segunda-feira, 3 de junho de 2013

TRÊS CIDADES DO VALE CORTADAS POR BRS NÃO TÊM ACESSO POR ASFALTO

Um simples entendimento entre os governos federal e estadual tiraria os moradores da poeira.

O fato de ser cortada por rodovia federal é visto como algo positivo para qualquer cidade, por causa da interligação com outras regiões e do movimento na economia local. Para cinco municípios mineiros, no entanto, em vez de ser uma vantagem, essa condição atrasa a chegada do progresso. Eles estão situados às margens de rodovias cujas obras de pavimentação foram iniciadas há décadas, mas nunca concluídas. A saída para tirar os moradores da poeira e da lama poderia estar nas mãos do governo do estado não fosse o excesso de burocracia e as promessas nunca cumpridas. Programas mineiros, como o Proacesso e Caminhos de Minas, criados com o objetivo de levar o asfalto a todas as cidades do estado, não podem ser implantados nessas cinco localidades exatamente porque os trechos são federais,  de responsabilidade da União. E somente poderiam ser inseridos nos programas estaduais mediante entendimento entre as partes, o que não ocorreu.

O imbróglio atinge São João das Missões e Montalvânia, cortados pela BR-135, no Norte de Minas, e Chapada do Norte, Jacinto e Salto da Divisa, situados no trajeto da BR-367, no Vale do Jequitinhonha. Salto da Divisa tem ainda uma condição peculiar: é possível chegar à cidade sem passar pela estrada de terra, mas somente chegando pelo estado da Bahia.

Na BR-135, dos 110km que interligam Itacarambi, São João das 
Missões, Manga, Montalvânia, 51 são só terra.
As populações dessas cidades lembram que há mais de 20 anos convivem com as promessas de asfaltamento das BRs. Obras já foram iniciadas e interrompidas incontáveis vezes, sem que fossem concluídas. A BR-367 corta praticamente todo o Jequitinhonha, partindo de Curvelo (Região Central), em direção a Porto Seguro (BA). Ainda faltam ser pavimentados dois trechos da rodovia, totalizando 120 quilômetros: o primeiro passa por Minas Novas, Chapada do Norte, Berilo e Virgem da Lapa (59 quilômetros) e o segundo entre Almenara, Jacinto e Salto da Divisa (61 quilômetros). O trecho da BR-135 entre Itacarambi, São João das Missões, Manga, Montalvânia (no Norte de Minas) compreende 110 quilômetros, dos quais 51 ainda continuam na terra.

Os moradores reclamam da condição de verem cidades vizinhas, bem menores, receber o asfalto do Proacesso ou do Caminhos de Minas, enquanto eles continuam enfrentando poeira e lama. “O que antes era um benefício virou um problema”, diz Afonso Lemos do Amaral, gerente de Convênios e Projetos da Prefeitura de Chapada do Norte, ao se referir ao fato de a cidade não ter estrada pavimentada até hoje por estar situada na rota da BR-367, motivo da sua exclusão do Proacesso.

“O percurso parece pequeno – são apenas 12 quilômetros, entre Minas Novas e Chapada –, mas enfrentamos um grande problema devido às más condições da estrada. Na época de chuva, fica difícil a passagem dos caminhões e dos micro-ônibus do transporte de pessoal que faz o atendimento na área de saúde”, relata o assessor municipal. “O governo federal poderia fazer uma parceria com o governo do estado para solucionar o problema. Isso não acontece por causa apenas da burocracia”, lamenta Afonso.

As obras de asfaltamento da BR foram iniciadas há mais de 10 anos e depois foram interrompidas, segundo Waldemir Batista Reis, ex-vereador de Salto da Divisa, que lidera uma campanha de mobilização para a retomada das obras da 367 e sugere a estadualização do trecho. Do total de 101 quilômetros entre Almenara e Salto da Divisa, 61 quilômetros são de terra. O movimento no trecho é grande pelo fato de a estrada ser caminho para as praias baianas.

“Toda época de campanha eleitoral, fica a ‘ladainha’ de sempre e o asfalto nunca é concluído”, reclama o motorista Geraldo José da Silva, de Jacinto, cidade de 15 mil habitantes. Ele lembra que, devido ao Proacesso, Palmópolis, duas vezes menor, com 7,1 mil habitantes e considerada “fim de linha”, tem estrada pavimentada.

Beneficiada por tabela

O advogado Geraldo Flávio  Soares, de Montalvânia, confirma que o asfalto da BR-135 é uma promessa de 30 anos. Em 1998, depois de muita luta, foi iniciada a pavimentação do trecho Itacarambi/São João das Missões/Manga/Montalvânia. Mas de lá prá cá foram várias interrupções. Também cortada pela 135, Manga tem acesso pavimentado “por tabela”, já que é ligada à vizinha Matias Cardoso por 12 quilômetros de trecho estadual, asfaltados há alguns anos pelo governo mineiro.

No trecho de 64 quilômetros entre Manga e Montalvânia, 18 ainda continuam na terra. A empreiteira contratada pelo governo federal desistiu das obras em  2011, logo após entrar em processo de falência. “A paralisação é um prejuízo para a região e o estado”, diz Geraldo Flávio, que dirige uma organização não governamental (ONG) de combate ao desperdício de dinheiro publico.


Via Estado de Minas

Sobre o Autor: Bernardo Vieira
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    Bernardo Vieira

    Sou mais um apaixonado pelo Vale do Jequitinhonha e suas riquezas. Venho, através deste blog, tentar expandir a cultura do vale, bem como trazer novidades e coisas úteis em geral. Formado em Administração pela UFLA - Universidade Federal de Lavras e Funcionário Público Estadual (TJMG). contato pelo email: nabeminasnovas@yahoo.com.br ou bernardominasnovas@hotmail.com.

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