segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Acadêmicos querem mudar nome da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)

Movimento propõe a criação da Universidade Federal Guimarães Rosa (UFGR)



Com a expansão da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – atualmente instalada em Diamantina e Teófilo Otoni – para as cidades de Unaí e Janaúba, aprovada pelo Conselho Universitário no último dia 07 de outubro, uma série de questões se coloca para a comunidade universitária e para a extensa região de Minas envolvida com a expansão.

Uma das questões será a necessidade de reformulação da estrutura universitária, em seu conjunto. Haverá a necessidade de constituição não apenas dos espaços físicos e dos recursos humanos dos dois novos campi, mas também de reorganização do corpo administrativo da Universidade: Planejamento, Orçamento, Recursos Humanos, Tecnologia da Informação, Obras, Transporte, Compras e Licitações, Comunicação, Pesquisa, Extensão e Cultura, Assistência Estudantil etc. A demanda de trabalho, com os novos campi e seus respectivos cursos, corpo docente, discente e técnicoadministrativo, aumentará significativamente também no município sede. Daí a premência de projetarmos, desde já, o crescimento orgânico da Universidade, em interação com o Ministério da Educação e toda a comunidade universitária.

Outra questão diz respeito ao nome da nova Universidade que surge com a expansão. Dentre as possibilidades de escolha do nome da instituição, encontra-se uma que esteja balizada por uma personalidade condizente à história e à cultura da região, ou regiões, em que a Universidade se insere ou está prestes a se inserir. Neste caso, o melhor nome será o de João Guimarães Rosa (1908-1967), escritor nascido em Cordisburgo (na região central do Estado, nas proximidades de Curvelo, onde temos a Fazenda Experimental do Moura) e que povoou seus contos, novelas e romances com a cultura do sertão de Minas Gerais e, de maneira muito especial, com a de todo o Norte do Estado.

Segunda notícia publicada no portal da Universidade, “a proposta de incorporar esses campi à UFVJM foi apresentada pelo Governo Federal, no dia 16 de agosto, e ratificada pelo Ministério da Educação, considerando que a UFVJM representa a única Instituição Federal de Ensino Superior com sede na metade norte do Estado e no pressuposto de promover uma maior densidade à UFVJM”.

A escolha do atual nome da Universidade, dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, fundamenta-se em uma importante luta política e cultural do movimento dessas regiões desde a década de 1970. Na condição de legado deste movimento, entendemos que uma Universidade Federal Guimarães Rosa estará em consonância com a concepção de um espaço de busca do saber, da cultura, da arte e de transformação do pensamento, respondendo aos ecos da história cultural e local, dos valores regionais e populares em interação com o saber erudito, marca da ficção roseana.

O nome e a obra de Guimarães Rosa há muito ganharam o Estado de Minas, o Brasil e o mundo. A arte e a linguagem que o autor tão bem soube extrair a partir da cultura, da geografia, da sabedoria e do modo de vida das populações de Minas, especialmente do Centro-Norte do Estado, é sobejamente conhecida e apreciada em muitos países, reconhecimento manifesto nas muitas traduções que sua obra recebeu.

A interação entre os saberes tradicionais e acadêmicos e a diminuição das distâncias e fronteiras do conhecimento – desafios da Universidade hoje – encontram no nome de Guimarães Rosa um caráter exemplar. Uma Universidade multicampi, que se pretenda cosmopolita interna e externamente, que seja capaz de articular regiões tão distintas como as dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, do Norte e do Noroeste de Minas, encontra, em Guimarães Rosa, a riqueza de possibilidades e o desafio da convivência de linguagens e modos de vida, ao mesmo tempo simples e complexos, a intrincada mineiridade que se formou no correr do tempo e ao longo do espaço.

Corrente em prol da UNIVERSIDADE FEDERAL GUIMARÃES ROSA


Esqueceram de combinar com o povo do Vale:

Mais uma vez, o povo do Vale do Jequitinhonha e Mucuri estar a vivenciar uma conquista histórica sua, genuinamente sua, a escapar pelos dedos. Um Movimento surge para transformar a nossa Universidade em algo não proposto pelo seu projeto original que nem se sequer chegou a ser implantado. 


A criação e implantação de dois campi nas cidades de Janaúba, no norte de Minas, e Unaí, no noroeste do estado, foi um desrespeito aos cidadãos do Vale do Jequitinhonha que esperavam a expansão para cidades-pólo como Araçuaí, Almenara, Itaobim, Capelinha, Minas Novas e Itamarandiba. Como o projeto original registrava e os próprios gestores (CONSU e Reitoria) aprovaram no REUNI e no PDI.

