que a maioria das pessoas que buscam atendimento no hospital se acidenta de motocicleta, no trecho da rodovia que ainda está sem asfalto.
“Pelo menos uma vez na semana, atendemos um paciente em estado mais grave, apresentando fraturas expostas ou traumatismo craniano”, diz.
O médico ressalta que a maioria das pessoas que buscam atendimento no hospital se acidenta de motocicleta, no trecho da rodovia que ainda está sem asfalto.
“O número de motos cresceu muito na zona rural, com isso
os acidentes também têm aumentado. Para mim, a falta de experiência dos
motoristas, aliado a condição ruim das estradas, são os fatores determinantes
para os acidentes aqui na região”, afirma.
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