A Reitoria e diretores de Unidades Acadêmicas da UFVJM ignoram a existência e as demandas da população do nordeste do Estado e organizam um Movimento interno de transformação da nossa Universidade sem consultar os verdadeiros destinatários/beneficiários desta instituição.
Isto é um acinte, um desrespeito, um atropelamento, um estupro educacional!

Quando é que os doutores e mestres entederão que uma instituição pública como a UFVJM deverá ter como premissa contribuir para a construção de um desenvolvimento sustentável de seu povo com ações de ensino, pesquisa e extensão? Querem transformá-la em uma redoma de discursões, estudos e pesquisas puras para interesses particulares voltadas para o mundo interno institucional? Ou servir a interesses políticos e econômicos inconfessáveis?

Com o maior respeito ao nosso grande Guimarães Rosa. Ele diria aos gestores da UFVJM: Nonada! Viver é muito perigoso. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente, aprende.(Grande Sertão: Veredas). 

Esta proposta de mudança de nome é uma tática. Primeiro, o reitor divulga a idéia da Universidade Federal JK. Como houve reação contrária tentam um nome de um grande escritor mineiro, rspeitado por todos os brasileiros que têm na cultura a sua mais forte inspiração.

Mas, querem mesmo é implantar um novo projeto político para a UFVJM, exlcluindo os Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Esta proposta surge porque a instituição pública universitária não possui controle social. De 33 membros do CONSU - Conselho Universitário da UFVJM apenas um é da comunidade externa. Esta é uma questão a ser denunciada à Controladoria Geral da União e ao Ministério da Educação. 
Nos próprios cursos de Serviço Social e outros da área de Ciências Humanas da UFVJM é ensinado para os estudantes que controle social pressupõe paridade na representação do seu Conselho. Ou seja, 50% dos respresentantes deverão ser da sociedade civil. Mas, este princípio só serve para os outros, não para a própria Universidade.

Transparência da coisa pública de interesse de toda uma população de uma região de quase um milhão de habitantes não pode ficar nas mãos de poucos que pouco conhecem a região. Como também não deve se ater a questões administrativas e financeiras, sob pena de correr o risco da instituição não atender aos fins a que se propôs.

O Movimento A UFVJM é nossa! surgiu para denunciar a descaracterização da nossa Universidade e cobrar coerência técnica e política de seus gestores. Já conseguimos a aprovação de criação de 3 campi em cidades do Vale, até 2015, com a indicação da proposta estar no PPA -Plano Plurianual do Goveno Federal.

Porém, pelos movimentos do Reitor Pedro Ângelo e seus principais assessores, é de ter dúvidas que ele encaminhe tais propostas.

O exemplo de Capelinha

Por isso, nosso Movimento não parou por aí. Nesta sexta-feira, 14.10, um grupo de 31 cidadãos representativos de vários segmentos da cidade de Capelinha, no Alto Jequitinhonha, reuniu-se no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e desencadeou a luta pela implantação de um campus na cidade. Estudo prévio indica a participação de 21 cidades no pólo.


A Comissão Organizadora do Movimento no Polo trabalha com ações de mobilização social, gestões junto ao empresariado e Prefeitura para disponibilizar terrenos, articulação política e elaboração de um projeto técnico. O que a UFVJM já deveria ter feito, e não fez porque os seus gestores não têm interesse, a própria população está fazendo.

O exemplo do povo de Capelinha deve ser seguido por outras cidades do Vale que queiram manter e transformar a NOSSA UNIVERSIDADE em uma universidade pública, gratuita, com ensino de qualidade, com facilidade de acesso aos jovens e adultos do Jequitinhonha e Mucuri.

Nós, os botocudos do século XXI, vamos levar o debate para as escolas, para as ruas, para o lugar "onde povo está", nas redes sociais, digitais, presenciais. Não aceitamos a postura de neocolonizadores do Vale encastelados nas Universidades, na mídia, nos governos estadual e federal.

Somos seres pensantes, atuantes, tansformadores. Até aqui, tudo o que o Vale conseguiu foi com o próprio esforço do seu povo. A UFVJM é uma destas conquistas. Não podemos perdê-la, nem deixar que ela sirva a interesses escusos e inconfessáveis, que desviem de suas finalidades.




Sobre o Autor: Bernardo Vieira
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    Bernardo Vieira

    Sou mais um apaixonado pelo Vale do Jequitinhonha e suas riquezas. Venho, através deste blog, tentar expandir a cultura do vale, bem como trazer novidades e coisas úteis em geral. Formado em Administração pela UFLA - Universidade Federal de Lavras e Funcionário Público Estadual (TJMG). contato pelo email: nabeminasnovas@yahoo.com.br ou bernardominasnovas@hotmail.com.

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